quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Arte

Minha arte não é perfeita, pois não almejo a perfeição.
Não há nada de perfeito no ser humano, senão sua própria existência e essência, obras de D-us, mas aquilo que por ele (e não 'Ele') é criado é tão imperfeito quanto seu desvirtuamento espiritual, físico, mental, emocional.
Mas me pergunto, como podem tantas pessoas quererem fazer uma arte perfeita?
E por que imaginam que imitar os sentidos seria alcançar essa perfeição?
Não contesto sua arte, pois isso é pessoal de cada um. Mas defendo a minha imperfeição, meus tracejados ao mesmo tempo infantis, mas sob um aspecto de homem, humano, adulto e bem verdade criança, ainda - idoso, em parte, também. Morto e recém-nato.
E toda construção é precedida por uma destruição. Quando eu destruo os limites da regra, da métrica, da rima, da ética, dos pudores, dos desamores, eu construo minha arte - e construo-me.
Por fim, minha arte não é mente; é, pois, sobretudo emoção, espírito - que se funde com o físico, palpável, e o mental, imaginável, para construir algo completo e ao mesmo tempo fragmentado. Isso é arte. Isso é, mesmo após fazer um garrancho de desenho, ou um texto por mais podre que seja poder se sentir livre, feliz, amado e amando, sentir-se integral, sentir-me eu, Lucas. Arte, tu me liberta.