Acredito completamente na energia que flui sobre nós. Invisível, mas impactante, presente e sensorial.
Recentemente tive a experiência de me envolver em uma noite com alguém desconhecido. Como em outras vezes, não sabia o que esperar. Mas foi esta uma experiência diferente: quando fui iniciar a conversa, senti algo diferente. Senti interesse mais que físico ou sexual, algo mais sinérgico, que se completa, se funde e não só reformula, mas cria. Sim, eu fiquei realmente interessado.
Não quis esperar e concretizei um beijo. Mas nunca isso foi tão mais que um simples beijo. Fora uma experiência completamente energética, e eu não só sentia, mas via isso. Uma onda de energia fluia do meu corpo e inundava o de quem eu beijava. E outra onda fluia desse ser e invadia o meu. E esse fluxo era tão criador, tão forte, que ambos expandimo-nos e a experiência tornava-se maravilhosa. Cada segundo, cada minuto se transformava em horas as quais eu não desejava que acabassem.
Não havia disputa de quem seria o vencedor de uma guerra de energias, mas sim a completa doação entre nós e para com o universo.
Quanto mais dava, mais recebia e mais se criava. Um fluxo que só teve fim, pois a festa acabara e a noite, então, se encerrara.
E tudo que fora naquela noite construído, dissipou-se na energia destruidora do dia-a-dia, nos sentimentos negativos que intrínsecos são à alma humana, nas relações de poder em que não há troca de energias, mas o roubo coletivo delas. Assim, a cada dia em que o poder destrutivo da vida nesse mundo se manifesta, mais falta faz a energia criadora que pouco se faz presente todos os dias, mas que naquela noite fora real, forte e inesquecível. E mesmo com quem vivi aquele momento maravilhoso no dia-a-dia a força destrutiva perseverou, embora a cada dia eu me alimentasse da esperança em falar com esse ser e de novo nos encontrarmos. E o que mais me consome agora é a necessidade de novamente viver algo tão criador, divino, energético, maravilhoso como foi aquela noite. O que me consome é a necessidade de saber onde, como, com quem viver essa experiência novamente e quando conseguirei, pois minha alma anseia por criação.
Meu maior objetivo, então, é ficar atento para a oportunidade que surgir, pois não vou querer deixá-la escapar. Quero mais momentos inesquecíveis em minha vida, e mais amor para minha alma. E eu vou me encontrar. E eu vou te encontrar. E quando nos encontrarmos, tudo se criará novamente.
sábado, 31 de dezembro de 2011
domingo, 25 de dezembro de 2011
A Volta
"Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo que eu queria fazer"
E hoje eu resolvi voltar
Retornar a quem de fato eu devo ser
E fazer tudo que eu queria fazer"
E hoje eu resolvi voltar
Retornar a quem de fato eu devo ser
Labirinto
E percebo que já conheço esse caminho
Mudam os rostos, os nomes
Mas minha sina permanece
Sinto-me num labirinto
Seguindo vários rumos,
Contudo sempre esbarrando no mesmo muro
Que me impede de seguir adiante
Há algo errado
E por mais dolorido que seja reconhecer
Sei que não são esses diferentes rostos, nomes
Que adentram cada um em sua hora em minha vida
Mas "eu" faço, sou, ou sinto algo errado
E o muro do labirinto acaba sempre me encontrando
Ou eu encontrando o muro do labirinto.
Esse tal de destino não é fácil de tolerar
Como não querer por perto
Pessoas tão dignas de amor, afeto?
Eu sei, hei de superar
Mas como tomar um caminho diferente
Para no mesmo muro não esbarrar?
Eu admito, quero me encantar
Achar um amor verdadeiro
E nele me libertar.
Não desejo uma vida vulgar
Há aqui dentro um ser amoroso, carente de afeto
E contra ele não irei lutar.
Onde devo estar?
Onde irei ficar?
Com quem devo estar?
Com quem irei ficar?
Labirinto...
Triste destino que permeia minha vida
Maldito muro que impede meu avanço
Obstáculo à minha plena felicidade
Motivo de eu continuar cercado de pessoas
E mesmo assim solitário em meus sentimentos.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Memórias
Memórias
Para que existem,
Quando o passado não volta mais?
Memórias
Que lembranças retomam
As boas - e as más, das quais os solitários choram.
Memórias
Agora choro ao lembrá-las
E esse vazio que não se preenche, o que fazer?
Memórias
Inertes quando nosso presente é valioso
Lanças afiadas quando o agora parece nada valer.
Memórias
Como usá-las a seu favor?
Memórias
Devo preocupar-me com elas?
Memórias.
Só memórias.
Eu vivo o hoje, vivo o agora.
Mas as memórias...
Choro ao lembrá-las, agora
Mas sei que outrora - logo, espero - inertes serão.
sábado, 3 de dezembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Cicatrizes
Jamais deixe uma cicatriz no coração de alguém
Uma cicatriz é um trauma que não tem cura
Um amor mal resolvido,
Uma paixão ameaçadora
Jamais fira alguém assim
Pois essa pessoa um dia pode conhecer alguém que realmente valha a pena
E ter medo de novamente ser ferido
E mais um trauma,
Mais uma cicatriz no peito
Mais dor, sofrimento
Quando o amor deveria trazer paz, felicidade e encantamento.
Deixe flores no coração das pessoas
Ame-as ou não,
Jamais as fira.
São pessoas, iguais a você
São humanos, sedentos por amor, carinho e atenção.
Jamais deixe uma cicatriz no coração de alguém
Afinal, você não gostou quando deixaram uma no seu...
Uma cicatriz é um trauma que não tem cura
Um amor mal resolvido,
Uma paixão ameaçadora
Jamais fira alguém assim
Pois essa pessoa um dia pode conhecer alguém que realmente valha a pena
E ter medo de novamente ser ferido
E mais um trauma,
Mais uma cicatriz no peito
Mais dor, sofrimento
Quando o amor deveria trazer paz, felicidade e encantamento.
Deixe flores no coração das pessoas
Ame-as ou não,
Jamais as fira.
São pessoas, iguais a você
São humanos, sedentos por amor, carinho e atenção.
Jamais deixe uma cicatriz no coração de alguém
Afinal, você não gostou quando deixaram uma no seu...
domingo, 30 de outubro de 2011
Sinto vida.
Eu posso sentir.
Fecho meus olhos,
Meus músculos se irrigam com meu sangue
Pois meu coração e pulmões já sabem:
Eu vou viver.
Minhas pernas se curvam,
Meu corpo, antes ereto,
Agora retroflexiona
Meu peito sobe à medida que meus braços descem
E meu espírito se ergue.
Consciente e lúcido,
Porém vou além.
Em pleno êxtase corporal
E paz espiritual
Eu vejo, sinto, vivo.
Tudo é vida, e eu faço parte de tudo.
Pulsa, vibra, cora-se. Vive.
Como é bom fechar os olhos
E poder sentir:
Estou vivo. Realmente vivo.
Vida, preencha-me.
Fecho meus olhos,
Meus músculos se irrigam com meu sangue
Pois meu coração e pulmões já sabem:
Eu vou viver.
Minhas pernas se curvam,
Meu corpo, antes ereto,
Agora retroflexiona
Meu peito sobe à medida que meus braços descem
E meu espírito se ergue.
Consciente e lúcido,
Porém vou além.
Em pleno êxtase corporal
E paz espiritual
Eu vejo, sinto, vivo.
Tudo é vida, e eu faço parte de tudo.
Pulsa, vibra, cora-se. Vive.
Como é bom fechar os olhos
E poder sentir:
Estou vivo. Realmente vivo.
Vida, preencha-me.
domingo, 23 de outubro de 2011
Solidão
Odeio a solidão que invade meu coração quando eu percebo que muito é pouco, prazer é dor, dentro do peito, é solidão.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Únicas
Não há melhor coisa que a boa lembrança de uma noite.
O problema é que sempre desejamos repeti-la,
Mas algumas noites foram feitas simplesmente para serem únicas.
O problema é que sempre desejamos repeti-la,
Mas algumas noites foram feitas simplesmente para serem únicas.
Vida de valores
Não há vida mais incômoda na sociedade atual que aquela de reais valores, moralidade, dignidade. Esse estilo de vida é diariamente confrontado, enquanto os demais são tolerados, e muitas vezes incentivados, embora em nada sejam benéficos socialmente.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Esqueça, essa é nossa única noite.
Se tens alguma dúvida,
Esqueça.
Deite-se sobre meus braços,
Aqui há paixão, prazer e felicidade.
Amadureci e percebi
Que o melhor amor é aquele passageiro
Não deixa cicatrizes,
Só ressente o bom da noite única,
Do beijo sincero e da história breve, mas eterna.
Tenha comigo nossa noite única,
Pois é dela que quero lembrar quando falarem teu nome,
E não de confusões, brigas, desilusões e desamores.
Mas da noite que passei contigo.
Maravilhosa noite.
Esqueça.
Deite-se sobre meus braços,
Aqui há paixão, prazer e felicidade.
Amadureci e percebi
Que o melhor amor é aquele passageiro
Não deixa cicatrizes,
Só ressente o bom da noite única,
Do beijo sincero e da história breve, mas eterna.
Tenha comigo nossa noite única,
Pois é dela que quero lembrar quando falarem teu nome,
E não de confusões, brigas, desilusões e desamores.
Mas da noite que passei contigo.
Maravilhosa noite.
Cicatriz mórbida
Se outrora meu coração doou-se
Hoje, ferido e já cicatrizado
Fecha-se e protege-se
Deixa minha mente - insana
Tomar conta da minha (sobre)vida
E meu coração, ferido, cicatrizado
Fica quieto lá, vendo todos passarem,
Tudo acontecer....
Já viver... nada.
Hoje, ferido e já cicatrizado
Fecha-se e protege-se
Deixa minha mente - insana
Tomar conta da minha (sobre)vida
E meu coração, ferido, cicatrizado
Fica quieto lá, vendo todos passarem,
Tudo acontecer....
Já viver... nada.
Cansei-me
Cansei-me de sobreviver.
Quero viver aventuras
Desbravar o desconhecido
Encontrar o que foi perdido
Viver, desbravar e encontrar-me.
Cansei-me de sobreviver.
Quero viver aventuras
Desbravar o desconhecido
Encontrar o que foi perdido
Viver, desbravar e encontrar-me.
Cansei-me de sobreviver.
domingo, 2 de outubro de 2011
Arquiteto da felicidade
Quando vivemos para o bem dos outros
E a nossa vida é só um meio de alcançá-lo
O erro para si é tolerável
Já errar com os outros é insuportável
Essa sede por mudar a vida
Não a sua própria, mas a dos outros
Interferir buscando dar felicidade
Não ser desagradável,
Mas ser útil, amável
Abdicar da própria necessidade
Essa sede move-nos.
Mas o fato é que não fomos feitos para os outros
Somos mais importantes, devemos ser
E por mais intolerável que seja errar para os outros
Esse erro é fundamental para compreendermos que
Nossa vida tem um sentido maior, tem seu valor
Que nossos sentimentos, desejos devem ser ouvidos
E atendidos.
Não significa que devamos machucar todos a toda hora
Mas que não precisamos nos machucar pelos outros
E uma vez ou outra teremos que machucar alguém
Para alcançar nossa própria felicidade.
Não existe acaso quando a sorte tem um arquiteto.
E a nossa vida é só um meio de alcançá-lo
O erro para si é tolerável
Já errar com os outros é insuportável
Essa sede por mudar a vida
Não a sua própria, mas a dos outros
Interferir buscando dar felicidade
Não ser desagradável,
Mas ser útil, amável
Abdicar da própria necessidade
Essa sede move-nos.
Mas o fato é que não fomos feitos para os outros
Somos mais importantes, devemos ser
E por mais intolerável que seja errar para os outros
Esse erro é fundamental para compreendermos que
Nossa vida tem um sentido maior, tem seu valor
Que nossos sentimentos, desejos devem ser ouvidos
E atendidos.
Não significa que devamos machucar todos a toda hora
Mas que não precisamos nos machucar pelos outros
E uma vez ou outra teremos que machucar alguém
Para alcançar nossa própria felicidade.
Não existe acaso quando a sorte tem um arquiteto.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Cicatriz no peito
Apaixono-me fácil,
Esqueço com dificuldade.
E há um momento
Em que o destino lhe diz
Com total certeza:
Esqueça.
Não sofra
Não se iluda
Viva
- Para si, e mais ninguém.
Não seja refém
Dos sentimentos de outrem
A quem você é menos
Do que esse é para você.
Sofrerá,
Não será fácil.
Mas melhor sofrer com a realidade
Do que viver um mundo de mentira.
Sua paixão será uma cicatriz no seu peito,
Como foram as tantas outras que já sentisse
Essa, é verdade, ficará bem marcada
Mas há de superar, como a todas as outras superou.
Viva, seja feliz.
Quando sua paixão for amor,
Apegue-se e deleite-se.
Mas quando sua paixão for simplesmente paixão,
Aproveite enquanto durar,
E quando for a hora do fim,
Curta uma outra, não vá chorar.
domingo, 11 de setembro de 2011
Contra o que lutarei?
eu não excluo, porque socialmente isso é repudiável.
eu não me doo totalmente, porque não sou desejado.
eu não esqueço, porque não consigo esquecer.
contra o que lutarei: sociedade, desejos da pessoa amada, ou contra os meus sentimentos?
contra o que lutarei: sociedade, desejos da pessoa amada, ou contra os meus sentimentos?
sábado, 10 de setembro de 2011
Just Can't Get Enough (Black Eyed Peas)
"Damn baby I'm feignin
I'm trynna holler at you, I'm screamin
Let me love you down this evenin
Love you love you ya you know you are my demon
(...)
Oh baby I can't come down so please come help me out
You got me feelin high and I can't step off the cloud
And I just can't get enough
Boy I think about it every night and day
I'm addicted wanna jump inside your love
I wouldn't wanna have it any other way
I'm addicted and I just can't get enough"
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Nosso Destino
Minha princesa,
Por que resistes ao meu cortejo?
Sei que outro tu agora desejas
Mas olhe lá para frente
Onde teus olhos - cegos pelo presente
Não te permitem ver.
Mas desvendados das amarras
Impostas pela ilusão e ignorância
Veem o futuro como está destinado
- Tu ao meu lado.
Há tantas outras princesas
Tão ou mais belas que tu
Tão ou mais inteligentes que tu
Tão ou mais atraentes que tu
Mas meus olhos são só para ti
Meu amor, paixão, vida são só para ti
Venero-te, pois sei que teremos uma história nossa
Amo-te, pois sei que meu coração já estava destinado a ti
Olhe para mim, desvende-se
Conheça-me e verás que não sou menos que os demais
E verás que temos uma história a construir
Um amor a alimentar
Duas vidas a unir.
Sei que só vês ao outro
Mas um dia, quando o tempo passar
E nosso tempo de união já houver expirado
Tudo haverá acabado
E não tornará a voltar
Eu estarei em outro olhar
E você estará a me chamar
E eu bem que gostaria de novamente te amar
Mas nosso tempo já haverá passado
E tudo que vai, no caminho da vida,
Dificilmente há de retornar.
Deixemos ao destino fazer sua parte
Pois eu faço a minha
Todas as noites rezo por você
Com mesmo vigor que rezo por mim,
Meus amigos, família e queridos
Rezo por você, pois teu bem é meu bem
Tua felicidade é minha
Espero que olhes para mim um dia,
E que não seja tarde para nossa história se construir
Pois este é o nosso destino: juntos, eu e tu.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Passado, Presente e Futuro

Oras, como recusar sanar todas minhas dúvidas? Quem negaria saber seu futuro, compreender seu passado para melhor viver o presente?
Comecei a lê-lo pelo futuro. Eu estava apaixonado por uma mulher incrivelmente diferente de mim, mas que me atraía pelo fundo da alma - ficaria, afinal, com ela, ou não? E nos capítulos seguintes ao atual em que vivo, ela estava lá. Fazia parte da minha vida. Pensei "Que delícia saber que meu amor permanecerá, que será recíproco, que viveremos juntos". Já nem queria saber do resto do livro, mas dei mais uma lida no futuro... Ah! Serei um bom médico, trarei algumas descobertas interessantes para a Medicina, salvarei algumas vidas... Constituirei uma família, meus melhores amigos continuarão sendo meus melhores amigos, nossa, não acredito que a Ester vai casar com o Gabriel! Enfim... já ia fechando o livro, quando a voz falou: "Você não vai ler sobre seu passado?" "Para que ler sobre o passado se o futuro é o único que eu posso mudar?"
O futuro é o único que eu posso mudar...
O futuro é o único que eu posso mudar...
Foi o que eu pensei. E perguntei: "Viu, se o futuro eu posso mudar, como diabos ele já está escrito? E o tal livre arbítrio?" "Davi, leia sobre seu passado, então. Acredito que este você, de fato, não possa mudar, certo?"
A voz parecia sábia, então abri novamente o livro e comecei a ler sobre o passado. Tão gostoso ler sobre como você deu seu primeiro grito ao nascer, como parecia a sua primeira visão do mundo, ah... eu sempre soube que aquela tia me preferia morto! Sempre tivera ciúmes do meu pai, aquela velha maldosa! Nossa, eu aprendi a ler assim tão cedo? Como eu sou inteligente! Ai, eu nem me lembrava dessa vez em que eu corri pelo sítio e me ralei todo porque escorreguei no cocozal das galinhas. Engraçado foi que o livro começou a ficar mais pesado. Impossível. Coisa da minha cabeça, pensei! E continuei a ler, sobre minha primeira paixão quando criança, aquela menininha pela qual eu queria ficar abraçado, beijar com carinho o rosto e desenhar junto dela. Lembrei do meu primeiro beijo, do meu primeiro namoro, da vez em que perdi a virgindade... Tudo foi ficando tão mais recente e tão mais claro!
Mas e não é que, de fato, o livro ficou mais pesado? Quando me dei conta, estava segurando algo maior que a própria Torá! E eu perguntei ao sábio: "O que está acontecendo que esse meu livro da vida aumentou de tamanho?" "Davi, experimente olhar novamente o seu futuro"
Será que esqueci algum detalhe importante lá, me perguntei. E abri o livro nos capítulos mais adiante, de novo. Tá, eu já li sobre quando eu encontrarei a mulher por quem estou apaixonado numa festa, e ela sorrirá para mim novamente, e eu vou conquistá-la e dessa vez mostrarei todo meu amor por ela. Já li sobre tudo isso! Esse capítulo não é novidade... Pulei para o próximo.
Estranho... dois capítulos sobre o mesmo ano? Nem li... folheei as páginas. Três capítulos sobre o mesmo ano? Folheei. Quatro, cinco, seis, espera ai... "Sábio, por que apareceram tantos novos capítulos sobre um mesmo ano, se minha história há de ser única?"
"Davi, a primeira vez que abriste o livro da sua vida, tinhas uma breve noção do seu passado e presente. Isso te dava uma breve noção sobre teu futuro, também. Quando leste os detalhes sobre teu passado, novas perspectivas sobre teu futuro apareceram, e então, sim, conseguiste visualizar mais caminhos que existem sobre tua jornada adiante. O teu futuro, realmente, é algo que podes mudar a qualquer momento, e para isso existe o presente. Mas o teu passado é fundamental para que compreendas quais caminhos estão abertos para tu escolheres em qual irás transitar. Só conhecendo bem o teu passado, conhecerás melhor a ti mesmo, e isso é essencial para escolheres o caminho que te fará mais feliz e satisfeito contigo."
"Obrigado, sábio. Eu vou lembrar desses ensinamentos quando acordar?"
Acordei. Lembrei de nossa conversa, mas curiosamente só consegui lembrar do futuro em que eu namoraria a mulher pela qual eu estava apaixonado. Acho que terei de pensar mais no meu passado, agora, para ver os outros caminhos, pois vai que algo, por sorte, dá errado e eu não consigo conquistar a menina? Seria infeliz até esquecê-la! E sabe-se lá o que pior que aconteceria depois...
Acabei esquecendo isso tudo. Continuei apaixonado pela menina, dei todo meu carinho a ela, mas ainda não a encontrara, como estava escrito no livro. Pior: ela se apaixonou por outro rapaz e os dois namoraram. E eu desabei em choro e arrependimento. Mas que diabos, pensei. Não estava escrito que eu ficaria com ela? Não era ela a mulher da minha vida?
Fechei os olhos, respirei fundo e a voz disse: "O teu futuro é a única coisa que podes mudar. E ele muda, de fato, a cada instante, sob qualquer atitude que varie no teu presente. Elegesse aquele futuro como o que desejavas, mas esqueceu que a menina pode ter escolhido outro para si, que não o ficar contigo. Ou seja, teu futuro é o único mutável, e não bastasse ser somente mediante teu presente, depende do presente dos outros também. Mas é conhecendo teu passado, conhecendo mais a ti mesmo, que terás a capacidade de, independente de qual forem as circunstâncias, eleger o futuro disponível que mais te traga felicidade."
Acordei. Não lembrei de nada, só me sentia mal, e pensando na menina, que agora estava com outro.
Acham estranho
Se eu sorrio,
Acham estranho
E questionam o motivo.
Se eu choro,
Acham estranho
E questionam o motivo.
E questionam o motivo.
Se eu não faço nada,
Acham estranho
E questionam o motivo.
Oras, eu vivo
Acham estranho
E questionam o motivo.
Quando eu morrer,
Questionarão também o motivo
Ou me deixarão ao menos em morte
Viver em paz, na vida eterna?
Aqui de cima...
Aqui de cima,
Tudo parece estar bom
Há tanta felicidade pelo campo
Tanto amor ali na cidade
Aqui de cima,
Tudo parece estar tão bom...
E eu preso aqui em cima,
Esperando que alguém,
Um nobre amante qualquer,
Me ajude a descer
E junto de mim
Ser feliz como o mundo parece ser.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Open Your Heart (Madonna)
"Open your heart, I'll make you love me
It's not that hard, if you just turn the key"
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Quero um amor
Quero um amor
Para dar meu coração
Sem me preocupar
Dizer: "sou teu"
E você aceitar
Buscar-te e
Conseguir te encontrar
Cansei dos meus sonhos
Desejos, anseios, neuras
Quero realidade, seja real para mim
Quero reciprocidade, seja recíproco comigo
Quero você, seja você para mim
Quero um amor
Que não tenha hoje ou ontem ou amanhã
Que seja para sempre enquanto durar
Quero um amor
Feito o que sinto por você
Mas por alguém que me ame também
Alguém que me deseje, me queira
E que tenha a certeza de que em meus braços
Pode repousar, pode receber um carinho
Um afeto, amor, amor.
Quero um amor,
Queria você
Mas se não me queres
Eu continuarei querendo um amor
Quero um amor!
Um Amor Proibido
Há quem diga que não há nada mais destinado que o próprio acaso. Posso dizer que há uma sorte em tudo, um norte que não nos cabe, ao menos conscientemente, decidir.
Chovia muito, o dia estava nublado e minha visão era falha pelo ambiente. Mesmo assim, quando vi a figura de alguém que amo, logo ali a minha frente, meu coração explodiu em movimento, minhas pernas cambalearam, minha mente atingiu uma outra dimensão. O que fazia ali, logo ali, no meu caminho, aquela figura tão querida por mim, mas sempre distante? Como chegara ali, e como eu não seguira outro caminho naquele dia?
Ter balbuciado palavras que só faziam sentido porque as sentenças eram previamente feitas mentalmente, Oi, tudo bom? Oi! Eu não era capaz de falar mais nada, ainda mais que ela não estava sozinha, tinha consigo alguém, quem eu não sei - e nem queria saber de fato, meu objeto de adoração é único.
Estava num reino antigo, em que o servo devia sua vida ao mestre. Eu devia minha vida a Rainha, não pelo regime da servidão, mas pelo do amor. Meu olhar era proibido, pois ser de baixa casta me impedia de cruzar meu olhar com o dela. E como era difícil não admirá-la! Tão alva, olhos vazios, mas penetrantes mesmo assim, sorriso que pede um beijo e um corpo que cativa meu abraço. Queria chegar perto, mas não era possível, pois era a Rainha.
Eu tinha meus afazeres, cuidar da saúde dos pobres idosos e dos feridos em campo. E esse ofício era de total dedicação para mim, era minha motivação maior de vida. Mesmo assim, mesmo sendo tanto, tanto para mim, não era o suficiente para completar-me. É como se eu fosse a Lua, mesmo com uma face iluminada, completa, sempre haveria a outra buscando luz. Mas eu carregava meu ofício, tratava as moléstias e dava o que meu coração havia de melhor a esses moribundos: afeto, dedicação, atenção.
Afeto, dedicação, atenção eu não pedia de ninguém, pois isso se dá de livre e espontânea vontade - mas eu desejava da minha Rainha. Desejava que me estendesse sua mão, alva, fina e macia; que cobrisse com a outra a minha; e que olhasse para mim e nossos olhares ficassem cruzados.
Certo dia, estava atendendo uma senhora muito velha, já tossindo sua própria carne, e ouvi murmúrios pelo vilarejo. Fiquei preocupado, pois eram constantes os ataques bárbaros na região, e deixei a adoentada para ver na rua o que acontecia. Era a Rainha, que naquele mesmo dia resolveu passar por onde eu tivera de ir trabalhar. E por graça do destino, olhou para mim, enquanto eu encarava-a com desejo, amor. E continuou me olhando, com seus olhos graciosos, levantou um sorriso totalmente desprovido de pudores, e estendeu-me a mão. Dei um passo a frente, pois queria tocá-la, tê-la para mim nem que fosse somente naquele instante. Meu amor era maior que minha própria consciência, inteligência.
Aquelas mãos brilhavam, e quando estendi meu braço, rumo ao dela, os meus passaram a brilhar e escorrer em rubro. E quando eu pensei que ia chegar a tocá-la com meu carinho, com meu afeto, e fazê-la sentir todo meu amor, eu cai. Cai sem sentir, cai sem ver, cai em meu próprio sonho. Os guardas da Rainha atenderam a seu chamado e atiraram sobre mim uma flecha, que atingiu logo meu coração. Não a flecha que conquista o amor, pois esse amor já estava conquistado. Mas a flecha que conquista a vida, já que essa eu ainda tinha minha.
Perdi minha vida.
E eu virei o rosto, e sem cumprimentar corporalmente, segui outro rumo, mesmo sabendo que havia um motivo para ela estar ali naquele momento. E por que me apareceu acompanhada? Havia um sentido em eu ter que dar meia volta e rejeitar seu amistoso cumprimento estando ela acompanhada. Dentro de mim, só aceitaria um amoroso cumprimento. E eis que o destino mostrou seu recado: ela não seria minha, e eu haveria de continuar seguindo meu caminho, trilhar por trajetos mais elevados, e acima dos meus próprios sentimentos, instintos, vaidade. Havia de libertar-me de mim mesmo para alcançar a graça de D-us, arquiteto de todos os caminhos que a vida dá, arquiteto de todo o destino. E por mais que eu queria manter-me aprisionado, a força do destino é maior que mim mesmo, e ei de libertar-me para viver. Ei de sublimar nesse momento para esquecer. Ei de sofrer, esquecer, e dedicar todo meu amor a um bem, e a um ser maior, mesmo querendo também esse outro amor. Como é doloroso ser imperfeito... e ter que seguir caminhando, sob a sorte do destino.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Ouço-me
Não importa mais o que se pensa.
O que eu sinto é maior
E quando ouço meu sentimento
Eu me sinto confortado.
Durmo hoje suave e descansado
Pois ouvi o meu íntimo
E ignorei minhas preocupações
Estou preso, mas liberto
Vivo
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Minha Rainha
Minha rainha
De que vale tanta beleza, tanta ternura
Se te pões sobre este rígido castelo
Se te ocultas do meu amor, do meu afago
Desce dessas pedras que teu íntimo ergueu
Pois de mim não há o que temer
Não se teme quem te ama
Não se teme quem te quer bem
Meu coração treme, agita-se
Minha barriga por toda esfria-se
Só de lembrar dos teus olhos,
Tua boca, teu cheiro, tua pele
Teu cabelo, tua boca, tua língua
Tu, minha rainha, meu amor
Não temas
Pois por ti dou minha vida
Mas desisto da morte, pois amando
Tudo faz sentido
Até uma vida que se perde
Envolvida na pele da amada
Ela se encontra
E tudo é luz, é paz
É alegria, amor
Amor.
Tu, minha rainha, meu amor.
Contigo sou pleno
Mas em pensamentos, só neles
Sou incompleto.
Desça, pois aqui te espero
Mesmo que queira - e precise -
Seguir minha viagem
Sei que só contigo
Seguir esse caminho fará sentido
Só existe destino contigo
Tu, minha rainha, meu amor.
domingo, 21 de agosto de 2011
Eu não fico triste, jamais. Mas constantemente me sinto desiludido, decepcionado com as pessoas e as situações. Mesmo assim, sempre tranquilo e de certa forma feliz. São poucos os momentos em que perco o controle... muito poucos! E isso não é só autocontrole - é, pois, a minha forma de agradecer a vida que me foi dada, e as oportunidades que a cada dia aparecem: serei médico, tenho familiares em que posso depositar toda minha confiança, meus melhores amigos são inestimáveis, e eu não dependo de ninguém, senão de mim mesmo para ser feliz. Sim, não há motivos para tristeza! Não para mim!
Tudo ao teu redor pode dar errado: tua família em colapso, teu afastamento dos amigos, tua carreira profissional não estar avançando, teus sentimentos amorosos não estarem sendo correspondidos à altura. Mas se teu propósito é maior do que seu bem-estar momentâneo, há de ser feliz e tranquilo mesmo assim. Há de ser somente uma fase de dificuldades em tua vida. Porque teu destino é maior do que tudo que te cerca.
sábado, 20 de agosto de 2011
Te vejo, não me vês
Fecho os olhos
Só vejo uma pessoa
Fechas os olhos
Só vês uma pessoa
Eu te vejo
Tu vês outro
E aqueloutro não te vê
A paixão é assim
Feliz para poucos
Injusta para muitos
E, para mim:
Tristeza, desilusão.
E eu, aqui
Deve haver alguém por aí
Com algo no peito
Que pulsa, forte
Alguém que ama,
Apaixona-se
E se deixa levar
Não tem que pensar:
Só se deixa levar.
Deve haver alguém por aí
E eu estou aqui.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
Eu sou!
O que fazer quando alguém que você queria tanto, mal chegou perto e já disse adeus?
(Lucas)
Teu destino é maior
Tua vida será melhor
Olha pela tua janela:
A lua brilha
Tão forte como
O Sol que lhe cede a luz
Olha para dentro de ti:
Tu brilhas
Tão forte como
O D-us que te cede a luz
Há tanta felicidade
Tanta luz, alegria pela cidade
Há tanto amor
Pelo planeta, tanto calor
E não é aí,
No seu coração...
Pequeno-grande coração...
Em que haverá tanto frio e dor!
Sorria, respire fundo
Que sorte tu aqui, no mundo
Teu destino é maior
Tua vida será melhor
Não te rebaixes
Não te engrandeças
O mundo é maior que você
Mas tua importância não é menor que o mundo
Não sejas, portanto
Maior ou menor
Tu és.
Tu és.
Seja quem tu és.
Ame como tu amas.
Não te escondas,
Não te iludas
Seja.
Seja quem tu és.
Porque
Teu destino é maior
Tua vida será melhor.
Acredite!
Eu acredito.
sábado, 13 de agosto de 2011
Tempo
A voz secou
A vontade desanimou
O afeto ainda existe
Talvez a paixão também
Não sei o que persiste
Mas algo é certo:
O tempo terá seu tempo!
Minhas pernas estão agitadas
Minhas mãos não conseguem ficar paradas
Mas eu sei que o tempo
Precisa do seu tempo
Mas eu sei que eu
Preciso do meu tempo
E eu sei que tu
Precisa do teu tempo
Tempo, tempo, tempo
Não vá me trair outra vez
Olha para esse menino aqui
Não bonito, não gostoso, não simpático
Mas amável, carinhoso, inteligente
Apaixonado, talvez
Eu dou tempo
Eu arrisco os efeitos do tempo
Mas, tempo, quando chegar a hora,
Traz para mim o meu amor
Porque eu quero calor, sabor, até dor
Com a pessoa certa do meu lado
Com a pessoa amada, abraçado
Tudo terá seu valor.
Eu quero o amor.
A seu tempo, tempo.
A vontade desanimou
O afeto ainda existe
Talvez a paixão também
Não sei o que persiste
Mas algo é certo:
O tempo terá seu tempo!
Minhas pernas estão agitadas
Minhas mãos não conseguem ficar paradas
Mas eu sei que o tempo
Precisa do seu tempo
Mas eu sei que eu
Preciso do meu tempo
E eu sei que tu
Precisa do teu tempo
Tempo, tempo, tempo
Não vá me trair outra vez
Olha para esse menino aqui
Não bonito, não gostoso, não simpático
Mas amável, carinhoso, inteligente
Apaixonado, talvez
Eu dou tempo
Eu arrisco os efeitos do tempo
Mas, tempo, quando chegar a hora,
Traz para mim o meu amor
Porque eu quero calor, sabor, até dor
Com a pessoa certa do meu lado
Com a pessoa amada, abraçado
Tudo terá seu valor.
Eu quero o amor.
A seu tempo, tempo.
O que nos domina?
Começamos a perceber quando as emoções e sentimentos nos dominaram quando nos fazemos perguntas do tipo "mas por que eu fiz isso?" ou "mas por que eu tava pensando assim?" ou "nossa, quanta bobagem... o que aconteceu comigo?".
Se deixar dominar pelo coração só é legal quando há uma aventura mútua entre dois ou mais indivíduos. Se não é de ambos, é sofrimento e desilusão na certa!
Se deixar dominar pelo coração só é legal quando há uma aventura mútua entre dois ou mais indivíduos. Se não é de ambos, é sofrimento e desilusão na certa!
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Algo Maior
Eu sempre soube das pessoas que passam tão ligeiras em minha vida, mas que são tão especiais, e pelas quais há algo que nos ligou, transcendendo a razão. Mas quando elas, seja pelo motivo que for, seja como for, se afastam de mim, algo falta no meu interior.
Há um tempo bonito lá fora, minha carreira profissional está prestes a chegar ao seu auge do momento atual, meus melhores amigos estão presentes, minha família está em paz e compreensiva.
Mas falta algo.
E não só esse último afeto que de mim se afastou. Mas também alguns outros que há tempos abandonaram meu caminho.
Todos fazem falta.
E fazem falta além das emoções, sentimentos, e razão, inclusive. Fazem falta para o meu espírito, pelas quais estava ligado de alguma forma, sob alguma coisa que transpassa aquilo que hoje eu posso conhecer como verdade absoluta.
E é por isso que meu coração soluça, caminhando pelo centro da cidade, andando de bicicleta na ciclovia à beira-mar, dançando sozinho em casa, escovando os dentes, dormindo.
Soluça sem parar, tentando fazer assim com que alguém ouça suas batidas.
Ouça-as.
Ouça-o.
Ouça-me.
Porque quero ouvi-lo também. Quero conhecê-lo ainda mais. Quero viver contigo como tiver de ser, e não como eu queria, ou como tu desejas.
Há um destino que transpõe em sua essência nossa compreensão e por ação do qual nos unimos por uma noite. E por ação do qual reuniremo-nos mais outras.
Não resista.
O que há de ser, será.
Não espere.
Quando antes for, melhor.
Não me deixe.
Tu me faz falta.
E termino pensando... tudo isso te conhecendo tão pouco. "Tudo isso", digo: tanto carinho, tanta compaixão. Imagine se nos déssemos a possibilidade de vivermos por mais algumas noites ao longo de nossas vidas? Quão alto poderíamos chegar?
Eu errei, faz parte. Se esperavas perfeição de mim, eu era a pessoa menos capaz de alcançar tuas expectativas. E por isso eu não vou dar mais passos, vou deixar o destino me levar. Ele sabe o que faz.
Saibas que há vida
Tudo pode estar ruim, a vida pode estar uma droga.
Mas se tu vês o Sol brilhando, sente seus raios atingindo tua pele, respira a leve brisa que o ar emana, ouve o som do mar batendo na areia e nas pedras, e dos passarinhos cantando, e sente o gosto da água pura, tu estás vivo.
Podes estar rodeado de morte, mas em ti há vida.
O Destino
O destino é perfeito...
Quando a gente mais precisa de luzes outrora apagadas, elas acendem.
Amizades antes ocultas, pequeninas, agora começam a se tornar visíveis, e engrandecidas.
Nossos traumas com pessoas poucas diminuem nossa capacidade de perceber que há outras muitas por aí, a nos trazer alegria, consolo, felicidade, paz.
O destino é perfeito...
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Respira!
Por que respirar com tanta afobação, quando o ar é tão saudável e necessário para tua existência?
Respira, com calma, e sente cada perfume que exala das flores que te rodeiam.
Respira, com atenção, e aproveita a pureza que esse fluido traz para teu corpo e tua alma.
Respira, e liberta-te.
Não tenhas pressa, a vida não é tão finita quanto os poetas românticos tentam te fazer acreditar.
Arte
Minha arte não é perfeita, pois não almejo a perfeição.
Não há nada de perfeito no ser humano, senão sua própria existência e essência, obras de D-us, mas aquilo que por ele (e não 'Ele') é criado é tão imperfeito quanto seu desvirtuamento espiritual, físico, mental, emocional.
Mas me pergunto, como podem tantas pessoas quererem fazer uma arte perfeita?
E por que imaginam que imitar os sentidos seria alcançar essa perfeição?
Não contesto sua arte, pois isso é pessoal de cada um. Mas defendo a minha imperfeição, meus tracejados ao mesmo tempo infantis, mas sob um aspecto de homem, humano, adulto e bem verdade criança, ainda - idoso, em parte, também. Morto e recém-nato.
E toda construção é precedida por uma destruição. Quando eu destruo os limites da regra, da métrica, da rima, da ética, dos pudores, dos desamores, eu construo minha arte - e construo-me.
Por fim, minha arte não é mente; é, pois, sobretudo emoção, espírito - que se funde com o físico, palpável, e o mental, imaginável, para construir algo completo e ao mesmo tempo fragmentado. Isso é arte. Isso é, mesmo após fazer um garrancho de desenho, ou um texto por mais podre que seja poder se sentir livre, feliz, amado e amando, sentir-se integral, sentir-me eu, Lucas. Arte, tu me liberta.
Só teu
Há coisas outras que eu gostaria de escrever
Mas a que sai da minha mão neste momento
É que de tudo que tu tens
Teu coração deve ser só teu
E de mais ninguém
Deixe os outros
Com suas alegrias, ilusões
Amores, paixões
Dores, sofrimentos
Paz, guerra
Ódio ou rancor
Mas guarde para ti teu coração
Pois quando tu dás para alguém
Corres o risco de sofrer por ti
E mais ainda por quem tu deste
Mas a que sai da minha mão neste momento
É que de tudo que tu tens
Teu coração deve ser só teu
E de mais ninguém
Deixe os outros
Com suas alegrias, ilusões
Amores, paixões
Dores, sofrimentos
Paz, guerra
Ódio ou rancor
Mas guarde para ti teu coração
Pois quando tu dás para alguém
Corres o risco de sofrer por ti
E mais ainda por quem tu deste
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Sorria, és amado!
A verdade é
Que pessoas vêm e vão
Mas tua família
Teu melhor amigo
Esses são os que ficam
E é tão bom saber
Que nessa maré
Alguém está de fato contigo
E não vai te abandonar
Porque às vezes te sentes sozinho
E a verdade é que nunca estás
Alguém te ama
Alguém se preocupa contigo
Alguém olha por ti
Até Ele está ao teu lado
Por que chorar?
Olha ao teu redor
E sorria, tu és amado!
Que pessoas vêm e vão
Mas tua família
Teu melhor amigo
Esses são os que ficam
E é tão bom saber
Que nessa maré
Alguém está de fato contigo
E não vai te abandonar
Porque às vezes te sentes sozinho
E a verdade é que nunca estás
Alguém te ama
Alguém se preocupa contigo
Alguém olha por ti
Até Ele está ao teu lado
Por que chorar?
Olha ao teu redor
E sorria, tu és amado!
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Eu espero
O destino pede tempo
Eu peço rapidez
Meu caso é sério
Não há sensatez
Talvez seja ilusão do destino
Ter eu que esperar tanto
Quem sabe eu deva seguir
Para não cair em pranto
Ou quem sabe meu foco deva ser outro
Ou quem sabe meu foco seja esse
Não sou bom com decisões
Meu coração impera
Isso sempre acontece
Minha razão não persevera
Mas as emoções são passageiras
Um turbilhão de transformações
Será necessário controlá-las
Ou serão de fato ilusões?
Eu espero
Um dia, com certeza
Uma semana, sim
Um mês, eu já não sei
Mais que isso, eu não esperarei!
Eu peço rapidez
Meu caso é sério
Não há sensatez
Talvez seja ilusão do destino
Ter eu que esperar tanto
Quem sabe eu deva seguir
Para não cair em pranto
Ou quem sabe meu foco deva ser outro
Ou quem sabe meu foco seja esse
Não sou bom com decisões
Meu coração impera
Isso sempre acontece
Minha razão não persevera
Mas as emoções são passageiras
Um turbilhão de transformações
Será necessário controlá-las
Ou serão de fato ilusões?
Eu espero
Um dia, com certeza
Uma semana, sim
Um mês, eu já não sei
Mais que isso, eu não esperarei!
Canta para mim
Bate coração
Meu coração não para de bater.
Isso é normal?
Bater rápido e profundo...
Normal só em alguns casos!
Isso é normal?
Bater rápido e profundo...
Normal só em alguns casos!
domingo, 7 de agosto de 2011
Viva!
O amor pode ser cura ou adoecimento, vida ou morte, alegria ou dor. Sua natureza depende de quem ama, de quem é amado e sob quais circunstâncias ele ocorre. Mas amar jamais será algo ruim, que cause arrependimento. Sentir-se ligado a alguém faz parte daquilo que precisamos vivenciar para alcançar nosso próprio autoconhecimento e atingir o mais importante de todos os amores: o de si próprio. Por isso, nunca se arrependa de amar, mas dos amores que você nunca cultivou por ter medo do que poderia acontecer. Ame. Viva!
Meu Amor
Há quem chame de paixão
Mas meu amor nasce rápido
Morre tarde
Vive intenso
É pleno
Meu amor pede posse
Mas dá liberdade - a mim e a quem amo
Meu amor pede-te por completo
Mas dá partes de mim - antes ocultas
Não te peço tudo
Mas também não quero nada
Fique do meu lado
Só quero sentir teu corpo
Teu cheiro, tua pele
Isso me basta.
Quero-te. Amo-te.
Exista, seja feliz, esteja feliz, e feliz serei e estarei também!
Vida
Não importa o que se pensa
Não importa o que se sente
Importa o que se vive.
Viver, viver, viver
Ser feliz e entregar seu corpo, alma
Entregar-se para si
E para todos
Para ninguém
Para tudo.
Viver.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Filosofia
Como ser tão forte e tão fraco ao mesmo tempo?
Desafia-me compreender isso como algo que representa a natureza humana.
Ou a natureza é paradoxal, ou pareço o que não sou - a mim mesmo.
Como aceitar que o outro sabe mais sobre mim do que eu próprio?
Desafia-me compreender isso como algo que representa o autoconhecimento humano.
Ou o autoconhecimento é repleto de incertezas, ou os outros sabem mais sobre mim do que eu mesmo.
Como compreender o motivo do tempo mudar tão drasticamente as pessoas?
Desafia-me compreender isso como algo que representa a história humana.
Ou a história é um caminho sem destino, ou o caminho em nada faz sentido palpável ao intelecto do homem perante o destino.
Surpreende-me que filosofar pareça tão penoso aos outros, enquanto que para mim complete a existência e preencha um vazio que naturalmente humano é.
Resigno-me em privar a mim minhas divagações para que os outros não me vejam como solitário, triste e egocêntrico. Isso porque a filosofia geralmente me apetece quando me sinto sozinho, com tristeza e egocentrismo - as dúvidas geralmente surgem quando somos confrontados com verdades incompreensíveis -, mas de maneira nenhuma representa meu eu como um todo. Um momento não deve definir uma existência, por mais que um curto período como esse de fato possa influenciar todo o resto da vida.
Filosofo. Calo-me. Adentro em mim mesmo e guardo para mim minhas conquistas.
Há momentos em que melhor é ser individualista, a prejudicar os outros com suas boas intenções.
Os sentidos e as relações
A língua empedrecida pela razão cala;
A língua solta fala.
A orelha entupida pela vaidade e pelo orgulho ensurdece;
A orelha aberta ouve.
Os olhos vendados pela ignorância e pelo desprezo cega;
Os olhos descobertos veem.
Línguas, orelhas e olhos livres podem ser prejudiciais ao outro e a si, mas a liberdade e a verdade não iludem, não diminuem as pessoas. Se em todos os momentos fossem libertos das amarras de nossa fraca moral, como seriam as relações humanas? Haveria?
domingo, 24 de julho de 2011
Quero-te, quero-me perto.
Fiquei triste quando soube que você ia para longe. Eu sei que parte de mim você tornou-se parte, e de uma maneira especial, já que tudo e todos os quais fazem parte do seu passado, presente e futuro fazem parte do seu eu.
E, assim, fico perdido, sem saber onde me encontrar, pois não sei onde encontrar você. Como caminhar sem os pés, ou falar sem a língua, olhar sem os olhos, escrever sem as mãos?
Algo falta na minha vida. E você, que tão pouco perto chegou, já longe está, parece ser isso que me faz falta.
Onde posso te encontrar? Eu quero me encontrar.
E, assim, fico perdido, sem saber onde me encontrar, pois não sei onde encontrar você. Como caminhar sem os pés, ou falar sem a língua, olhar sem os olhos, escrever sem as mãos?
Algo falta na minha vida. E você, que tão pouco perto chegou, já longe está, parece ser isso que me faz falta.
Onde posso te encontrar? Eu quero me encontrar.
Apaixonado
O coração bate forte, seco, doce;
Um nó entala na garganta;
E um frio irradia pela barriga.
Queda, paixão, amor
- Falta de amor próprio,
Excesso de ilusões.
Um nó entala na garganta;
E um frio irradia pela barriga.
Queda, paixão, amor
- Falta de amor próprio,
Excesso de ilusões.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Limiar entre o real e o surreal
Filme: Sucker Punch (2011, Ação, Suspense, Fantasia)
Qualidade: Fantástico!

"Quem honra aqueles que amamos pela vida que vivemos?
Quem envia monstros para nos matar?
E, ao mesmo tempo, canções que nunca vão morrer.
Quem nos ensina o que é real e como rir das mentiras?
Quem decide quem vai viver ou morrer defendendo?
Quem nos acorrenta? E quem tem a chave para a nossa liberdade?
Você.
Você tem todas as armas que precisa.
Agora, lute!"
Essa citação final do filme resume toda sua qualidade.
Como dou-me o direito de dizer, um filme que não é para qualquer pessoa.
O interessante dele não é a beleza das atrizes, tampouco as cenas de luta - mas, sim, o surrealismo que se funde com a realidade com tamanha qualidade que eu, toda vez que vejo esse filme, fico sem palavras e com um aperto no coração.
O que faria você, uma mulher jovem, quando logo após a morte de sua mãe seu padrasto tenta molestar sua irmã menor e para defendê-la atira contra ela sem querer - matando-a -, na tentativa de acertar o molestador?
Diante disso, a internação em uma clínica psiquiátrica (ambientada nos anos 50, como então manicômio) - articulada pelo padrasto - exige a percepção de mundos surreais dentro da própria mente para não fugir da própria realidade, mas alcançar um futuro nela própria. De repente, o manicômio sai de foco e passa-se a ver aquela mulher, Baby Doll, em uma espécie de bordel, em que as internas realizam shows de dança para a elite da cidade e Baby consegue conquistar a todos com sua dança. E já não bastasse esse mundo surreal, quando ela dança um novo surge e a cada vez que dança atinge uma experiência surreal diferente.
Surge uma espécie de aventura, surreal - mas, como falei, sempre articulada com a realidade - em que o objetivo é a liberdade e, para isso, ela terá de conquistar alguns objetos e, por fim, um elemento especial, chave no filme e que dá no final toda a sua graça - merecida.
(spoiler, atenção!) Toda essa experiência real em conexão ao surreal permite à Baby Doll aceitar sua condição e dar liberdade não a si, mas a uma colega interna. Isso, pois, na verdade a história não é dela, mas da colega Sweet Pea, que tem uma família, tem uma história a completar, diferente da Baby, órfã e sem perspectiva própria. E, pensando bem, a liberdade de Sweet é sua própria liberdade, com a lobotomia. Como viver depois de tanta desgraça? Fugir? Não. Encontrar uma nova realidade, no surreal.
Maravilhoso, fantástico.
Um dos maiores mistérios e graça da mente humana é o sonho e a breve percepção a qual possuímos das outras dimensões do nosso pensamento e de nossa existência. Muito provavelmente sem essa intenção e conotação, mas com total sucesso esse filme alcança uma compreensão interessante do paralelismo e da interconexão entre essas dimensões e ao menos a mim permitiu uma grande reflexão sobre a existência.
Engraçado, pois não era isso que o filme prometia, ainda mais com esse pôster, de mulheres bonitas e gostosas, e luta, guerra.
Ele é, de fato, muito mais que isso. Faz-me questionar os limites, o limiar entre o real e o surreal.
Qualidade: Fantástico!

"Quem honra aqueles que amamos pela vida que vivemos?
Quem envia monstros para nos matar?
E, ao mesmo tempo, canções que nunca vão morrer.
Quem nos ensina o que é real e como rir das mentiras?
Quem decide quem vai viver ou morrer defendendo?
Quem nos acorrenta? E quem tem a chave para a nossa liberdade?
Você.
Você tem todas as armas que precisa.
Agora, lute!"
Essa citação final do filme resume toda sua qualidade.
Como dou-me o direito de dizer, um filme que não é para qualquer pessoa.
O interessante dele não é a beleza das atrizes, tampouco as cenas de luta - mas, sim, o surrealismo que se funde com a realidade com tamanha qualidade que eu, toda vez que vejo esse filme, fico sem palavras e com um aperto no coração.
O que faria você, uma mulher jovem, quando logo após a morte de sua mãe seu padrasto tenta molestar sua irmã menor e para defendê-la atira contra ela sem querer - matando-a -, na tentativa de acertar o molestador?
Diante disso, a internação em uma clínica psiquiátrica (ambientada nos anos 50, como então manicômio) - articulada pelo padrasto - exige a percepção de mundos surreais dentro da própria mente para não fugir da própria realidade, mas alcançar um futuro nela própria. De repente, o manicômio sai de foco e passa-se a ver aquela mulher, Baby Doll, em uma espécie de bordel, em que as internas realizam shows de dança para a elite da cidade e Baby consegue conquistar a todos com sua dança. E já não bastasse esse mundo surreal, quando ela dança um novo surge e a cada vez que dança atinge uma experiência surreal diferente.
Surge uma espécie de aventura, surreal - mas, como falei, sempre articulada com a realidade - em que o objetivo é a liberdade e, para isso, ela terá de conquistar alguns objetos e, por fim, um elemento especial, chave no filme e que dá no final toda a sua graça - merecida.
(spoiler, atenção!) Toda essa experiência real em conexão ao surreal permite à Baby Doll aceitar sua condição e dar liberdade não a si, mas a uma colega interna. Isso, pois, na verdade a história não é dela, mas da colega Sweet Pea, que tem uma família, tem uma história a completar, diferente da Baby, órfã e sem perspectiva própria. E, pensando bem, a liberdade de Sweet é sua própria liberdade, com a lobotomia. Como viver depois de tanta desgraça? Fugir? Não. Encontrar uma nova realidade, no surreal.
Maravilhoso, fantástico.
Um dos maiores mistérios e graça da mente humana é o sonho e a breve percepção a qual possuímos das outras dimensões do nosso pensamento e de nossa existência. Muito provavelmente sem essa intenção e conotação, mas com total sucesso esse filme alcança uma compreensão interessante do paralelismo e da interconexão entre essas dimensões e ao menos a mim permitiu uma grande reflexão sobre a existência.
Engraçado, pois não era isso que o filme prometia, ainda mais com esse pôster, de mulheres bonitas e gostosas, e luta, guerra.
Ele é, de fato, muito mais que isso. Faz-me questionar os limites, o limiar entre o real e o surreal.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Eu sou, não finjo ser
Eu queria saber ser como os outros.
Mas não seria quem eu realmente sou.
E talvez assim fosse mais infeliz quanto já tenho sido.
Melhor, portanto, viver como sou a fingir viver como gostaria de ser.
Mas não seria quem eu realmente sou.
E talvez assim fosse mais infeliz quanto já tenho sido.
Melhor, portanto, viver como sou a fingir viver como gostaria de ser.
Sorte de viver contigo
Eu gostaria de querer meu coração só para mim.
Mas algo aqui dentro sempre pede, deseja, ordena que eu dê meu coração a outrem.
Antes quisesse meu coração quem eu, com carinho, dou.
Mas parece que minha sina é que isso comigo nunca aconteça.
Como é triste ter algo tão enorme e valioso para dar
- E ninguém querer aceitar com igual afeto.
Como é triste ter coisas outras tão fúteis, para uns atrativas
- E somente por essas meus amores se interessarem.
Quando me olho no espelho não vejo beleza, poder.
Vejo, pois, carinho, amor, afeto, dedicação.
Por que há de os outros se interessarem por algo que não me importa se é agradável ou não; conquanto desejem o que há aqui dentro do meu peito, manifesto em meu carinhoso olhar, satisfeito sorriso, mãos afetuosas, abraço apertado, beijo inesquecível - alguém para amar, por completo?
Por isso digo que não valho por uma noite.
Sou daqueles que só fazem sentido e só se tornam valiosos quando há tempo de relacionamento.
Por que, então, só me querem por uma noite?
Hei de viver sempre nessa sina
- Ou morrer sozinho, sem ninguém, sem emoção - tampouco razão.
Mas viver assim não é viver.
Então prefiro continuar minha busca...
Dar amor a todo aquele que com carinho meu coração sentir desejo.
E se a sorte me for dada a achar alguém que me ame tanto quanto eu o faço
- Que eu viva acompanhado, contigo, com emoção - e razão, e muito, muito amor.
Mas algo aqui dentro sempre pede, deseja, ordena que eu dê meu coração a outrem.
Antes quisesse meu coração quem eu, com carinho, dou.
Mas parece que minha sina é que isso comigo nunca aconteça.
Como é triste ter algo tão enorme e valioso para dar
- E ninguém querer aceitar com igual afeto.
Como é triste ter coisas outras tão fúteis, para uns atrativas
- E somente por essas meus amores se interessarem.
Quando me olho no espelho não vejo beleza, poder.
Vejo, pois, carinho, amor, afeto, dedicação.
Por que há de os outros se interessarem por algo que não me importa se é agradável ou não; conquanto desejem o que há aqui dentro do meu peito, manifesto em meu carinhoso olhar, satisfeito sorriso, mãos afetuosas, abraço apertado, beijo inesquecível - alguém para amar, por completo?
Por isso digo que não valho por uma noite.
Sou daqueles que só fazem sentido e só se tornam valiosos quando há tempo de relacionamento.
Por que, então, só me querem por uma noite?
Hei de viver sempre nessa sina
- Ou morrer sozinho, sem ninguém, sem emoção - tampouco razão.
Mas viver assim não é viver.
Então prefiro continuar minha busca...
Dar amor a todo aquele que com carinho meu coração sentir desejo.
E se a sorte me for dada a achar alguém que me ame tanto quanto eu o faço
- Que eu viva acompanhado, contigo, com emoção - e razão, e muito, muito amor.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Coração
Nunca entregue seu coração a alguém.
Só se dá devido valor ao que é seu, então cuide vc bem dele.
Só se dá devido valor ao que é seu, então cuide vc bem dele.
domingo, 22 de maio de 2011
Paradoxo de viver
Como pode coexistir tanta ingenuidade e inocência e amor e sentimentos num ser totalmente cético, frio, desamado e sem sentimentos?
Talvez o paradoxo seja um desafio imposto à vida de algumas pessoas, talvez uma motivação de viver.
Talvez não.
Viver, simplesmente viver. Para que questionar tanto?
Basta viver.
Talvez o paradoxo seja um desafio imposto à vida de algumas pessoas, talvez uma motivação de viver.
Talvez não.
Viver, simplesmente viver. Para que questionar tanto?
Basta viver.
sábado, 14 de maio de 2011
Macacada? Cuidado, a sociedade pode sair ferida!
Já vivenciei várias macacadas na minha vida - pasmem - em reuniões formais. De repente, um indivíduo solta uma frase bonita, todos se excitam, começam a aplaudir - mesmo que a frase de tão bonita não representasse nada coerente com o momento, muitas vezes sequer com o que aprova a boa educação. Essa mesma pessoa se entusiasma e na próxima reunião aumenta ainda mais a dose da graça e, aos poucos, consegue o poder de persuadir as outras pessoas a acharem graça e razão naquilo que ele fala. Chega uma hora que a graça se perde e as pessoas passam realmente a acreditar e vangloriar as asneiras que o asno em corpo de pessoa fala e assim um grupo de humanos - em uma reunião formal - torna-se um bando de macacos macaqueando. Seu líder, pouco inteligente mas muito esperto, conquista a plateia e, poderoso, ninguém mais o contesta.
Os resultados dessas macacadas já foram os mais diversos. Eu nunca fiquei para acompanhar diretamente o que acontecia, pois não gosto de me fazer de macaco - prezo pela humanidade. Mas fiquei sabendo por colegas - muitos que ficavam só para ver o que acontecia - que as consequências nem sempre foram as melhores. Por sorte, uma vez ou outra esses líderes-macacos eram suprimidos pela inteligência dos grupos, mas pouco isso ocorreu - até porque inteligência é algo em extinção na humanidade (alguém anda inventando fogo, construindo pirâmides, compondo uma biblioteca à Alexandria ultimamente?).

Recentemente, venho acompanhando a trajetória de um político chamado Jair Bolsonaro - Sr. Excelentíssimo Macaco Jair Bolsonaro. Esse Sr., que de excelentíssimo só ganha em título por ser um legislador, está conquistando uma multidão de macacos com sua falácia sobre a "heterofobia". Sinceramente, nunca vi ninguém criticar ou coibir alguém por ser heterossexual - e olha que, desculpe-me o chavão, eu já vi bastante coisa nessa curta vida -, então como um macaco desses consegue conquistar tanto a macacada? Posando de macho-rei, conquista a graça da plateia com seus absurdos. Pergunto: quem o contesta? Só as pessoas sérias, porque o resto acha graça! Convenhamos até que brasileiro acha graça em tudo, né...
Em contraponto, não são poucas as situações que vivenciei e ouvi relatarem sobre homossexuais e bissexuais os quais eram profundamente ofendidos, rejeitados pela sociedade. Têm todo o direito de exigir respeito, como qualquer ser humano há de ter. Aquela senadora que deu um tapa nas mãos do Bolsonaro o fez em um gesto de desespero. Creio eu em ver um macaco desses falando tanta asneira, o povo rindo e a seriedade, a humanidade, o desenvolvimento sendo esquecido.
Agora, fico me perguntando: por que será que certas instituições sociais e grupos políticos têm tanto medo em dar respeito aos homossexuais e suas derivações? A Igreja, por exemplo, se sua pregação fosse tão boa, correta e vontade de D-us não precisaria proibir que a diversidade existisse. Esse é o problema: a sociedade tem medo de que as pessoas sejam livres para ser quem é. Líderes e grupos dominantes os quais passaram toda sua vida enrustindo-se de máscaras e vivendo por coisas inúteis e materiais querem que os outros também sejam assim. O homossexual tem que se "ajeitar", casar, ter filhos - se separar da esposa e fugir com outro homem para algum paraíso perdido -, tem que se suicidar - geralmente isso ocorre em crianças e adolescentes, pois ainda não tem noção da sua capacidade de se impor ao mundo -, tem que ser morto - alguém realmente acredita que o nazismo morreu com Hitler? Olha o Bolsonaro aí... - ou mesmo não precisa nem fingir ser hetero, mas ao menos não ficar com nenhum menininho - viu, filho? Papai não se importa, só seja discreto.

Eu já percebi há muito tempo as hipocrisias dessa sociedade e não me espanto mais com situações como essa. Olha, para falar a verdade, eu me espanto sim. Sério, como podem dar plateia para esse macaco Bolsonaro? Ninguém teve na escola a disciplina história, sobre a expansão das ditaduras na Europa que antecederam a segunda guerra? Hitler era um macaco! Raça ariana? Pureza racial? Superioridade racial? Olha quanta asneira! E muito tempo as pessoas ficaram rindo desse macaco, mas depois passaram a macaquear também e certo dia a graça virou razão e surgiram seus exércitos de civis, que sustentaram-no no poder e deu margem à ditadura que foi motivo para uma GUERRA MUNDIAL.
Vejam as consequências de rir de certas coisas que não tem - nem devem ter - graça. Não sei onde vai parar esse Bolsonaro, e espero realmente que alguma mulher - homem, gay, quem for - corajosa e valente como foi aquela senadora que conferiu um tapa a esse macaco - dando por conseguinte um tapa na cara da sociedade, na tentativa de acordá-la dessa primitividade - consiga parar esse homem e o que ele representa. E que a sociedade como um todo reconheça que todos devem ser livres para ser, falar, fazer o que quiserem - DESDE QUE RESPEITEM O PRÓXIMO (por isso não me venha com essa falácia de heterofobia, que esse papo é de neonazista brincando com trouxas).
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Minha casa
Eu estava com pressa. Ainda preso no trânsito, há meia hora do consultório, tinha uma tarde completa de consultas a atender. Ser médico é recompensador, não pelo salário - bom em relação a outras profissões, mas ainda insuficiente -, mas pela oportunidade de transformar lágrimas em sorrisos. Todavia, a rotina não é fácil, a cobrança é alta e nem sempre o que temos ao final de uma consulta ou ao final de um dia é só sorrisos.
E eu não estava num dia bom. Chovia, aquele tempo nublado nublava minhas emoções também e a fumaça dos carros acinzentava ainda mais meu mundo. Minha vida era pura cinza.
Anos e anos dedicados aos outros e esqueci-me de mim mesmo. Não sou infeliz, já que imagino ter muita gente sofrendo muito mais que eu por esse mundo afora.
Desisti de ir ao consultório. Dei o sinal, peguei uma rua que me levava para longe desse tumulto de carros e fui para casa. Liguei para a secretária avisando que não poderia atender os pacientes e ela me perguntava, mas Doutor, o que eu vou dizer para os pacientes, e eu respondia que era para falar a verdade, dizer que eu não me sentia bem para atender naquele momento e que atenderia essas pessoas assim que possível. Mas Doutor, os pacientes vão ficar bravos, eu vou dizer que o senhor terá de fazer uma cirurgia de emergência e que em virtude disso não poderá atender! Não minta, não minha, eu disse e me despedi. Certo, não é justo que minha companheira de trabalho tenha de assumir as consequências das minhas falhas, mas também não seria justo mentir e manipular as pessoas as quais tenho tanto carinho, que são meus pacientes.
Eu não queria saber de mais nada. Eu queria me deitar, dormir e acordar só quando estivesse em paz e animado novamente. Mas quando fui me deitar na cama, senti algo sob meu corpo - era uma revista, provavelmente deixada pela minha mãe quando me fez uma visita, ou pela empregada. Uma revista com a capa preenchida por uma casa de campo.
Fechei os olhos ao me deitar e eu estava na fazenda. Não estava sozinho, tinha companheiros que me ajudavam no plantio das hortaliças e frutas, outros que me ajudavam a criar os animais. Minha casa era modesta, de madeira. Simples, mas completa e suficiente. Bonita às minhas vistas, e isso que importa.
Eu estava onde queria estar, livre, feliz. Estava na minha casa, na minha fazenda.
O cheiro do mato, o leve vento carregando-o, os pés na terra, o Sol. O Sol. Enorme, branco, amarelo, muito mais sadio aqui na fazenda, vivo, não vejo mais nada. Eu me deito na grama, na terra e não penso em mais nada, não importa o tempo, não importam os outros - eu estou em casa, na minha casa.
E eu não estava num dia bom. Chovia, aquele tempo nublado nublava minhas emoções também e a fumaça dos carros acinzentava ainda mais meu mundo. Minha vida era pura cinza.
Anos e anos dedicados aos outros e esqueci-me de mim mesmo. Não sou infeliz, já que imagino ter muita gente sofrendo muito mais que eu por esse mundo afora.
Desisti de ir ao consultório. Dei o sinal, peguei uma rua que me levava para longe desse tumulto de carros e fui para casa. Liguei para a secretária avisando que não poderia atender os pacientes e ela me perguntava, mas Doutor, o que eu vou dizer para os pacientes, e eu respondia que era para falar a verdade, dizer que eu não me sentia bem para atender naquele momento e que atenderia essas pessoas assim que possível. Mas Doutor, os pacientes vão ficar bravos, eu vou dizer que o senhor terá de fazer uma cirurgia de emergência e que em virtude disso não poderá atender! Não minta, não minha, eu disse e me despedi. Certo, não é justo que minha companheira de trabalho tenha de assumir as consequências das minhas falhas, mas também não seria justo mentir e manipular as pessoas as quais tenho tanto carinho, que são meus pacientes.
Eu não queria saber de mais nada. Eu queria me deitar, dormir e acordar só quando estivesse em paz e animado novamente. Mas quando fui me deitar na cama, senti algo sob meu corpo - era uma revista, provavelmente deixada pela minha mãe quando me fez uma visita, ou pela empregada. Uma revista com a capa preenchida por uma casa de campo.
Fechei os olhos ao me deitar e eu estava na fazenda. Não estava sozinho, tinha companheiros que me ajudavam no plantio das hortaliças e frutas, outros que me ajudavam a criar os animais. Minha casa era modesta, de madeira. Simples, mas completa e suficiente. Bonita às minhas vistas, e isso que importa.
Eu estava onde queria estar, livre, feliz. Estava na minha casa, na minha fazenda.
O cheiro do mato, o leve vento carregando-o, os pés na terra, o Sol. O Sol. Enorme, branco, amarelo, muito mais sadio aqui na fazenda, vivo, não vejo mais nada. Eu me deito na grama, na terra e não penso em mais nada, não importa o tempo, não importam os outros - eu estou em casa, na minha casa.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Arte
Por força de hábito, quase começo essa crônica com "Certo dia...", já que é o que me vem à cabeça quando penso em escrever esse tipo de texto. No entanto, é com muito maior frequência que "um certo dia" que, andando pela rua, ou mesmo trancafiado em uma sala, ou sentado no ônibus, ou distraído na biblioteca universitária, simplesmente, da situação em que me encontro, surge na minha mente uma ideia ou um questionamento o qual me faz pensar "nossa, que vontade de escrever sobre isso!".
Alguns momentos da vida permitem que eu consiga satisfazer esse desejo, como ocorreu com aquela crônica do sapato, mas saiba: a vida acadêmica de um estudante de medicina propicia um curto tempo livre, no qual se pode fazer as coisas as quais gosta. No entanto, meu maior prazer é dormir. O segundo, ficar no computador - mesmo sem fazer nada, mas ficar na frente dele. O terceiro, ler. Por fim, escrever.
Não é à toa, portanto, que fico durante o ano letivo tanto tempo sem escrever no meu blog - tanto tempo sem cultivar minha imaginação, satisfazer meus desejos por histórias, mundos, criações que singelas brotam na minha mente e eu, na melhor das intenções, tento colocá-las em letras, palavras, frases conexas e instigantes nos textos os quais escrevo.
Por isso escrevo agora essa crônica, a qual representa mais que eu conseguir arranjar um tempo livre dedicado à escrita; representa, pois, minha necessidade em transcrever um questionamento: onde vai parar tanta criação não escrita, ou não pintada, ou não cantada - tanta arte que não se efetivou?
Minha mente é cruel. Quando imediatamente não utilizo a inspiração criativa e imaginativa que tive para transcrever, ela me faz esquecer a ideia. Não importa quanto tempo eu aguente repetindo palavras-chave que possam me fazer lembrar da inspiração, simplesmente esqueço.
Mas tudo nesse universo é tão perfeito e tão conexo que não consigo acreditar na possibilidade de que essas inspirações, pré-criações, simplesmente são descartadas no vazio. Já disse um sábio que "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", e eu me indago: será que essas ideias artísticas realmente não se perdem, e acabam por se transformar? Ora, neste caso, no que se transformariam?
Pois eu já imagino um outro mundo, o qual foge à nossa visão e demais sentidos, no qual as ideias simplesmente fluem, vagando por entre as pessoas e, quando as pessoas sintonizam-nas mentalmente por algum motivo, ocorre a inspiração e aquela vontade conhecida dos artistas em escrever, pintar, cantar. Todavia, quando não escrevem, pintam ou cantam, e a sintonia se desfaz, as ideias simplesmente voltam a fluir longe da mente de quem as pensou, supostamente torcendo para que outra pessoa sintonize-a novamente e de fato a transforme-a no que toda inspiração deve se tornar: arte.
Tanta metafísica e especulações há nesse mundo que meu único alívio nesse momento é ter escrito essa crônica e satisfeito minha vontade de escrever, e concretizado minha inspiração. Não importa se se eu não escrevesse a ideia iria para o nada, ou para esse mundo de pré-criações que fluem de mente em mente, pois para essa inspiração eu dei o destino que merece: arte.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Morte e Vida
Eu caminhava por uma rua escura, sob pedras rigorosamente polidas e encaixadas, somente separadas por uma regular faixa de areia. Não sabia exatamente o porquê de estar ali, mas na vida tudo tem um motivo e eu, sabendo-o ou não, deveria prosseguir caminhando.
Não lembro minha história, a não ser do meu primeiro passo nessa rua, escura e assustadora. Procuro entender por que não sinto meu coração bater - mesmo sabendo que natural é não perceber as batidas -, mas só o fato de eu procurar entender essa situação já envolve uma motivação dentro ou além da minha compreensão.
Meus pés, descalços, em uma das únicas vezes na vida sentem o chão quente sem fazer calor do Sol - estava eu banhando-me na luz da Lua nesse caminhar sem rumo -, o que me fez pensar que de fato estava eu frio, e a mão no meu peito, seguida da mão no meu pescoço, e no meu punho me confirmava que não havia pulsação. Tudo parava, tudo tão frio, sombrio e inanimado.
Mas eu caminhava, e nas casas ainda havia a luz nas varandas, e na rua havia o andar dos bêbados, e no bar o murmúrio dos alcoolistas. Que acontece quando tudo parece estar tão morto quando se sabe que ainda há vida ao seu redor? Morto. A morte me acometera.
A chuva denuncia que vendo-a sinto em minha pele - já que minha consciência está condicionada a sentir a gota vendo-a caindo em meu corpo. Ainda por isso sei que a palidez das minhas mãos, o roxo infiltrando-se na minha fina camada de pele, não é frio, nem escuro, tampouco coisa da minha cabeça - é, pois, a morte adentrando em minha consciência.
Mas diz o orador que caminhar é preciso, e eu não posso parar. Mesmo morto na realidade na qual estava habituado, a vida persistiu de uma outra forma. De fato, não me abalo pelo sangue seco no meu abdome, com uma ferida que não cicatrizou e sabe D-us se minha consciência permitirá que cicatrize.
O dia amanhece e aí sim tenho a certeza de que morte não é morte, e mesmo sobre ela existe a vida. Sou eu de novo vivo, de cor não mais pálida, de pele não mais roxa, de pulsos agora latentes - o dia está claro, e minha alma renasceu para a vida nessa nova realidade. Meu passado pouco importa agora, pois sei que meu futuro está em minha frente, no rumo do horizonte tão belo que me ponho a observar nesse momento, roxo, vermelho, laranja, amarelo, vivo, vida, mesmo na morte.
Não lembro minha história, a não ser do meu primeiro passo nessa rua, escura e assustadora. Procuro entender por que não sinto meu coração bater - mesmo sabendo que natural é não perceber as batidas -, mas só o fato de eu procurar entender essa situação já envolve uma motivação dentro ou além da minha compreensão.
Meus pés, descalços, em uma das únicas vezes na vida sentem o chão quente sem fazer calor do Sol - estava eu banhando-me na luz da Lua nesse caminhar sem rumo -, o que me fez pensar que de fato estava eu frio, e a mão no meu peito, seguida da mão no meu pescoço, e no meu punho me confirmava que não havia pulsação. Tudo parava, tudo tão frio, sombrio e inanimado.
Mas eu caminhava, e nas casas ainda havia a luz nas varandas, e na rua havia o andar dos bêbados, e no bar o murmúrio dos alcoolistas. Que acontece quando tudo parece estar tão morto quando se sabe que ainda há vida ao seu redor? Morto. A morte me acometera.
A chuva denuncia que vendo-a sinto em minha pele - já que minha consciência está condicionada a sentir a gota vendo-a caindo em meu corpo. Ainda por isso sei que a palidez das minhas mãos, o roxo infiltrando-se na minha fina camada de pele, não é frio, nem escuro, tampouco coisa da minha cabeça - é, pois, a morte adentrando em minha consciência.
Mas diz o orador que caminhar é preciso, e eu não posso parar. Mesmo morto na realidade na qual estava habituado, a vida persistiu de uma outra forma. De fato, não me abalo pelo sangue seco no meu abdome, com uma ferida que não cicatrizou e sabe D-us se minha consciência permitirá que cicatrize.
O dia amanhece e aí sim tenho a certeza de que morte não é morte, e mesmo sobre ela existe a vida. Sou eu de novo vivo, de cor não mais pálida, de pele não mais roxa, de pulsos agora latentes - o dia está claro, e minha alma renasceu para a vida nessa nova realidade. Meu passado pouco importa agora, pois sei que meu futuro está em minha frente, no rumo do horizonte tão belo que me ponho a observar nesse momento, roxo, vermelho, laranja, amarelo, vivo, vida, mesmo na morte.
Um sapato, um mistério
Um sapato jogado na rua. Não um par, mas uma simples unidade de sapato. Poderia ser de uma menina que fugia de um desses malandros atualmente comuns nas grandes cidades, ou mesmo de uma velha senhora que o abandonou por machucar seu pé. Um sapato que fatalmente se suicidou do décimo andar do prédio ali perto, ou aquele que a esposa joga para fora do carro ao encontrá-lo no carro do marido sabendo que ele não é seu. Um sapato, simples sapato, abandonado no meio da rua. Sua história, por mais curiosa que possa ser, incógnita é e misteriosa será, até que seu dono venha pegá-lo de volta ou que o lixeiro enterre a esperança dos interessados jogando-o no lixo comum. Ele estava ali por algum motivo e, por mais ou menos incrível que pareça, continuará ou não ali por um propósito do qual poucas pessoas (quem sabe nenhuma) seja capaz de entender. Como o mundo surgiu? Qual o futuro da humanidade? Quem sou eu? Qual a história desse sapato ali, abandonado? Mistérios que frustram alguns, mas alimentam a imaginação dos escritores e dos sonhadores - obrigado D-us por eu não saber de tudo, já que a vida se torna muito mais interessante assim.
Eu
As luzes piscam e quando olho para o alto não vejo um céu azul, tampouco o arco-íris colorido - vejo múltiplas cores estampadas nesse teto escuro, refletidas na fumaça do ambiente. Toca uma música agitada e meus músculos se recusam em permanecer parados, têm de se mover. Não importa o quanto apertado no meio dessa gente eu esteja, já que a música não para, meu corpo não sossega, minha alma anseia por liberdade. O som, a dança, tudo liberta a alma e traz o êxtase em estar livre, nem que seja só por um segundo, um minuto, ou mesmo que seja uma hora ou um dia. Livre, feliz, humano - eu mesmo.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Ironia, sarcasmo e fantasia
Livro: SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
ISBN: 978-85-378-0239-7
Faixa de Preço: R$35,00
Qualidade: Fantástico!

Quem diria que eu conheceria o Nobel da Literatura justo por uma indicação de leitura da faculdade... Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago, é um livro extraordinário. Aborda ética, comportamento, fantasia, Medicina, tudo - tudo mesmo - e com uma qualidade que antes eu poucas vezes havia visto.
Tudo começa quando um motorista para no trânsito no sinal verde. Podia estar desatento, à revelia, ou até mesmo morto. Mas estava cego - de uma cegueira branca (e não negra, como deduziria-se naturalmente). A partir daí desenvolvem-se diversas situações interessantes, de maneira que o mundo torna-se cego, exceto por uma mulher. Eu, particularmente, diria mais que uma mulher. Só lendo para compreender plenamente a servidão, ética e compaixão que a esposa do médico tinha...
Percebe-se com essa personagem que muitas vezes o que parece ser um dom é, na verdade, uma responsabilidade. Enclausurados em um antigo manicômio um bando de cegos viveriam como - sem ter nenhuma adaptação estrutural, nada? Mas essa mulher resignadamente atende às necessidades dos que dela perto ficaram. E estabelece em si própria as contestações morais e existenciais sobre ajudar ou não o próximo.
A riqueza de detalhes e a maneira como escreve Saramago nos transporta mentalmente a essa história, como se fizéssemos parte dela. Eu vi o chão do manicômio coberto de excrementos, vi a cidade apocalíptica que descrevera, senti a dor e vergonha das mulheres estupradas para conseguir alimento, vivi essa história como se fizesse parte de algo meu. Poucos são os livros que despertam isso.
Por isso ele é fantástico! Lembra-me muito Machado de Assis, mas por ser mais recente permite uma maior proximidade com as situações descritas, de maneira que me envolvi muito mais com Saramago.
É um livro para quem está preparado para uma leitura densa, talvez pesarosa e repugnante em certos momentos, mas que recompensa na análise minuciosa das situações e pessoas com uma dose gostosa de ironia, sarcasmo e fantasia (não exagerada, ainda bem). Recomendo!
ISBN: 978-85-378-0239-7
Faixa de Preço: R$35,00
Qualidade: Fantástico!

Quem diria que eu conheceria o Nobel da Literatura justo por uma indicação de leitura da faculdade... Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago, é um livro extraordinário. Aborda ética, comportamento, fantasia, Medicina, tudo - tudo mesmo - e com uma qualidade que antes eu poucas vezes havia visto.
Tudo começa quando um motorista para no trânsito no sinal verde. Podia estar desatento, à revelia, ou até mesmo morto. Mas estava cego - de uma cegueira branca (e não negra, como deduziria-se naturalmente). A partir daí desenvolvem-se diversas situações interessantes, de maneira que o mundo torna-se cego, exceto por uma mulher. Eu, particularmente, diria mais que uma mulher. Só lendo para compreender plenamente a servidão, ética e compaixão que a esposa do médico tinha...
Percebe-se com essa personagem que muitas vezes o que parece ser um dom é, na verdade, uma responsabilidade. Enclausurados em um antigo manicômio um bando de cegos viveriam como - sem ter nenhuma adaptação estrutural, nada? Mas essa mulher resignadamente atende às necessidades dos que dela perto ficaram. E estabelece em si própria as contestações morais e existenciais sobre ajudar ou não o próximo.
A riqueza de detalhes e a maneira como escreve Saramago nos transporta mentalmente a essa história, como se fizéssemos parte dela. Eu vi o chão do manicômio coberto de excrementos, vi a cidade apocalíptica que descrevera, senti a dor e vergonha das mulheres estupradas para conseguir alimento, vivi essa história como se fizesse parte de algo meu. Poucos são os livros que despertam isso.
Por isso ele é fantástico! Lembra-me muito Machado de Assis, mas por ser mais recente permite uma maior proximidade com as situações descritas, de maneira que me envolvi muito mais com Saramago.
É um livro para quem está preparado para uma leitura densa, talvez pesarosa e repugnante em certos momentos, mas que recompensa na análise minuciosa das situações e pessoas com uma dose gostosa de ironia, sarcasmo e fantasia (não exagerada, ainda bem). Recomendo!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
House? Muito mais!
Livro: SANDERS, Lisa. Todo paciente tem uma história para contar. Rio de Janeiro: ZAHAR, 2010
ISBN: 978-85-378-0239-7
Faixa de Preço: R$30,00
Qualidade: Bom

Confesso: o que me levou a comprar esse livro foi o famoso logo "HOUSE" inscrito no topo de sua capa. Mesmo assim não havia me atraído entre os demais livros os quais comprara e ainda não havia lido (ou seja, aqueles os quais repousam na minha estante), mesmo após ter me aprofundado na disciplina da faculdade chamada Medicina Baseada em Narrativas, na qual compreendemos a importância da literatura e outras artes no ensino médico - digo isso porque o título da obra de alguma forma me remetia a ela. No entanto, após ler a obra (bem depois do término da cadeira MBN), muitas outras coisas me pareceram mais importantes e legais no livro do que simplesmente levar a logomarca de um seriado famoso, ou me recordar de uma disciplina interessante da faculdade.
Esse, de fato, é um bom livro. A autora utilizou muito bem a tradicional estrutura de apresentação de casos clínicos para o desenvolvimento de suas ideias, principalmente focadas na filosofia médica - assunto apagado, mas em ascensão na Medicina. Estrutura, aliás, pertinente à área, já que um livro puramente filosófico ou teórico demais não despertaria o interesse dos médicos e estudantes; embora já enraizada em experiências práticas tem motivada sua leitura. Traz opiniões das quais compartilho, como a importância do exame físico, a limitação tecnológica (por mais avançada que pareça ser) e os próprios limites do pensamento médico.
É realmente uma reflexão gostosa sobre a Medicina. Traça seu futuro com base em experiências passadas e presentes e lança-nos desafios importantes dessa forma. Apesar de seu aspecto House, com casos complexos e misteriosos, o livro fala da história do paciente, justo o que o personagem pouco dá atenção no seriado, mas que na Medicina exerce papel fundamental - e é alvo do meu amor à futura profissão na qual atuarei.
ISBN: 978-85-378-0239-7
Faixa de Preço: R$30,00
Qualidade: Bom
Confesso: o que me levou a comprar esse livro foi o famoso logo "HOUSE" inscrito no topo de sua capa. Mesmo assim não havia me atraído entre os demais livros os quais comprara e ainda não havia lido (ou seja, aqueles os quais repousam na minha estante), mesmo após ter me aprofundado na disciplina da faculdade chamada Medicina Baseada em Narrativas, na qual compreendemos a importância da literatura e outras artes no ensino médico - digo isso porque o título da obra de alguma forma me remetia a ela. No entanto, após ler a obra (bem depois do término da cadeira MBN), muitas outras coisas me pareceram mais importantes e legais no livro do que simplesmente levar a logomarca de um seriado famoso, ou me recordar de uma disciplina interessante da faculdade.
Esse, de fato, é um bom livro. A autora utilizou muito bem a tradicional estrutura de apresentação de casos clínicos para o desenvolvimento de suas ideias, principalmente focadas na filosofia médica - assunto apagado, mas em ascensão na Medicina. Estrutura, aliás, pertinente à área, já que um livro puramente filosófico ou teórico demais não despertaria o interesse dos médicos e estudantes; embora já enraizada em experiências práticas tem motivada sua leitura. Traz opiniões das quais compartilho, como a importância do exame físico, a limitação tecnológica (por mais avançada que pareça ser) e os próprios limites do pensamento médico.
É realmente uma reflexão gostosa sobre a Medicina. Traça seu futuro com base em experiências passadas e presentes e lança-nos desafios importantes dessa forma. Apesar de seu aspecto House, com casos complexos e misteriosos, o livro fala da história do paciente, justo o que o personagem pouco dá atenção no seriado, mas que na Medicina exerce papel fundamental - e é alvo do meu amor à futura profissão na qual atuarei.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Sonhos e Desejos
Meu peito sangrava, quando pequenos rios rubros reluzentes fluiam sobre meu abdome e alcançavam a terra, molhando-a e preenchendo-a de vida.
A terra, escura e sem vida, por muito inanimada submetia-se ao vento, à chuva, ao Sol e à Lua. Mas meu sangue deu-lhe vida. Infiltrou-se por entre seus grãos alcançando cada vez níveis mais baixos, passando por resíduos de pedras, até alcançar um diferente dos demais. Um grão tão escuro e aparentemente sem vida quanto os outros, mas que dentro de si carregava a chama do despertar. Era a semente, filha de uma bela árvore, que descansava sob a terra aguardando o fogo que despertaria em si a vida.
Eu estava caminhando rumo ao colégio em passos rápidos - como sempre - para não me atrasar. Incrível como a rapidez dos meus movimentos fora vencida tão rapidamente pela beleza de uma linda moça, que parou meu tempo. Não era uma beleza comum: era morena, olhos claros, cabelos pretos levemente ondulados e um sorriso tão aparentemente simples - mas tão gracioso. Não era a primeira, mas foi minha última paixão.
Fora ela houvera outras tão belas quanto. Todavia não me interessa o belo que os outros dizem ser - esse muito propagado pela mídia - mas a beleza interior que se expressa na exterior - isso porque não existe a carne sem a alma, tampouco a alma sem a carne: ambas se complementam e interagem entre si. E foi isso que parou meu tempo naquele momento.
Tão relativo é o tempo que da rapidez dos meus movimentos sucedeu a lentidão do meu olhar e esta fora sucedida também pelo retorno ao movimento. Pudera eu estender a lentidão e suplementá-la com meu desejo. A pele macia e quente daquela menina, seu cheiro suave e gostoso envolvendo-me num instante eterno. Sonhos e mais sonhos preencheram minha vida cobrindo-me tão somente de desejos.
Muito gostoso é desejar, mas de outras experiências que a vida me proporcionou sei dizer que muito melhor é poder concretizar um desejo. Os pensamentos, sustentados pela alma, carecem da realização carnal, pois nossa existência baseia-se nisso. Se vivêssemos só de sonhos e desejos, não viveríamos.
Por isso eu estou morrendo, com este punhal que alcançou meu peito pelas minhas próprias mãos e preenche meu corpo e alcança a terra com meu sangue. Depois de tantos sonhos não realizados, desejos não concretizados, meu corpo naturalmente manifestou a inquietação de minha própria alma: ver tanta beleza, sentir tanto carinho e tanto amor, e ao mesmo tempo não ter a coragem de simplesmente dizer um "oi" a uma bela menina, sucedido pelo "você é a mulher mais bonita que já vi" com toda sinceridade que um homem apaixonado pode dizer e complementado pelo beijo amoroso que somente um casal em completa harmonia consegue realizar.
Nada mais natural minha morte quando a vida para mim baseava-se somente em sonhos e desejos. Natural, pois, é que a vida - depois de criada - não se esvai, ela se transforma - mas permanece. Meu sangue, sem meu coração, meu cérebro, sem meu corpo por completo, por si só não vive, mas foi capaz de levar a vida àquela semente. E da semente brotou uma nova árvore, semelhante àquela que a originou.
Uma pequena muda cresceu contra a força da gravidade, encarando a resistência que o próprio ambiente fornece à vida, e de seu tronco saíram galhos, e estes se ramificaram, permitindo que brotassem de si folhas, embelezadas pelas flores da primavera e que abrigavam os doces frutos dessa bela árvore.
Tão doces e agradáveis ao paladar eram esses frutos que deles passou a se alimentar aquela bela moça pela qual havia me apaixonado. E tão forte era o tronco desta árvore e seus galhos tão vigorosos que forneciam a sombra para que minha amada passasse horas e horas amparada por essa estrutura.
Por isso o destino não é tão cruel quanto parece ser! Eu não só dei vida àquela semente, dando vigor a uma nova árvore, mas fiz parte dela, fusionei-me a essa outra existência. E assim, por mais que minha vida humana fora feita só de desejos e sonhos, enquanto árvore eu pude viver as realizações e "concretizações" deles. Horas e horas senti a pele macia e quente, envolvi-me da brisa com o suave e delicioso perfume de minha amada, e abri meus olhos: ela estava junto de mim - o destino não me privou da vida e eu gozei dela.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Renascer
Meu primeiro ato nesse mundo foi um berro. Uma tentativa recém-nascida de dizer ao mundo que a esperança seria renovada.
A infância é um período de muitas alegrias, no qual aprendi desde o andar, até o falar, acariciar, compreender, amar. E conheci também a dor, e a recompensa tida em superá-la.
Mas é inevitável, a sociedade, a vida, o mundo me encaminha para a inatividade, a desesperança, é como se um momento deixasse de existir, e o segundo, o minuto e a hora fossem transformando-se em dias, e os dias em meses, e os anos em décadas e, até onde isso iria?!
Perco a cada dia o valor dos instantes, e quanto mais cresço, menos pareço dar valor à importância de cada momento nessa vida...
E a vida é um milagre, criação da onipotência Divina...
Vou perdendo o amor a D’us, perdendo o amor pela vida!
É a monotonia do cinza a preencher o vazio criado pela inexistência humana na sociedade dos homens. E não é preto, nem branco, é cinza. O suficiente para você não desistir, seguir adiante, e o suficiente para você não ser feliz o bastante, não ter a esperança de avançar – a criação alcançar o Criador.
E a cada nascimento é uma nova esperança. É como se almas e almas pedissem pela salvação. Azul, verde, branco, amarelo, vermelho... Alegria! Amor! Paz! – D’us.
Como foi bom ter nascido, como foi bom ter sido criança! Eu cresci e passei pelo meu primeiro beijo, meu primeiro carinho e meu primeiro amor.
Senti o prazer da pele da amada encostada na minha, o calor, a energia... D’us!
E parecia ser um dia cinza qualquer... Como se fosse acontecer sempre, ou nunca mais.
Não foi um momento, foi nada, parece. Quando lembro dos meus dias de garoto, parecem milênios de vivência, o explorar e conhecer um mundo novo, pessoas novas, pensamentos inéditos. Por que há de se perder essa graça de viver?
Por que a vida não é um infinito de momentos?
Por que teima em ser tão finita e limitada... Por quê?!
Eu perco a cada dia o D’us presente em mim, e só há tão pouco eu percebi essa perda gradativa, que mais e mais eu quero retomá-lo. Eu quero a paz dos céus, a alegria do sol e a sabedoria do infinito a me preencher de novo!
Quero acordar desse sono, renascer e, em meu primeiro ato, gritar ao mundo “Esperança”, “D’us”. E preencher esse vazio acinzentado de um amor, de alegrias e de luz multicolor, do vermelho ao anil. Transformação. Nascer do dia. Renascer da humanidade.
A Mão
O Sol sequer tinha nascido e Patrícia acordou como parecia um dia qualquer, lavou o rosto, tomou seu café-da-manhã, trocou de roupa e tornou a caminhar para seu trabalho. Ela era professora e se empenhava num projeto do governo de alfabetização dos presidiários da zona rural. Desde criança, quando via o preconceito da sociedade com esses indivíduos, se irritava e desejava fazer sempre algo para mudar essa realidade. Afinal, todos erram ao menos uma vez na vida e é direito de qualquer errante uma oportunidade de provar que pode acertar. Mas definitivamente aquele não era um dia qualquer.
Ao chegar na penitenciária, uma professora substituta já estava lá, pois a regular havia engravidado e aderiu à licença. Jurou ter presenciado a pior situação de sua vida quando essa mulher proferiu as seguintes palavras “Como é que são esses vagabundos aqui? Lá na outra penitenciária a coisa era braba, além de estar cheio desses burros que pensam conseguir aprender algo, tinha uns pilantras barra pesada e pior, uns malucos. Um dia estava dando aula quando ouvi um grito, era uma professora que foi morta por um preso pirado, o qual estava escondendo a faca no bolso. A ignorante pediu para que ele mostrasse o que tinha lá e ele esfaqueou a mulher num golpe fatal”. Abalada com essa conversa Patrícia já havia perdido o ânimo em ensinar algo legal a seus alunos. Pensou então que o melhor era trabalhar, mesmo que desanimada, e deixar o tempo passar, para que no dia seguinte voltasse a sua rotina com a qualidade habitual.
Já estava prestes a terminar seu horário e foi para sua última turma de alfabetização. Tinha um aluno novo, uma espécie de homem forte, daqueles que está prestes a explodir a qualquer momento. Depois do que falou a substituta, ela observou aquele novato e ficou receosa. Ela dava a aula, escrevia no quadro e a todo momento que olhava para trás, era sempre o mesmo olhar doentio, mórbido, assassino. Patrícia repetia consigo mesma a toda hora “Já vai acabar, já vai acabar”, mas parecia nunca acabar, teria o mesmo fim que a professora da história contada pela substituta. Até que a aula acabou e ela já ia guardar suas coisas quando olhou para a sala vazia e continuava lá o presidiário feroz, com seu olhar de predador pronto para o ataque. Ela tremeu, ensaiou uma corrida para longe daquele lugar, mas as pernas não se moviam. Ele se levantou, com uma mão no bolso e outra atrás do corpo. Ela chorou e, em desespero, falou “Por favor, não me mate, eu pago, eu faço tudo que você precisar, mas não me mate, por favor”, ele ignorou e continuou a andar em sua direção. Quando chegou na frente dela – aterrorizada, praticamente naquela expectativa de último suspiro -, estendeu sua mão escondida e lá estava uma flor e um cartão com a inscrição “Obrigado por me fazer aprender a ler e escrever”.
domingo, 2 de janeiro de 2011
A Última Esperança
Antes de começar a ler esta carta, deves saber o que ela representa.
Geração após geração, foi passado desde meus ascendentes até mim uma história e, agora que encontrei um meio de levá-la à raiz dessas gerações, é minha esperança que,numa outra realidade nesse futuro que vivo, eu possa comunicar-me contigo e exaltar palavras de conforto, justiça, paz, vida! – e não o que venho te falar agora.
Tudo começou quando um pai contou ao seu filho a verdade. Todos os outros pais ou fingiam não saber dela, ou mentiam, iludiam com histórias que mais pareciam bonitas a reais, ou mesmo esbanjavam na realidade sua crueldade e tirania. A verdade que contou a seu filho, disse ele, seria a liberdade – a liberdade não só do filho, mas de todos aqueles que viviam sob o regime que a sociedade instituiu naquele tempo.
Houve uma época em que D-us por um motivo que desconheço deu ao homem o governo de sua criação na Terra. Teve ele o domínio sobre os minerais, as plantas, os animais e, com o estímulo do seu raciocínio, alcançou o domínio da natureza como (quase) um todo. Por muito isso foi sadio, permitiu sua estabilidade diante da terra que D-us lhe confiara. Até que, um dia, um grupo desses homens – por ambição e poder – extinguiu o (quase) do domínio da natureza como um todo, pensando no que poderia ganhar com a proliferação desse pensamento e essa ideia venceu a humanidade, aprisionando-a ao materialismo, o qual tivera seu principal alicerce no consumismo e no desejo individual da sociedade em ser mais que seu semelhante.
Todo o homem alcançava esse conhecimento do que participava em algum momento de sua vida antes de proporcionar a um novo ser sua estadia na Terra, seu filho. Todavia, por mais desumano que isso possa parecer – e infelizmente era desumanidade o que imperava naquele tempo -, escondia isso de seu filho, fazendo-o viver anos aprisionando-se cada vez mais naquilo que ele próprio havia se feito prisioneiro.
Existe algo na consciência humana que faz o homem, em um certo momento de sua vida, acomodar-se com o que já existe e tentar tirar o máximo proveito disso, mesmo sabendo que podia ser mais, viver mais. E o sistema que fora implantado na sociedade garantia que, até alcançar esse momento, o homem seria privado da verdade.
Aquele pai, iluminado com o amor dos olhos do filho e com a pureza de sua mulher ao lhe estender a mão em seu último suspiro, ao dar à luz, sentiu algo do que um dia haviam chamado humanidade – e era dessa humanidade que um dia falou um profeta ter sido o homem feito à semelhança de seu Pai. Esse sentimento brotou-lhe na consciência o dever de transmitir a verdade ao seu filho, de não deixá-lo aprisionar-se, de libertá-lo de seu destino e, consigo, todas as vítimas dessa conspiração social.
“O homem não domina a natureza, nem deve dominá-la. Ele é guardião dessa criação divina e sua força deve agir no sentido de mantê-la, e não consumi-la para si.” Foi o que o pai cultivara na consciência do pequeno filho como uma semente, para que brotasse na maioridade uma esperança de transformação.
Talvez houvesse outros filhos na mesma situação em contato com esse, ou as circunstâncias fossem mais favoráveis, ou mesmo não houvessem tantos pais covardes, crueis, manipuladores – e manipulados -, a história que me foi passada pelas gerações a mim antecessoras seria diferente desta que estou te contando.
O pai bem fizera sua parte, inspirado por um sentimento maior e divino, mas o filho não pudera ser privado das armadilhas desse sistema que muito governou a sociedade. Ao atingir idade suficiente e não ter mais o pai ao seu lado, o rapaz já sabia da verdade, acreditava nela e queria fazer algo para que outros também acreditassem que ela seria a liberdade de todos e trabalhassem por ela, assim como ele estava disposto. Reuniu em sua casa seus melhores amigos, deu-lhes comida, bebida e queria alimentar-lhes também com a verdade a que tivera acesso. Em troca, foi taxado de “maluco”, “ignorante”, “burro”, “atraso da sociedade” e, por um instinto social, o jovem partiu para uma cruzada pessoal junto de uma bela moça – a qual tomou por sua companheira e mulher - para o interior das terras que D-us confiou aos homens, instalando-se no meio da floresta em uma cadeia de montes ao Oriente. E lá fundou sua casa, estabeleceu sua família e contara a cada um de seus filhos – para que contassem também aos pequenos destes – a história sua e de seu pai. Dessa forma, instituiu-se naquele local, com um tempo, um vilarejo dos descendentes dessa família. À terra era dado o vegetal que transforma seus minerais em coisa viva; ao animal, o direito de alimentar-se em abundância desse vegetal e viver livre sobre os pastos que rodeavam os montes; e ao homem, de preservar esse patrimônio divino, dando-lhes o direito de viver enquanto seu tempo durasse e alimentar-se deles somente nesse momento em que a vida estivesse em seu último segundo. Fez, portanto, aquele filho a vontade de D-us e permitiu que essa história e esses valores chegassem até mim, geração após geração.
Mas antes de chegar a mim nessa história, algo mais aconteceu. Não foi a ira de D-us, nem da própria natureza, a qual causou o que vou te contar, mas a consequência da própria escolha dos homens. Por mais que muitos soubessem da limitação da natureza em provir sustento a esse selvagem desenvolvimento e domínio brutal tão ambicionados pelo homem e até alguns apresentassem alternativas menos devastadoras – o que chamaram de sustentabilidade -, o pior se tornava inevitável, o mundo estava prestes a dar seu último suspiro. Entretanto, como te falei, não foi a mão de D-us, nem o golpe de vingança da natureza que causou isto. O extermínio da sociedade ocorreu pelas próprias mãos sujas de cinzas das queimadas, sangue dos animais, toxicidade implantada na natureza, pelas mãos nas quais agora eram conferidas uma cor mais rubra, mais familiar, do sangue humano - mãos dos homens. Toda a sociedade fora vítima e autora de seu próprio fim. A desumanidade que nascera da desigualdade entre as criações divinas, a qual estendera-se à desigualdade entre os próprios homens, culminou com o sentimento generalizado de ambição, poder, ódio e destruição. Intolerância, tirania, preconceito tornaram-se tão comuns que todos os Estados preenchiam-se desses preceitos e, por fim, não foi só a bomba nuclear, a arma de destruição em massa, a podridão social e essa total desumanidade que destruíram tudo o que fora construído e confiado ao homem por D-us, mas tudo isso em conjunto.
E, agora sim, chego à minha existência. Por algum motivo que eu também desconheço, de tudo que pereceu nesse mundo, nosso vilarejo – ainda sustentado nos valores e história de meus ancestrais -, não fora destruído. É como se fizéssemos parte de uma outra realidade, não sei. A única coisa que sei é que tenho em minhas mãos agora essa carta, dada a mim por D-us, para que escrevesse àquele pai – tu - , ancestral de toda minha história. E para que seja entregue por ti, meu ascendente, ao teu filho, de maneira a mostrar a ele que, por mais que possa alcançar em seu futuro a liberdade que tu sonhaste para ele e vida em abundância aos seus descendentes em preceitos elevados, não há coisa pior que ter essa comunidade ideal, nosso vilarejo, em meio a tanta destruição. Essa visão de que temos, aqui de nosso monte – que agora permite ver todo o mundo -, é a prova mais real e torturadora de que, em busca daquilo que D-us nos havia concebido, esquecêramos de um dos maiores valores por ele nos passado, a fraternidade. Teu filho terá a oportunidade, por ti concedida, de ter acesso à verdade em seu tempo mais propício e será levado a trabalhar por ela num mundo perdido de valores, imerso numa ilusão terrível. E agora estará em prova, sabendo disso tudo, seu valor fraterno em não desistir de levar a verdade também aos seus semelhantes – de insistir com seus amigos para que acreditem nele -, abandonando a ideia de construir um pequeno vilarejo consoante com a Palavra de D-us e adotando o ideal de elevar todo esse mundo àquilo que o homem se comprometeu perante seu Pai. Dê a ele esta carta, a qual chegou a ti por intermédio divino, para que ele realmente prossiga com seu trabalho pela verdade que, em momento oportuno, darás a ele o direito de conhecer. Saiba que não há, realmente, pior visão do que viver num local ideal em meio à devastação, à destruição, à falta de vida – e não há pior sentimento do que a solidão e o arrependimento, resultado do abandono que o próprio indivíduo causou. Atentem, tu e teu filho, a essas minhas palavras e transmitam aos seus semelhantes, para que toda a Terra tenha o direito de existir sob os preceitos d’Aquele que a todos nós deu a vida e confiou sua própria criação. A mudança de suas atitudes é a minha esperança de, numa outra realidade, poder ver vida sobre todas essas terras e, se assim me for permitido por D-us, enviar-te uma carta totalmente diferente desta, esbanjando a vida, a prosperidade plena que nasceu dos atos teu e de teu filho.
De seu descendente.
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