Meu primeiro ato nesse mundo foi um berro. Uma tentativa recém-nascida de dizer ao mundo que a esperança seria renovada.
A infância é um período de muitas alegrias, no qual aprendi desde o andar, até o falar, acariciar, compreender, amar. E conheci também a dor, e a recompensa tida em superá-la.
Mas é inevitável, a sociedade, a vida, o mundo me encaminha para a inatividade, a desesperança, é como se um momento deixasse de existir, e o segundo, o minuto e a hora fossem transformando-se em dias, e os dias em meses, e os anos em décadas e, até onde isso iria?!
Perco a cada dia o valor dos instantes, e quanto mais cresço, menos pareço dar valor à importância de cada momento nessa vida...
E a vida é um milagre, criação da onipotência Divina...
Vou perdendo o amor a D’us, perdendo o amor pela vida!
É a monotonia do cinza a preencher o vazio criado pela inexistência humana na sociedade dos homens. E não é preto, nem branco, é cinza. O suficiente para você não desistir, seguir adiante, e o suficiente para você não ser feliz o bastante, não ter a esperança de avançar – a criação alcançar o Criador.
E a cada nascimento é uma nova esperança. É como se almas e almas pedissem pela salvação. Azul, verde, branco, amarelo, vermelho... Alegria! Amor! Paz! – D’us.
Como foi bom ter nascido, como foi bom ter sido criança! Eu cresci e passei pelo meu primeiro beijo, meu primeiro carinho e meu primeiro amor.
Senti o prazer da pele da amada encostada na minha, o calor, a energia... D’us!
E parecia ser um dia cinza qualquer... Como se fosse acontecer sempre, ou nunca mais.
Não foi um momento, foi nada, parece. Quando lembro dos meus dias de garoto, parecem milênios de vivência, o explorar e conhecer um mundo novo, pessoas novas, pensamentos inéditos. Por que há de se perder essa graça de viver?
Por que a vida não é um infinito de momentos?
Por que teima em ser tão finita e limitada... Por quê?!
Eu perco a cada dia o D’us presente em mim, e só há tão pouco eu percebi essa perda gradativa, que mais e mais eu quero retomá-lo. Eu quero a paz dos céus, a alegria do sol e a sabedoria do infinito a me preencher de novo!
Quero acordar desse sono, renascer e, em meu primeiro ato, gritar ao mundo “Esperança”, “D’us”. E preencher esse vazio acinzentado de um amor, de alegrias e de luz multicolor, do vermelho ao anil. Transformação. Nascer do dia. Renascer da humanidade.