sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Quero um amor

Quero um amor
Para dar meu coração
Sem me preocupar
Dizer: "sou teu"
E você aceitar
Buscar-te e
Conseguir te encontrar
Cansei dos meus sonhos
Desejos, anseios, neuras
Quero realidade, seja real para mim
Quero reciprocidade, seja recíproco comigo
Quero você, seja você para mim
Quero um amor
Que não tenha hoje ou ontem ou amanhã
Que seja para sempre enquanto durar
Quero um amor
Feito o que sinto por você
Mas por alguém que me ame também
Alguém que me deseje, me queira
E que tenha a certeza de que em meus braços
Pode repousar, pode receber um carinho
Um afeto, amor, amor.
Quero um amor,
Queria você
Mas se não me queres
Eu continuarei querendo um amor
Quero um amor!

Um Amor Proibido


Há quem diga que não há nada mais destinado que o próprio acaso. Posso dizer que há uma sorte em tudo, um norte que não nos cabe, ao menos conscientemente, decidir.
Chovia muito, o dia estava nublado e minha visão era falha pelo ambiente. Mesmo assim, quando vi a figura de alguém que amo, logo ali a minha frente, meu coração explodiu em movimento, minhas pernas cambalearam, minha mente atingiu uma outra dimensão. O que fazia ali, logo ali, no meu caminho, aquela figura tão querida por mim, mas sempre distante? Como chegara ali, e como eu não seguira outro caminho naquele dia?
Ter balbuciado palavras que só faziam sentido porque as sentenças eram previamente feitas mentalmente, Oi, tudo bom? Oi! Eu não era capaz de falar mais nada, ainda mais que ela não estava sozinha, tinha consigo alguém, quem eu não sei - e nem queria saber de fato, meu objeto de adoração é único.
Estava num reino antigo, em que o servo devia sua vida ao mestre. Eu devia minha vida a Rainha, não pelo regime da servidão, mas pelo do amor. Meu olhar era proibido, pois ser de baixa casta me impedia de cruzar meu olhar com o dela. E como era difícil não admirá-la! Tão alva, olhos vazios, mas penetrantes mesmo assim, sorriso que pede um beijo e um corpo que cativa meu abraço. Queria chegar perto, mas não era possível, pois era a Rainha.
Eu tinha meus afazeres, cuidar da saúde dos pobres idosos e dos feridos em campo. E esse ofício era de total dedicação para mim, era minha motivação maior de vida. Mesmo assim, mesmo sendo tanto, tanto para mim, não era o suficiente para completar-me. É como se eu fosse a Lua, mesmo com uma face iluminada, completa, sempre haveria a outra buscando luz. Mas eu carregava meu ofício, tratava as moléstias e dava o que meu coração havia de melhor a esses moribundos: afeto, dedicação, atenção.
Afeto, dedicação, atenção eu não pedia de ninguém, pois isso se dá de livre e espontânea vontade - mas eu desejava da minha Rainha. Desejava que me estendesse sua mão, alva, fina e macia; que cobrisse com a outra a minha; e que olhasse para mim e nossos olhares ficassem cruzados.
Certo dia, estava atendendo uma senhora muito velha, já tossindo sua própria carne, e ouvi murmúrios pelo vilarejo. Fiquei preocupado, pois eram constantes os ataques bárbaros na região, e deixei a adoentada para ver na rua o que acontecia. Era a Rainha, que naquele mesmo dia resolveu passar por onde eu tivera de ir trabalhar. E por graça do destino, olhou para mim, enquanto eu encarava-a com desejo, amor. E continuou me olhando, com seus olhos graciosos, levantou um sorriso totalmente desprovido de pudores, e estendeu-me a mão. Dei um passo a frente, pois queria tocá-la, tê-la para mim nem que fosse somente naquele instante. Meu amor era maior que minha própria consciência, inteligência.
Aquelas mãos brilhavam, e quando estendi meu braço, rumo ao dela, os meus passaram a brilhar e escorrer em rubro. E quando eu pensei que ia chegar a tocá-la com meu carinho, com meu afeto, e fazê-la sentir todo meu amor, eu cai. Cai sem sentir, cai sem ver, cai em meu próprio sonho. Os guardas da Rainha atenderam a seu chamado e atiraram sobre mim uma flecha, que atingiu logo meu coração. Não a flecha que conquista o amor, pois esse amor já estava conquistado. Mas a flecha que conquista a vida, já que essa eu ainda tinha minha.
Perdi minha vida.
E eu virei o rosto, e sem cumprimentar corporalmente, segui outro rumo, mesmo sabendo que havia um motivo para ela estar ali naquele momento. E por que me apareceu acompanhada? Havia um sentido em eu ter que dar meia volta e rejeitar seu amistoso cumprimento estando ela acompanhada. Dentro de mim, só aceitaria um amoroso cumprimento. E eis que o destino mostrou seu recado: ela não seria minha, e eu haveria de continuar seguindo meu caminho, trilhar por trajetos mais elevados, e acima dos meus próprios sentimentos, instintos, vaidade. Havia de libertar-me de mim mesmo para alcançar a graça de D-us, arquiteto de todos os caminhos que a vida dá, arquiteto de todo o destino. E por mais que eu queria manter-me aprisionado, a força do destino é maior que mim mesmo, e ei de libertar-me para viver. Ei de sublimar nesse momento para esquecer. Ei de sofrer, esquecer, e dedicar todo meu amor a um bem, e a um ser maior, mesmo querendo também esse outro amor. Como é doloroso ser imperfeito... e ter que seguir caminhando, sob a sorte do destino.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ouço-me

Não importa mais o que se pensa.
O que eu sinto é maior
E quando ouço meu sentimento
Eu me sinto confortado.
Durmo hoje suave e descansado
Pois ouvi o meu íntimo
E ignorei minhas preocupações
Estou preso, mas liberto
Vivo

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Minha Rainha

Minha rainha
De que vale tanta beleza, tanta ternura
Se te pões sobre este rígido castelo
Se te ocultas do meu amor, do meu afago
Desce dessas pedras que teu íntimo ergueu
Pois de mim não há o que temer
Não se teme quem te ama
Não se teme quem te quer bem
Meu coração treme, agita-se
Minha barriga por toda esfria-se
Só de lembrar dos teus olhos,
Tua boca, teu cheiro, tua pele
Teu cabelo, tua boca, tua língua
Tu, minha rainha, meu amor
Não temas
Pois por ti dou minha vida
Mas desisto da morte, pois amando
Tudo faz sentido
Até uma vida que se perde
Envolvida na pele da amada
Ela se encontra
E tudo é luz, é paz
É alegria, amor
Amor.
Tu, minha rainha, meu amor.
Contigo sou pleno
Mas em pensamentos, só neles
Sou incompleto.
Desça, pois aqui te espero
Mesmo que queira - e precise -
Seguir minha viagem
Sei que só contigo
Seguir esse caminho fará sentido
Só existe destino contigo
Tu, minha rainha, meu amor.

domingo, 21 de agosto de 2011

Eu não fico triste, jamais. Mas constantemente me sinto desiludido, decepcionado com as pessoas e as situações. Mesmo assim, sempre tranquilo e de certa forma feliz. São poucos os momentos em que perco o controle... muito poucos! E isso não é só autocontrole - é, pois, a minha forma de agradecer a vida que me foi dada, e as oportunidades que a cada dia aparecem: serei médico, tenho familiares em que posso depositar toda minha confiança, meus melhores amigos são inestimáveis, e eu não dependo de ninguém, senão de mim mesmo para ser feliz. Sim, não há motivos para tristeza! Não para mim!
Tudo ao teu redor pode dar errado: tua família em colapso, teu afastamento dos amigos, tua carreira profissional não estar avançando, teus sentimentos amorosos não estarem sendo correspondidos à altura. Mas se teu propósito é maior do que seu bem-estar momentâneo, há de ser feliz e tranquilo mesmo assim. Há de ser somente uma fase de dificuldades em tua vida. Porque teu destino é maior do que tudo que te cerca.

sábado, 20 de agosto de 2011

Te vejo, não me vês

Fecho os olhos
Só vejo uma pessoa
Fechas os olhos
Só vês uma pessoa
Eu te vejo
Tu vês outro
E aqueloutro não te vê
A paixão é assim
Feliz para poucos
Injusta para muitos
E, para mim:
Tristeza, desilusão.

E eu, aqui

Deve haver alguém por aí
Com algo no peito
Que pulsa, forte
Alguém que ama,
Apaixona-se
E se deixa levar

Não tem que pensar:
Só se deixa levar.

Deve haver alguém por aí
E eu estou aqui.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A paixão nos move.
Mas quem define a paixão que alimentamos em nossa vida?

domingo, 14 de agosto de 2011

Eu sou!

O que fazer quando alguém que você queria tanto, mal chegou perto e já disse adeus?

(Lucas)

Teu destino é maior
Tua vida será melhor

Olha pela tua janela:
A lua brilha
Tão forte como
O Sol que lhe cede a luz

Olha para dentro de ti:
Tu brilhas
Tão forte como
O D-us que te cede a luz

Há tanta felicidade
Tanta luz, alegria pela cidade
Há tanto amor
Pelo planeta, tanto calor

E não é aí,
No seu coração...
Pequeno-grande coração...
Em que haverá tanto frio e dor!

Sorria, respire fundo
Que sorte tu aqui, no mundo

Teu destino é maior
Tua vida será melhor

Não te rebaixes
Não te engrandeças

O mundo é maior que você
Mas tua importância não é menor que o mundo

Não sejas, portanto
Maior ou menor
Tu és.

Tu és.

Seja quem tu és.
Ame como tu amas.
Não te escondas,
Não te iludas
Seja.
Seja quem tu és.

Porque
Teu destino é maior
Tua vida será melhor.
Acredite!
Eu acredito.

Falling in love again (Eagle Eye Cherry)

sábado, 13 de agosto de 2011

Tempo

A voz secou
A vontade desanimou

O afeto ainda existe
Talvez a paixão também
Não sei o que persiste

Mas algo é certo:
O tempo terá seu tempo!

Minhas pernas estão agitadas
Minhas mãos não conseguem ficar paradas

Mas eu sei que o tempo
Precisa do seu tempo

Mas eu sei que eu
Preciso do meu tempo

E eu sei que tu
Precisa do teu tempo

Tempo, tempo, tempo
Não vá me trair outra vez

Olha para esse menino aqui
Não bonito, não gostoso, não simpático
Mas amável, carinhoso, inteligente
Apaixonado, talvez

Eu dou tempo
Eu arrisco os efeitos do tempo

Mas, tempo, quando chegar a hora,
Traz para mim o meu amor
Porque eu quero calor, sabor, até dor

Com a pessoa certa do meu lado
Com a pessoa amada, abraçado
Tudo terá seu valor.
Eu quero o amor.

A seu tempo, tempo.

O que nos domina?

Começamos a perceber quando as emoções e sentimentos nos dominaram quando nos fazemos perguntas do tipo "mas por que eu fiz isso?" ou "mas por que eu tava pensando assim?" ou "nossa, quanta bobagem... o que aconteceu comigo?".
Se deixar dominar pelo coração só é legal quando há uma aventura mútua entre dois ou mais indivíduos. Se não é de ambos, é sofrimento e desilusão na certa!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Algo Maior

Eu sempre soube das pessoas que passam tão ligeiras em minha vida, mas que são tão especiais, e pelas quais há algo que nos ligou, transcendendo a razão. Mas quando elas, seja pelo motivo que for, seja como for, se afastam de mim, algo falta no meu interior.
Há um tempo bonito lá fora, minha carreira profissional está prestes a chegar ao seu auge do momento atual, meus melhores amigos estão presentes, minha família está em paz e compreensiva.
Mas falta algo.
E não só esse último afeto que de mim se afastou. Mas também alguns outros que há tempos abandonaram meu caminho.
Todos fazem falta.
E fazem falta além das emoções, sentimentos, e razão, inclusive. Fazem falta para o meu espírito, pelas quais estava ligado de alguma forma, sob alguma coisa que transpassa aquilo que hoje eu posso conhecer como verdade absoluta.
E é por isso que meu coração soluça, caminhando pelo centro da cidade, andando de bicicleta na ciclovia à beira-mar, dançando sozinho em casa, escovando os dentes, dormindo.
Soluça sem parar, tentando fazer assim com que alguém ouça suas batidas.
Ouça-as.
Ouça-o.
Ouça-me.
Porque quero ouvi-lo também. Quero conhecê-lo ainda mais. Quero viver contigo como tiver de ser, e não como eu queria, ou como tu desejas.
Há um destino que transpõe em sua essência nossa compreensão e por ação do qual nos unimos por uma noite. E por ação do qual reuniremo-nos mais outras.
Não resista.
O que há de ser, será.
Não espere.
Quando antes for, melhor.
Não me deixe.
Tu me faz falta.
E termino pensando... tudo isso te conhecendo tão pouco. "Tudo isso", digo: tanto carinho, tanta compaixão. Imagine se nos déssemos a possibilidade de vivermos por mais algumas noites ao longo de nossas vidas? Quão alto poderíamos chegar?
Eu errei, faz parte. Se esperavas perfeição de mim, eu era a pessoa menos capaz de alcançar tuas expectativas. E por isso eu não vou dar mais passos, vou deixar o destino me levar. Ele sabe o que faz.

Saibas que há vida

Tudo pode estar ruim, a vida pode estar uma droga.
Mas se tu vês o Sol brilhando, sente seus raios atingindo tua pele, respira a leve brisa que o ar emana, ouve o som do mar batendo na areia e nas pedras, e dos passarinhos cantando, e sente o gosto da água pura, tu estás vivo.
Podes estar rodeado de morte, mas em ti há vida.

Sonhos

Sonhos: ou vocês me libertam, ou vocês me aprisionam.

O Destino

O destino é perfeito...
Quando a gente mais precisa de luzes outrora apagadas, elas acendem.
Amizades antes ocultas, pequeninas, agora começam a se tornar visíveis, e engrandecidas.
Nossos traumas com pessoas poucas diminuem nossa capacidade de perceber que há outras muitas por aí, a nos trazer alegria, consolo, felicidade, paz.
O destino é perfeito...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Respira!

Por que respirar com tanta afobação, quando o ar é tão saudável e necessário para tua existência?
Respira, com calma, e sente cada perfume que exala das flores que te rodeiam.
Respira, com atenção, e aproveita a pureza que esse fluido traz para teu corpo e tua alma.
Respira, e liberta-te.
Não tenhas pressa, a vida não é tão finita quanto os poetas românticos tentam te fazer acreditar.

Arte

Minha arte não é perfeita, pois não almejo a perfeição.
Não há nada de perfeito no ser humano, senão sua própria existência e essência, obras de D-us, mas aquilo que por ele (e não 'Ele') é criado é tão imperfeito quanto seu desvirtuamento espiritual, físico, mental, emocional.
Mas me pergunto, como podem tantas pessoas quererem fazer uma arte perfeita?
E por que imaginam que imitar os sentidos seria alcançar essa perfeição?
Não contesto sua arte, pois isso é pessoal de cada um. Mas defendo a minha imperfeição, meus tracejados ao mesmo tempo infantis, mas sob um aspecto de homem, humano, adulto e bem verdade criança, ainda - idoso, em parte, também. Morto e recém-nato.
E toda construção é precedida por uma destruição. Quando eu destruo os limites da regra, da métrica, da rima, da ética, dos pudores, dos desamores, eu construo minha arte - e construo-me.
Por fim, minha arte não é mente; é, pois, sobretudo emoção, espírito - que se funde com o físico, palpável, e o mental, imaginável, para construir algo completo e ao mesmo tempo fragmentado. Isso é arte. Isso é, mesmo após fazer um garrancho de desenho, ou um texto por mais podre que seja poder se sentir livre, feliz, amado e amando, sentir-se integral, sentir-me eu, Lucas. Arte, tu me liberta.

Só teu

Há coisas outras que eu gostaria de escrever
Mas a que sai da minha mão neste momento
É que de tudo que tu tens
Teu coração deve ser só teu
E de mais ninguém
Deixe os outros
Com suas alegrias, ilusões
Amores, paixões
Dores, sofrimentos
Paz, guerra
Ódio ou rancor
Mas guarde para ti teu coração
Pois quando tu dás para alguém
Corres o risco de sofrer por ti
E mais ainda por quem tu deste

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Não quero mais

Eu excluo
Eu me excluo
Eu, eu, eu, eu, eu, eu
Não quero mais

Sorria, és amado!

A verdade é
Que pessoas vêm e vão
Mas tua família
Teu melhor amigo
Esses são os que ficam
E é tão bom saber
Que nessa maré
Alguém está de fato contigo
E não vai te abandonar
Porque às vezes te sentes sozinho
E a verdade é que nunca estás
Alguém te ama
Alguém se preocupa contigo
Alguém olha por ti
Até Ele está ao teu lado
Por que chorar?
Olha ao teu redor
E sorria, tu és amado!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Eu espero

O destino pede tempo
Eu peço rapidez
Meu caso é sério
Não há sensatez

Talvez seja ilusão do destino
Ter eu que esperar tanto
Quem sabe eu deva seguir
Para não cair em pranto

Ou quem sabe meu foco deva ser outro
Ou quem sabe meu foco seja esse

Não sou bom com decisões
Meu coração impera
Isso sempre acontece
Minha razão não persevera

Mas as emoções são passageiras
Um turbilhão de transformações
Será necessário controlá-las
Ou serão de fato ilusões?

Eu espero
Um dia, com certeza
Uma semana, sim
Um mês, eu já não sei
Mais que isso, eu não esperarei!

Canta para mim


Quando estou a céu aberto, rodeado por um vasto campo cheio de flores, agitado pela suave brisa que emana do ar, abro minhas mãos e uno-as pela lateral. Nelas, estão pequenos grãos e sementes. Não tarda muito, ouço o cantar dos passarinhos e ergo minhas mãos ao alto. Vejo o Sol, brilhante e radiante e a brisa se intensifica, e o ar adquire um leve perfume cativante, eis que alguns dos pequeninos começam a se aproximar de mim e um resolve pousar sob minhas mãos, atraído pelo que tenho a lhe oferecer - não só o alimento, mas minha mão delicada, um carinho suave e incondicional. Ele prova dos grãos e sementes, sente o calor das minhas mãos e canta para mim. E eu o acolho como se fosse parte de mim, mesmo que nosso contato seja tão breve, curto, passageiro, talvez, sintonizados estamos. Mas como mostrar a esse passarinho, ainda jovem e temeroso, que minhas mãos de fato são tão acolhedoras e que meus sentimentos são o de amor e afeto, e não posse e destruição? E como convencê-lo de que sob meus cuidados, há de viver mais e melhor, enquanto que a solta pelo campo está à vista de animais perversos e que só se interessam por sua carne, e não por sua beleza, pelo seu canto. Uma hora há de ele querer levantar voo novamente e eu aqui ficar, mesmo nesse local maravilhoso, com tudo perfeito. Todavia que há de perfeito em estar sozinho? Todos precisam de alguém, ou algo. E eu quero esse pequeno, mas tão maravilhoso passarinho pousado na minha mão, onde eu possa cuidar dele e ele cantar para mim.

Bate coração

Meu coração não para de bater.
Isso é normal?
Bater rápido e profundo...
Normal só em alguns casos!

domingo, 7 de agosto de 2011

Viva!

O amor pode ser cura ou adoecimento, vida ou morte, alegria ou dor. Sua natureza depende de quem ama, de quem é amado e sob quais circunstâncias ele ocorre. Mas amar jamais será algo ruim, que cause arrependimento. Sentir-se ligado a alguém faz parte daquilo que precisamos vivenciar para alcançar nosso próprio autoconhecimento e atingir o mais importante de todos os amores: o de si próprio. Por isso, nunca se arrependa de amar, mas dos amores que você nunca cultivou por ter medo do que poderia acontecer. Ame. Viva!

Meu Amor

Há quem chame de paixão
Mas meu amor nasce rápido
Morre tarde
Vive intenso
É pleno
Meu amor pede posse
Mas dá liberdade - a mim e a quem amo
Meu amor pede-te por completo
Mas dá partes de mim - antes ocultas
Não te peço tudo
Mas também não quero nada
Fique do meu lado
Só quero sentir teu corpo
Teu cheiro, tua pele
Isso me basta.
Quero-te. Amo-te.
Exista, seja feliz, esteja feliz, e feliz serei e estarei também!

Vida

Não importa o que se pensa
Não importa o que se sente
Importa o que se vive.
Viver, viver, viver
Ser feliz e entregar seu corpo, alma
Entregar-se para si
E para todos
Para ninguém
Para tudo.
Viver.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Filosofia

Como ser tão forte e tão fraco ao mesmo tempo?
Desafia-me compreender isso como algo que representa a natureza humana.
Ou a natureza é paradoxal, ou pareço o que não sou - a mim mesmo.

Como aceitar que o outro sabe mais sobre mim do que eu próprio?
Desafia-me compreender isso como algo que representa o autoconhecimento humano.
Ou o autoconhecimento é repleto de incertezas, ou os outros sabem mais sobre mim do que eu mesmo.

Como compreender o motivo do tempo mudar tão drasticamente as pessoas?
Desafia-me compreender isso como algo que representa a história humana.
Ou a história é um caminho sem destino, ou o caminho em nada faz sentido palpável ao intelecto do homem perante o destino.

Surpreende-me que filosofar pareça tão penoso aos outros, enquanto que para mim complete a existência e preencha um vazio que naturalmente humano é.
Resigno-me em privar a mim minhas divagações para que os outros não me vejam como solitário, triste e egocêntrico. Isso porque a filosofia geralmente me apetece quando me sinto sozinho, com tristeza e egocentrismo - as dúvidas geralmente surgem quando somos confrontados com verdades incompreensíveis -, mas de maneira nenhuma representa meu eu como um todo. Um momento não deve definir uma existência, por mais que um curto período como esse de fato possa influenciar todo o resto da vida.
Filosofo. Calo-me. Adentro em mim mesmo e guardo para mim minhas conquistas.
Há momentos em que melhor é ser individualista, a prejudicar os outros com suas boas intenções.

Onde estou?

Que ingenuidade querer encontrar no outro aquilo que reside dentro de si.

Os sentidos e as relações

A língua empedrecida pela razão cala;
A língua solta fala.

A orelha entupida pela vaidade e pelo orgulho ensurdece;
A orelha aberta ouve.

Os olhos vendados pela ignorância e pelo desprezo cega;
Os olhos descobertos veem.

Línguas, orelhas e olhos livres podem ser prejudiciais ao outro e a si, mas a liberdade e a verdade não iludem, não diminuem as pessoas. Se em todos os momentos fossem libertos das amarras de nossa fraca moral, como seriam as relações humanas? Haveria?