quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A Palavra

Abriu a janela do navegador.
Olhou.
Frio na Barriga -
Dor no Peito -
Irritação -
Desgosto -
Desamor?

Tudo que cresce intenso,
Destroi-se facilmente.

Pode crescer e destruir-se aos poucos
E assim com o tempo se consolidar.
Não é impossível: não se pode negar.

Mas como pode a palavra
- Ou o ato
- Ou o pensamento
- Ou qualquer coisa
Destruir um sentimento?

Não destroi - transforma-o.

O Último Discurso



"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossa necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar em passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos em nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldado! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Luteis pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém, escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos encontrando um mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos Hannah! Ergue os olhos!" CHARLES CHAPLIN (Extraído do Filme "O Último Ditador")

domingo, 16 de dezembro de 2012

O Vício Oculto



Insossa. Indolor. Inaudível. Colorida. Fogosa. Estimulante. Pequeno comprimido que um vulto deixou em minha mão em meu momento mais frágil, no meio da multidão e me sentindo sozinho. Pegou minha mão, deu-me uma garrafa d'água e me empurrou goela abaixo.
Insossa, indolor, inaudível, o comprimido desceu pelo meu esôfago, atingiu meu estômago e fora absorvido sem eu nem perceber. Fogosa, estimulante, me causou calor, me fez entrar em hiperatividade, dança, pula, corre, brinca, beija, sorri, ri, grita, senta, não, não senta, pula! Dança! Canta! Corre! Brinca! Beija! Grita! Não para, não para, continua, toma água, senão vai se dissolver em alta temperatura.
Invisível: o vulto deixou em minha mão uma pequena esfera negra nebulosa, fria, ácida. Entrou em minha boca e inflou, tomou forma de uma esfera com inúmeras pontas, feito uma roseta, e desceu pelos meus centros de energia rasgando, fazendo com que jorrassem pequenos rios de energia cristalina brilhante para fora de meu corpo energético.
Dança! Canta! Corre! Brinca! Beija! Grita!
Dança: contorce mais um pouco, espreme o centro de energia e libera-a ainda mais.
Canta: abre a boca e vomita essa força cristalina e brilhante.
Brinca: sorria, ria, abra fortemente seus olhos e deixe que ele expulse essa energia.
Beija: abra seu coração ainda mais, esse centro energético é poderoso.
Grita: estimule-se e expanda a abertura de todos seus cofres de energia.
A esfera enegrecida se divide em inúmeras partículas que se difundem pelo corpo espiritual e causa inúmeras fissuras. Como um homem lacerado, começa a sangrar energia por todo o corpo, além dos centros de força, inúmeros "corações" que bombeiam a energia.
O vulto, antes insensível, indistinguível, agora claramente visível: um velho de cabelos brancos, ulcerado pelo corpo, com marcas profundas na alma, pálido, olhos negros e mortificados, boca seca e cianótica, ausência de vida - o vampiro revelado. Abraça-me e deleita-se com os rios saborosos de fluido vital que jorram de minha alma. Envolve-me com sua neblina enegrecida e capta tudo o que sai de mim. A vida que perco.
Acordo. Provo de um gosto amargo na boca, sinto dores pelo corpo, em especial na cabeça e no estômago, ouço zumbidos nas orelhas, deprimo-me, desejo a morte, contesto a vida.
Vida?
Eu experimentando a morte e o vampiro gozando do banquete de minha vida.
Minha sorte foi que a morte não se tornou um vício, tal qual a vida dos outros é para aquele vampiro moribundo.

Fica comigo.



Fecho meus olhos,
Olho-me de frente:
Por que tremo?
Por que sinto?
Por que meu coração palpita, bate forte?

Tremo, sinto, agonizo
Sim, eu tremo, sinto, agonizo
Por algo, por ti
Meu coração bate forte, mais rápido
Não há remédio: palpitação constante
Quando leio o que escreves,
Quando relembro tua voz,
Quando relembro teu olhar,
Quando relembro teu abraço,
Teu beijo, "teu amar"...

Eu não sei o que ocorre:
Se sou feio, sou impulsivo
Idiota, imaturo, indeciso
O que há?

Pois me decido:
Eu aceito teus termos!!
Aceito tuas condições,
Mas fica comigo.

Teu olhar prende o meu
Teu abraço agarra meu coração
Teu beijo o faz bater junto do teu
E nós, juntos, me enche de emoção.

Eu te quero.

E te quero tanto que me questiono:
Que há em mim que deve ser diferente?
Disponho-me a mudar.
Aqui, sozinho, limito-me a sonhar.
E não me importa quão idiota és:
Se me engana, me ilude, me fascina
Sei lá! Meu coração contigo está.
E, aqui, é meu coração quem manda.

Desejo-te perto,
Desejo-te comigo.
Quero estar contigo.

Fica comigo.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Sobre as Redes Sociais



Amigos do face, algo importante: Este aqui é um espaço informal, como se estivéssemos em um botequinho ou no shopping. Não há por que ficar mantendo um mundo de aparências em que você parece o que não é. Por isso, quando você adiciona alguém ao seu círculo de contatos, adiciona um "amigo": com amigos, você pode ser quem você é, sem se importar com o que irá pensar, etc. Muito embora existam contatos profissionais em meio a esses amigos, a relação que aqui se estabelece não é entre chefe-funcionário, ou professor-aluno, mas sim pessoas que se admiram mesmo fora do ambiente profissional. Há um grande apelo hipócrita e recalcado de um número considerável de pessoas nessa rede social para que isso tudo que falei seja ignorado e que continuem vivendo seu mundinho de aparências: a pessoa certinha, amiga dos animais, que pratica bons hábitos de saúde, que valoriza o meio ambiente, etc, mas que, na prática, vê um cão abandonado e passa reto - sem sequer dar um olhar de compaixão ao animal -, joga lixo na rua, abusa do uso de ar condicionado, deixa a TV ligada sem estar no recinto, não faz atividades físicas, se enche de carne, leite e gordura animal, etc. Por favor, somos todos pessoas normais, seres humanos: rimos por besteira, volta e meia fazemos umas cagadas, vez ou outra enchemos a cara mesmo, brincamos com nossos amigos às vezes em situações em que só quem participou entenderia a graça, temos nossos defeitos - tantos quanto qualidades... Então fica a reflexão: vamos parar de hipocrisia e tentar parecer quem não somos - inclusive para nossos contatos profissionais que adicionamos como amigos no facebook. Sejamos nós mesmos e que todos tenham a maturidade de compreender que, embora como seres humanos, em sua vida pessoal, possamos parecer meio rebeldes, alheios, sem noção; como profissionais, no entanto, somos profissionais - com nossas habilidades, competências e ética. Cada espaço é um espaço, e esse aqui é para amigos. Postado no facebook hoje 15/12/2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A Energia



Sei que já escrevi uma crônica sobre como é o momento mágico de ficar com alguém e ocorrer uma sincronia de energias, mas hoje senti a necessidade de escrever novamente sobre o assunto, com uma visão atualizada, mais madura.
Meu coração bateu rápido, meu sangue se recolheu palidecendo meus membros e meu rosto, olhei nos olhos e de repente me tranquilizei. Esse olhar me pegou pelo colo e me envolveu, como uma criança com sua mãe. Eu estava em plenitude. Coloquei as mãos no rosto de quem o olhar me prendeu, fiz um carinho e sorri levemente: do meu corpo, envolvendo minha estrutura física, fluiu uma energia dourada-âmbar que inundou quem estava à minha frente. Meu rosto se aproximou do outro e como uma onda num beijo minha energia agora azul-esverdeada envolveu o corpo à minha frente por cima, enquanto a energia lilás-prateada fluía dele para mim. Num abraço, nossas energias se uniram em uma espiral de cores que se complementavam e essa poderosa força se ampliou, envolvendo-nos e preenchendo-nos.
Não há energia mais criadora e sensivelmente poderosa que a de dois amantes. Quando dois seres doam entre si esses fluidos energéticos, ocorre a potencialização e mais energia é criada. E gozam dessa energia vivificante.

O Voo



Era noite, o vento acariciava meu corpo e me chamava para entrar em sua dança. Rasguei minha camiseta, abri meus braços e tirei minhas asas. Como numa valsa, levantei voo e segui o ritmo do ar que circulava, nesta noite escura, só iluminada pela Lua Crescente e pelas estrelas. O vento acariciava meu corpo e eu queria voar, mas só continuei caminhando - sonhando.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Novidades no Blog

Olá!

Estou aqui para falar de novidades no blog.
Em primeiro lugar, tendo em vista que estou com mais tempo por ter trancado a faculdade e estar só trabalhando, estou fazendo algumas atualizações interessantes. Estou acrescentando as seções "Primeira vez no blog?" - na qual colocarei textos selecionados para o leitor novato conhecer o que escrevo - e "Textos Relacionados", na qual associarei alguns textos que escrevi, pois de fato eles foram escritos com alguma associação. Esta seção é de grande importância, pois cada vez mais passarei a associar os textos que escrevo, tendo em vista que quero aprender a escrever romances, além dos contos e crônicas que são de praxe para mim.
Outra mudança importante que eu já acrescentei foi a seção "Textos populares", no menu lateral, em que aparecem os mais lidos do mês, e a seção "Você poderá gostar também de:" no inferior de cada post, em que aparecem os textos que se assemelham com o que foi lido. Sugiro que usem essas ferramentas para conhecer meus posts antigos e que ficariam abandonados se não fossem elas. A ferramenta "Procure um texto" também serve para isso, pois o leitor pode digitar algo que lhe interessa, uma palavra, para encontrar todos os textos em que ela se encontra presente.
A ferramenta "Siga por e-mail" pode ser útil para quem gosta de acompanhar com frequência o blog, mas acaba entrando justo na época em que estou sem inspirações e eu atualizo pouco ele. Por esse meio, a pessoa recebe um e-mail toda vez que eu posto algo novo, e não precisa ficar entrando no blog para ver se eu já postei algo.
Por fim, estou criando um blog pessoal para lá postar o que antes estavam nas seções "Música", "Citação" (algumas), "Medicina", "Dissertação", Oração", "Resenha" (algumas), "Vegetarianismo", "Desenho" e "Imagem". Elas foram importantes no início do blog, mas hoje só o poluem com coisas que não são mais relacionadas. Criarei seções novas, não mais relacionadas a gêneros literários - já que eu só escrevo o que já existe em termo de seções -, mas sim aos temas de cada texto, facilitando ao leitor ler sobre aquilo que mais lhe interessa.
Espero que essas mudanças possam ser positivas, que facilitem o aproveitamento dos meus leitores e amigos perante meu blog. Ainda estou avaliando como aumentarei a interatividade com o leitor, que será importantíssima para eu passar a escrever romances, mas ainda não tenho solução pronta. Deixarei essa mudança para um segundo momento. Aguarde.

Abraços!

Lucas CS

Esclarecimentos

Assim como tudo que escrevo, algo no meu dia-a-dia motiva-me a vir aqui, em meu blog, e perder um pouco do meu tempo para ficar digitando as letras, formando palavras e frases conexas (ou não, como em algumas poesias). Hoje, em especial, venho para prestar esclarecimentos ao leitor.
Quando escrevo um conto, utilizo como base muito pouco de minha própria realidade e experiências pessoais. É claro que, ao escrever, tudo se mistura e fica um pouco difícil de identificar o que é meu e o que é do imaginário e alheio, mas deve ficar claro que não se trata de um simples relato - e sim um conto, o qual surge de inspirações com situações, sensações e até ideias sem sentido (minhas ou não!) que aparecem no dia-a-dia e me motivam a escrever. Poderia citar aqui um conto que menos de 1% usei de minhas experiências pessoais, de meus próprios sentimentos para escrever: O Bancário. Nossa, ele é totalmente insano, contando a história de um psicopata que mata pessoas e ainda come pedra sentindo prazer. Foi uma inspiração alheia que tive depois de ler a Vitrina de Luzbel, de Aulo Sanford. Mas coloquei, sim, também coisas minhas, minha visão, alguns sentimentos, tudo se mistura quando escreve.
Por outro lado, em geral, quando escrevo uma poesia, vai acima de 90% do que eu sinto e vivencio. Minhas poesias são sublimações legítimas e extremamente ligadas ao meu aparelho psicológico. Posso dar uma boa "viajada", pois gosto de fugir um pouco do romantismo em certas horas e explorar outras vertentes literárias, mas não sei citar uma poesia que não fosse diretamente relacionada a mim.
As crônicas são variadas. Algumas tem muito de mim, quando geralmente sou um pouco mais poético - aparecem às vezes sem querer algumas rimas e as frases podem parecer cadenciadas, harmônicas -, mas também podem chegar a se assemelhar em muito aos meus contos, sendo simplesmente uma inspiração.
As citações não são minhas, então sobre isso nem tenho o que falar. Os romances seguem a mesma linha dos contos. E, por fim, as resenhas são como as dissertações: transcrevo minhas ideias e convicções, às vezes sensações também, sobre algo - nas resenhas, o livro ou filme.
Solicito que considerem isso ao ler o que escrevo, para evitarmos maus entendidos. :)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A Dissecação dos Sonhos



Cansei. Mais uma noite de pesadelos. Sou estudante de Medicina do segundo ano e neste semestre iniciaram as práticas de dissecação dos cadáveres em Anatomia. Já me enojava e arrepiavam as aulas sobre o corpo humano mesmo sem ter que cortar os rígidos, porém sensíveis - embora já mortos - tecidos daqueles corpos. Desde que isso começou, passei a ter pesadelos recorrentes sobre cadáveres.
Do meu primeiro sonho eu jamais me esquecerei. Estava em uma praia deserta, que abrigava uma grande fábrica. Era noite e eu e uma colega fugíamos de algo monstruoso que nos perseguia. Em dado momento do sonho, minha colega sumiu e eu passei a correr e me esconder sozinho. É quando me deparo com um cadáver sem pele, só com músculos e demais estruturas aparentes, e pego em sua mão para que fugíssemos juntos. De repente, eu o pego em meu colo e parece que eu estava roubando-o de algum lugar, e não mais que estivéssemos juntos nessa. E, por fim, eu era o cadáver, mal conseguindo fugir. Então, eu acordei.
Deste pesadelo de hoje, eu não lembro mais, mas recordo-me que também era relacionado a esses corpos inanimados. Acordei com uma sensação ruim, típica daqueles sonhos os quais suscitam sentimentos perturbadores. Contudo, já logo fui tomar banho, comer meu desjejum e seguir a rotina de sempre.
Tendo em vista que foi uma noite muito mal dormida, na aula noturna eu acabei dormindo sentado. Quando acordei, estranhei, pois não tinha ninguém mais na sala, as luzes estavam apagadas e o único som que dava para notar era do vento, fazendo bater nas janelas de vidro alguns galhos dos pinheiros, e das corujas. A porta da sala estava encostada, e meu material não estava mais ali. Achei tudo muito estranho, sem sentido, mas não demorei a ir à porta, para sair logo daquele local inóspito.
No corredor, tudo estava naquele mesmo clima: luzes apagadas, barulho do vento e dos animais da noite. Confesso que saí correndo lentamente em direção à porta de saída do centro de ensino. Quanto mais perto dela chegava, no entanto, eu ouvia cada vez mais claramente um som que parecia ser de rádio. Pensei: o segurança, com certeza. Então, acalmei-me e respirei mais tranquilamente, passando a caminhar mais devagar. Eu nunca tinha notado como era grande esse corredor.
Quando o som começava a atingir o pico de sua intensidade, percebi que não era da sala do zelador que vinha ele, mas do laboratório de anatomia. Parei. Senti um profundo arrepio. Pensei: mas que bobagem! Deve ser algum mestrando ou doutorando com suas pesquisas. E voltei a caminhar, ainda assustado. Comecei a sentir uma leve dor de cabeça e a fraquejar. Apressei o passo. A dor e a astenia ficavam cada vez mais intensas. Cheguei ao lado do laboratório de anatomia. Apaguei.
Quando acordei, ia coçar meus olhos para os abrir, já que a luminosidade do ambiente estava alta, mas não consegui. Meu coração deu um tumtá isolado e mais forte que o comum e minha respiração deu uma ofegada rápida. Por que diabos eu não conseguia mexer nenhum dos meus braços? Abri, com dificuldade, meus olhos, após algumas tentativas frustradas. A luminosidade alta era de uma luminária colocada exatamente acima da minha cabeça, a qual também estava imóvel, mas meu pescoço estava levemente erguido, de forma que eu podia ver grande parte do meu corpo. Com dificuldade, consegui ver a brancura do teto e das paredes a minha frente. Quando percebi que estava em uma espécie de maca, assustei-me ainda mais do que já estava. Será que eu tive uma convulsão? O que é isto, um hospital? O que está acontecendo? Parei de refletir e voltei a olhar para meu corpo, na tentativa de encontrar alguma resposta material para minhas perguntas. Não havia nada de errado. Eu estava praticamente por inteiro coberto com um lençol branco, sem sujeira, sem sangue, sem nada.
De repente, voltei a ouvir o som de rádio de antes, o qual aumentava de intensidade aos poucos. O que é isto, pensei. O som lembrava aqueles rituais satânicos que se vê em filmes. Palavras que eu não conseguia decifrar eram pronunciadas em grave forte, até que, no pico de sua audição, pararam. Ufa, pensei. Aquilo estava me deixando ansioso.
Desesperado, no entanto, fiquei para valer quando, ao redor do meu corpo, surgiram sete vultos enegrecidos. Não dava para ver bem quem eram ou o que eram. Pareciam apenas vultos escuros, tipo uma fumaça negra condensada. Eu queria me mexer, sair correndo dali, mas não conseguia. Meu coração batia forte, eu já sentia falta de ar e transpirava muito. Não conseguia, de jeito nenhum, me mover. Comecei a chorar - o que mais eu podia fazer? Para piorar, os vultos estavam ali, inertes, sem fazer nada, apenas parados ao meu redor.
Fechei meus olhos e, num ato de desistência total do que estava por vir, comecei a fazer uma oração. Senti uma dor enorme na cabeça logo ao começá-la, e uma rigidez absurda por todo meu corpo. Abri meus olhos. Os vultos, todos ao mesmo tempo, abriram suas bocas e começaram a dizer, um por um: "Morte", com um grave intenso, feito monges tibetanos. Parecia um mantra. Nesse momento, eu já pensei: acabou, não há mais o que fazer, seja lá o que for isso, vou morrer. Então, eles pararam de falar e o som do rádio, com dizeres em outra língua, voltou a tocar, quase me ensurdecendo.
Um dos vultos começou a erguer algo que parecia um de seus braços, trazendo-o na direção do meu braço esquerdo. Outro, do outro lado, fez a mesma coisa, vindo em direção ao meu braço direito. De repente, meus braços, que antes imóveis estavam ao meu comando, começaram a se mover animados pelos vultos negros, eu conseguia sentir. Eles saíram um pouco do meu foco de visão, mas senti cada mão agarrando um objeto frio, textura uniforme - um metal. Calçaram este objeto em uma das mãos, era uma tesoura. Na outra, pegaram feito uma caneta, era um bisturi. O lençol que me cobria foi rapidamente puxado por algo que parecia um vento. Voltei a ver minhas mãos e confirmou-se o que havia sentido pelo tato: em uma, a tesoura; em outra, o bisturi.
O bisturi encostou em minha pele, na altura do esterno e perpendicularmente às costelas. Eu não acreditei mais, era irreal. Eu estava começando a dissecação do meu próprio corpo. E, com um movimento rápido e ao mesmo tempo delicado, abri a pele de meu tórax da altura do manúbrio até o processo xifoide. Em seguida. O sangue começava a escorrer, em alguns pontos jorrava fracamente. Desmaiei.
Quando acordei, tinha uma roda de colegas ao meu redor, alguns chorando, outros gritando por ajuda. Deu para ver meu professor na frente da sala sem saber o que fazer. Eu estava sentado na sala de aula, conforme tinha dormido anteriormente, mas minha camiseta estava toda ensanguentada, tirei-a rapidamente. Vi uma marca de cicatriz recente semelhante ao corte que descrevi acima em meu peito. Como isso tudo? Fora um sonho. Mais um pesadelo, mas este com uma incrível capacidade de envolver o imaginário no real. Me deixei cair em lágrimas, ninguém ao meu redor sabia o que fazer - todos estavam tão assustados quanto eu, pois tudo isso acontecera instantaneamente, para eles o tempo não havia passado, não havia pesadelo, não havia nada, só um colega de classe que estava dormindo e de repente começou a ficar todo ensanguentado.
Respirei fundo, enxuguei as lágrimas. Olhei para a janela, para me confortar com a paisagem da natureza. Vi o Hospital, vi os pinheiros, olhei para o céu, hoje bem estrelado, lindo. Enfim, me acalmei. Falei para todos que eu estava bem, e comecei a guardar meu material, para ir para casa, já que a aula naquelas condições não continuaria. Quando fui abrir a porta, ouvi um fraco som de rádio, meu coração bateu forte. Tomei coragem e abri logo a porta para finalmente sair deste local tenebroso. Um vulto a minha frente, exatamente a minha frente, apareceu. Eu desmaiei.
Acordei em minha cama, sem cicatriz, sem sangue, sem vultos, sem nada. Somente aquela sensação terrível e perturbadora de ter tido um pesadelo. Como pude ter sonhado com tudo isso? Só quero esquecer.

Nota: assim como todo conto que escrevo, este muito pouco tem de realidade de minha própria vida e de minhas experiências pessoais. É claro que tudo se mistura ao escrever, mas não há aqui um relato, e sim um conto, o qual surge de inspirações com situações, sensações e até ideias sem sentido que aparecem no dia-a-dia. Neste conto, em especial, muito pouco usei da minha realidade pessoal. O primeiro sonho, que descrevi acima, de fato, sonhei, logo no segundo semestre da faculdade. De resto, nada ou muito pouco transferi dos meus próprios sentimentos e angústias. Reuni minha vontade em escrever sobre como seria se o próprio corpo fosse dissecado, por si mesmo, e relatos e histórias que vi, ouvi ou li sobre a relação dos estudantes de Medicina com as aulas de Anatomia.

domingo, 4 de novembro de 2012

Sonhos que se apagam.



E o que fazer quando se encontra pessoas interessantes, com que gostaria de compartilhar mais de sua vida e da dela, mas não vê como concretizar isso, seja qual for o motivo?

Reclamar do destino.
Ou, talvez, melhor: reclamar de si.

Mas de que adianta reclamar, se isso nada é capaz de mudar?

O que eu faço para te conhecer?
O que eu faço para fazer com que você me conheça?

Ou meus sonhos se realizam,
Ou quero sonhar eternamente, em um sono profundo.

Cansei de sonhos apagados pelo destino.

Desejo felicidade ao meu alcance.

Tudo será luz.



Já faz tantos meses, tanto tempo se passou desde que tudo ocorreu. Não foi minha primeira paixão, tampouco será a última. Mas foi intensa e nunca repercutiu tanto quanto as anteriores. Mal nos conhecemos e eu já senti que era aquilo que queria, o tanto que procurava. Logo começamos a namorar, a nos divertir, a brigar, a chorar, a voltar a curtir, a sofrer novamente, e a terminar tudo que mal havia começado. Uma mistura desleal de prazer e dor, amor e ódio.
E, com o fim, naturalmente espera-se a finitude. No entanto, como nada nesse universo se perde, essa relação se transformou. Mal nos falamos, quando nos vemos trocamos poucas palavras. Até aí, tolerável... Todavia, quando na vida as coisas simplesmente param no "até aí"? Jamais. Parece rotina: a cada uma ou duas semanas, sei de alguém que se envolveu com essa paixão já superada. Até aí, tolerável... Todavia, jamais para em "até aí": a cada uma ou duas semanas, alguém me conta algo ruim e deprimente dessa minha paixão já superada. E meu sentimento é sempre semelhante: primeiro, o desprezo; segundo, a compaixão; terceiro, o arrependimento; quarto, a indiferença; quinto, o esquecimento. Entretanto, depois de já terem se passado mais de vinte semanas, o desprezo aumenta, a compaixão é suprimida, o arrependimento assustadoramente provocado, a indiferença desejada e o esquecimento cada vez mais implorado, como se fosse necessário fazer uma lobotomia para apagar a memória, visto que a cada uma ou duas semanas jorrava combustível na fogueira, inutilizando minhas tentativas de apagá-la eternamente.
Depois de tanta reflexão - não por vontade, mas por simplesmente fugir do meu desejo - sobre isso, fico feliz em saber que eu realmente amei. Se não tivesse amado, eu não teria compaixão, não me preocuparia, não buscaria conversar, alertar sobre o que está acontecendo. E é bom saber que se é capaz de amar, em um mundo em que o desamor e o desafeto é tão hipocritamente e silenciosamente cultivado.
Triste e decepcionante é sentir dor e caírem algumas lágrimas por esse desamor. Quero um amor que eu possa ofertar e receber mais em troca, para que eu possa amar ainda mais. Quero um ciclo vicioso de amor, e não de ódio e desprezo. Quero felicidade, e não falso sorriso, falsa diversão, falsos amigos, falso eu. Quero poder ser eu. E ser feliz sendo simplesmente quem sou: quem ama e deseja ser amado.
Hoje já não tenho mais paixão e acho que nem amor, possivelmente só um pouco de compaixão. Mas o que me entristece é novamente um sonho ter sido uma mera ilusão. Podia amar a vida inteira, cultivar a felicidade, a cumplicidade, casarmos, termos filhos, conhecer o mundo, conhecermos a nós mesmos. E não me interessa quão clichê, idiota, recalque possa parecer: sobre meus sentimentos e desejos não aceito uma crítica sequer. "I'm titanium".
O que me preocupa, contudo, é o tempo que já passou e como não consegui chegar nem perto de um relacionamento feito esse com a ex-paixão - que dirá de ter um como acabei de descrever, aquele que sonho. Me apavora cogitar que nunca concretizarei esse meu sonho. Me destroi não poder ser 100% eu mesmo.
Todavia, continuarei a sonhar. Quando for para desistir dos meus sonhos, desistirei da vida. Acredito, portanto, sim, na vida, nos sonhos, acredito em mim. Então, embora triste, confuso, preocupado, apavorado, perdido na escuridão, dentro de mim eu sinto uma luz poderosa pulsar, e que ainda a plenitude alcançará. E tudo será luz: comigo, com quem amo - só luz.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Há esperança.



Era uma vez - sim, era uma vez, pois deste ser que irei narrar hoje só resta esta história - um pequeno boneco desenhado em um pedaço de papel. Fora desenhado por uma criança. Era já a décima tentativa de desenhar seu amigo imaginário. Era bonito esse boneco, para um desenho de palitos em um papel feito por um infante.
A criança se perguntou como desenharia a alegria do amigo e fez nele um grande sorriso. O amor e dedicação plantou nos olhos grandes e brilhantes, e num discreto, porém gordo e presente coração que transpassava a roupa do boneco. O companheirismo ficou por conta de um outro amigo, que ainda não fora apresentado - e nem nunca acabou sendo -, de mãos dadas ao boneco do imaginário colega. A felicidade do menino desenhista estampada ficou no forte sol amarelo-alaranjado e o conforto que sentia com o amigo retratou nas campinas verde-claras com algumas flores e no céu azul com nuvens em forma de algodão.
Estava pronto o desenho. Meu querido amigo, pensou o criador, ficaste exatamente como eu te imaginava! Agora me farás companhia sempre que precisar. Vou te carregar no bolso e...
E a mãe do rapaz o chamou para ir jantar.
Esqueci de contar: era inverno e havia sido acendida a lareira para se esquentar o interior da casa. O comodismo do calor emanado da lareira contrastou, no entanto, com a fúria de sua brasa, pegando fogo e explodindo sua raiva interior.O carvão um dia já foi uma grande árvore, com um tronco forte e juvenil, inúmeros ramos e galhos de onde suas folhas verde-escuras brilhavam sob a luz Solar e sob os quais ficavam suspensos alguns frutos de cor rubra. Acumulou a força que empreenderam ao cortar seu tronco, separá-lo de suas folhas e frutos, e, por fim, a energia enegrecida que tirou a vida da árvore e a fez carvão.
A lareira gritou "Não há alegria" e uma de suas brasas atingiu o sorriso do nosso querido boneco. "Hoje? Duvido amor e dedicação nesse mundo" e queimou os olhos do amigo imaginário. "Companheirismo é para os fracos! Aos fortes é reservada a manipulação, o uso das coisas e pessoas conforme for o desejo do manipulador" e queimou o colega de mãos dadas ao boneco. "Felicidade... Como haver felicidade com tanta desgraça? A felicidade é uma mentira!" e queimou em uma tacada só o grande e poderoso Sol desenhado pelo menino. "E nesta merda de mundo, em que não há alegria, não há amor, companheirismo, sequer felicidade. NÃO HÁ CONFORTO! Mentem os que o dizem possuir" e queimado foi do desenho o céu e as campinas. "Não há vida", decretou a lareira com suas brasas e neste momento já estava quase toda a casa incendiada.
O criador, a criança, então, correu em busca de sua criação, o boneco amigo imaginário, e lá encontrou apenas um coração pequenino, mas gordo e ainda presente - e pulsante -, e o agarrou com delicadeza, pois agora frágil estava, e, em posição de prece, balbuciou: "Há esperança". E os dois queimaram, juntos, na alegria do menino ter encontrado ainda um resquício de sua criação, em um claro gesto de amor e dedicação, digamos também de companheirismo, e morrendo, assim, feliz e confortado por não estar sozinho, já que a mãe a qual o havia chamado para comer também não existia - nem um pai, nem um irmão, nem uma família. Queimaram todos juntos - o criador, a criação e a brasa da lareira - e somaram-se ao pó da casa, dos lápis que o menino utilizou para desenhar e pintar, dos projetos abandonados do boneco, papéis esses que no lixo estavam jogados. E o pó seguiu o rumo dos ventos até chegar a este escritor, para contar a sua história: há esperança até no último suspiro, mesmo que ainda assim esteja sozinho.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Crônica da amizade e da felicidade


Amigos, cuidado:
1) Se você nunca teve amizades reais, verdadeiras e fortes, não tire conclusões precipitadas e maldosas de fatos que podem ser simplesmente inocentes, só porque você nunca viveu aquilo daquela forma.
2) Pense antes de falar. A palavra é poderosa e podemos gastar saliva dando-nos poder para nossos objetivos de vida, ou podemos perdê-la tentando - com ineficácia significativa - prejudicar as metas alheias.
3) A vida do outro é a vida do outro. Ou seja: cuide da sua e deixe as pessoas viverem como desejarem e da forma pela qual sejam mais felizes.
4) Se alguém compartilha algo de sua vida contigo, não é para que  o julgues ou para que uses isso que foi compartilhado para causar mal a quem se abriu contigo. Simplesmente quando alguém faz isso, o faz porque gosta de ti e quer compartilhar experiências positivas que vem vivendo. Para que você curta com essa pessoa.
5) Se você não seguir esses meus conselhos, além de cercar-se de uma grande negatividade e maus hábitos em relacionamento, cercar-se-á de más companhias - aquelas que (sobre)vivem do mal alheio - e, no final, acabará sozinho mesmo.
Portanto, cuidado, meus amigos... Os pensamentos, palavras e atitudes com teor de maldade e falsidade que cultivam e praticam são coisas que os consolidam em seus vícios e que só trarão infelicidade! Não desperdice energias com isso. Invista sua energia em amizades verdadeiras; palavras de amor, conforto, fraternidade; atitudes positivas, de crescimento pessoal e coletivo. Invista em sua felicidade.
Conte comigo para esse tipo de relação.
Conte com minha indiferença para qualquer outro.

domingo, 2 de setembro de 2012

Pouco Amor


Falta amor neste mundo. Há muita dor, muitas feridas, muito sorriso falso.
Pouco amor.
Pergunto-me se poucos realmente merecem ser amados.
E acredito, no fim, que todos devem ser amados, até aqueles que ferem quem os ama.

sábado, 1 de setembro de 2012

O Início



Davi, apenas um jovem de 21 anos, ainda finalizava a transição entre a adolescência e a vida adulta. Seu corpo era moreno claro, facilmente escurecido com o apoio do Sol, tinha cabelos negros como o carvão e olhos cor-de-jabuticaba. Em seu semblante, sempre um sorriso. Facilmente soltava um riso, porque para esse jovem a vida tinha de ser motivo de felicidade, embora ele compreendesse o quão complexa era - e isso o trazia muita tristeza -, pois além de muito inteligente, tinha sabedoria. Não havia no mundo, ao alcance do meu conhecimento, pessoa com um objetivo de vida tão claro e definido quanto esse rapaz: transformar a vida daqueles que passassem por seu caminho, acrescentando algo positivo e duradouro nela.
Eu o acompanhei durante todos esses 21 anos. Vi o rapaz dando seu primeiro berro, a primeira sucção no peito de sua mãe, vi ele crescer, aprender a caminhar, a falar, a ler, a escrever, a viver. Vi o primeiro namoro, dando o primeiro beijo amoroso, perdendo a virgindade e se envolvendo nesse relacionamento como se jamais ele tivesse fim. Nunca me esqueço como foi difícil para o Davi terminá-lo. Chorava todos os dias, controlava-se para não pegar o telefone e falar "volta, por favor". Uns três meses assim... E ficou ainda mais uns nove aprendendo a esquecer a pessoa amada. Passaram-se cinco anos e ele teve de reaprender isso, depois de outro namoro, com Pedro.
Em janeiro daquele ano, Davi foi a outra cidade com uma amiga conhecer uma festa diferente. Bebeu, dançou, divertiu-se, a festa estava ótima. Havia vários meninos e meninas encarando-o, pedindo pelo seu olhar. Ele apenas dançava, até que, em um momento especial, ele fitou um menino que o encarava. Seus olhares se encontraram, e Davi olhou a alma daquele rapaz nesse momento. Era ele. Era ele por quem esperava. Não quis tomar a iniciativa, ficou ali, dançando, olhando para o rapaz e sorrindo. E o rapaz retribuía. Até que o menino começou a caminhar, dando uma volta pelo Davi, como se fosse um planeta orbitando em seu Sol. E os olhares fixos entre si. E um sorriso em cada boca. E o meu protegido - Davi - resolveu dar alguns passos para ir próximo ao rapaz. Você demorou, disse. E conversaram mais algo, até que selaram seu envolvimento em um beijo sincero e profundo. O rapaz, dos olhos como janela da alma, era Pedro, o ruivo. Passaram o resto da festa juntos e eu no fundo sabia que aquela não seria a única noite entre os dois.
Pedro morava naquela cidade, onde a festa ocorreu. Era uma hora de distância de onde morava Davi. O tempo passou, eles se encontravam com certa frequência, em geral aos finais de semana, e começaram a namorar. Havia um amor sincero entre eles. E foi esse amor que fez o meu protegido desaprender sobre como esquecer uma pessoa. Somente em três meses de contato, o namoro teve de ser terminado. Pedro queria festa, diversão e descomprometimento, enquanto Davi, como sempre foi, desejava amor, dedicação e comprometimento. Davi ficou sozinho, já Pedro com várias companhias.
Eu chorei junto ao meu menino, que vi nascer e, como de um dia para o outro, de criança tornar-se quase um homem adulto. Chorei junto todos os dias em que ele lembrava de Pedro e dizia para si "Eu preciso esquecer". E fiquei tão frustrado quanto ele, quando pessoas especiais - algumas bem mais que o ruivo - apareciam no caminho dele e ele simplesmente não conseguia retribuir o interesse que elas demonstravam. Davi realmente tinha desaprendido a esquecer um sentimento desses.


Este é o terceiro conto de uma série que está sendo publicada no blog. Em breve, os próximos serão lançados, dando continuidade à história.
São estes os contos anteriores:
2º) A Noite - http://cslucass.blogspot.com.br/2012/08/durma-meu-irmao.html
1º) A Coincidência. Coincidência? - http://cslucass.blogspot.com.br/2012/08/a-coincidencia-coincidencia.html

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fantasma de Ouro



Era dezembro de 1991, os moradores de Brightville, cidadezinha no interior de Nevada(EUA) com descendência brasileira estavam fugindo para longe de sua cidade pela ameaça de um fantasma.
Mas os “centrais”, João, Jorge, Gabi e seu cachorrinho, Bandit, que tinham esse apelido por morarem no bairro Central da cidade, não acreditavam em fantasmas, e estavam decididos a investigar por conta própria esse mistério para provar que fantasmas não existem.
Estavam reunidos na casa de Gabi, saboreando a bolachinha deliciosa que só sua mãe, dona Marta fazia, quando decidiram conversar sobre esse mistério do fantasma.
 - Gente, é ridículo esse papo de fantasma! – disse João – Deve ser alguém querendo brincar com o pessoal da cidade, não é possível!
 - Tudo bem, mas como vamos provar isso, galera? – perguntou Jorge aos outros centrais à espera de uma resposta.
 - Ai, é fácil gente! É só a gente começar a investigar esse mistério! – falou Gabi demonstrando facilidade para responder à pergunta de Jorge.
 - Então, vamos ter que pensar, onde podemos começar a investigar? – perguntou Jorge.
 - Temos que iniciar nossas investigações onde tudo começou...! – disse João.
 - Isso mesmo João, mas onde? – perguntou Gabi.
 - É claro! A fazenda abandonada de dona Maria! – respondeu João após alguns minutos de pensamento.
 - Quando começamos? – perguntou Jorge entusiasmado.
 - Por mim, agora mesmo! Tudo bem para vocês? – respondeu João.
 - Tudo! – responderam animados Gabi e Jorge ao mesmo tempo.
Então foram correndo para a fazenda abandonada da dona Maria, passaram pela praça do centro do bairro, passaram pelo cinema da cidade, pela sorveteria DiBoa, e entraram no bairro Velho, após 15min de caminhada, finalmente conseguiram chegar.
 - Ufa! Nunca pensei que uma cidadezinha como BrightVille poderia ser tão grande... – brincou Jorge.
 - Então... Homens primeiro! – falou Gabi apontando para a fazenda.
 - Vamos gente, não podemos perder tempo! – disse João, que correu para a fazenda abandonada, logo seus amigos atrás seguindo ele.
Quando chegaram à fazenda, já cansados, sentaram numa pedra que estava ali, onde cabiam todos. Após descansar um pouco em silêncio, haviam percebido que estava faltando alguém.
 - Gente, alguém viu o Bandit? – perguntou preocupada Gabi.
 - Meu deus, cadê o Bandit! – exaltou-se Jorge.
 - Ai, ele deve ter ficado no caminho! – disse Gabi tentando achar uma explicação para o ocorrido.
 - Fazemos assim, vamos investigar o local e depois, vamos atrás do Bandit, não devemos demorar muito tempo aqui. – disse João.
 - Ai não! Coitadinho do Bandit está perdido por essa cidade, com o perigo de ter um fantasma! – disse Gabi, preocupada com Bandit, e já perdendo a razão.
 - Gabi, vai ver não tem nada de mal acontecendo, só ele se perdeu no caminho, e ele é esperto o bastante para nos achar! – tranqüilizou Jorge.
 - Vamos investigar a fazenda gente, não podemos perder tempo! – disse João.
E eles vasculharam toda fazenda à procura de alguma pista para o mistério. Olharam primeiro nas margens do rio que ficava do lado da fazenda, não tinha nada, olharam o casebre, e só acharam aranhas e lagartixas que fizeram os cabelos de Gabi arrepiarem, que logo se recuperou dos sustos. Agora só restava para investigar é o estábulo.
 - Ai gente, vamos embora! Não tem nada aqui... – desabafou Gabi apavorada com os insetos e constrangida por não terem encontrado nada.
 - Ei gente, ainda falta o estábulo! – disse João apontando para aquela estrutura abandonada e com telhas caídas.
Logo correram para lá, e entraram naquele estábulo, que por dentro, estava escuro, mas muito mais preservado que o casebre, não encontraram nenhuma teia de aranha sequer.
 - Ai que beleza, nenhum inseto nojento! – disse feliz Gabi.
 - Olha, é uma pista, enquanto o casebre estava infestado de insetos e totalmente abandonado, o estábulo está intacto por dentro, sem nenhum bicho sequer. – analisou João.
Logo após a última letra dita por João, a porta do estábulo fechou, deixando os centrais na penumbra.
 - Gente, não enxergo nada! – disse Jorge.
 - Quem fechou a porta? – perguntou Gabi.
 - Calma, vou pegar minha lanterna na mochila. – disse João, sempre com sua mochila cheia de artefatos de detetive.
Quando João acendeu a luz da lanterna, achou Jorge e ouviu um grito de Gabi.
 - Gabi, você está bem? – gritou Jorge preocupado.
 - Sim, cai aqui no chão, podem me ajudar? – respondeu Gabi, que tinha tropeçado numa caixa.
João posicionou a lanterna de forma que Jorge pudesse enxergar Gabi e ajudá-la, e aí reparou naquela caixa onde Gabi havia tropeçado. Era uma caixa preta com um desenho de uma barra de ouro estampado em um dos lados do objeto, e abaixo da figura, uma sigla: G.O.L.D. Após Gabi se levantar e se recuperar do tombo, João correu para a porta, onde ele a abriu e o estábulo se encheu de luz, não precisando mais da lanterna.
 - Gente, olhem para essa caixa! – disse João apontando para o objeto.
 - Que estranho, ela parece ser novinha, vamos abri-la? – disse Jorge.
Quando abriram a caixa, acharam vários frascos cheios de pó branco, João pegou um deles e logo os centrais foram para fora do estábulo.
 - Já temos uma pista, mas o que será que é esse pó branco... – disse Jorge.
 - Acho que já está na hora de irmos para casa, já é meio-dia! – lembrou Gabi.
Então eles foram para o bairro Central, onde se dirigiram até a casa de Jorge.
 - Gente, almocem todos aqui, minha mãe já deve ter preparado o almoço! – convidou Jorge – E depois vamos procurar Bandit, concordam?
Gabi e João aceitaram e logo foram almoçar o feijão com arroz e o bife que normalmente era o prato principal naquela cidadezinha estadunidense com descendência brasileira. Após almoçarem, os centrais foram para frente da casa de Jorge, ficar na varanda e discutir sobre o mistério.
 - Pessoal, hoje ainda temos tempo para duas coisas: falar com o nosso professor de química para ver se ele consegue descobrir o que é esse pó, e depois disso, ir atrás do Bandit. – disse João.
 - Então vamos logo! - disse Jorge entusiasmado.
 - Ai gente, eu vou dar uma volta, não estou me sentindo muito bem... – falou Gabi ainda muito triste com o desaparecimento de Bandit.
 - Ei Gabi, não se preocupe com o Bandit, logo ele aparece por aí... E é só a gente entregar este frasco para o professor de química que já vamos procurar ele. – disse Jorge entendendo a situação.
 - Vocês podem ir, eu só queria ficar um pouco sozinha, estou muito abalada...
 - Gabi, a gente vai indo, qualquer coisa, sabes que estaremos no laboratório de química com o professor Saulo, melhoras! – disse João.
 - Até mais! – se despediu Gabi.
E os dois foram para o laboratório, enquanto gabi ficou ali para pensar um pouco em tudo que esta acontecendo. Já no laboratório de química da escola, os garotos foram até o professor de química, Saulo, para perguntar sobre o frasco.
 - Olá professor! – disse João e Jorge ao mesmo tempo.
 - Ah! Olá meninos... Como andam as férias? – saudou o professor.
 - Bem... – responderam todos receosos. – Na realidade professor, a gente veio aqui para ver se o senhor pode nos dizer o que é esse pó. – mostrou João.
 - Claro que posso analisar ele para vocês, mas vai demorar uma semana. – falou o professor Saulo.
 - Você não pode fazer isso mais rápido? – perguntou Jorge.
 - Posso tentar Jorge, mas só posso dar a garantia de que irei fazer o possível, tudo bem? – disse o professor.
 - Tudo bem então, aguardamos o resultado! – respondeu Jorge.
 - Tchau, obrigado! – se despediu Jorge e João.
Logo saíram do laboratório e foram para a sorveteria DiBoa chupar o picolé mais famoso da cidade, o de morango com pedacinhos da fruta. Já na sorveteria eles conversavam enquanto chupavam o picolé.
 - Tomara que os resultados sobre o pó branco saia logo para a gente descobrir se tem alguma relação com o fantasma! – disse ansioso Jorge.
 - Depois daqui acho que poderíamos ir tentar achar a Gabi, ela deve estar por aí tentando achar Bandit... – refletiu João.
 - Vamos indo agora, já estou quase terminando! – disse Jorge.
 - Então vamos!
Foram caminhando devagar pelo centro da cidade em busca de Gabi, o picolé acabou, o sol estava se escondendo, os passarinhos começavam a cantar quando eles vão descansar na varanda da casa da amiga e encontram um papel:
 “ Um entre outros, um na multidão, como um qualquer, sozinho no escuro, escondido de dia, quem sou eu? “ Fantasma de Ouro.
- Jorge, o que será que ele quis dizer? Por que ele deixou esse papel aqui na varanda da casa da Gabi? O que será que ele quer?
- Olha João, preciso descansar um pouco, dar uma refletida, é muita coisa em pouco tempo, sugiro a gente ir dormir e amanhã cedo, ir em busca desse fantasma que amedronta a tantos, e se mostra a poucos.
- Tá bom então Jorge, boa noite! – se despediu João.
- Tchau!
E os dois vão para suas casas, dormir na noite de lua cheia, com os grilos quietos, escondidos do perigo e os cães uivando. Ao amanhecer do dia, Jorge acorda após um pesadelo e liga para João para contar o fato.
- João, você não vai acreditar no que eu sonhei! – disse ao telefone Jorge.
- Jorge, são oito da manhã, não queres esperar dar dez horas? Estou morrendo de sono! – apelou João.
- É importante! Aliás, estou te esperando aqui em casa para tomar café da manhã e eu te contar como foi meu sonho e o que isso representa para nossa aventura!
João acordou, tomou banho, se ajeitou e quando estava indo para a casa de Jorge, três casas distante na mesma rua, achou o colar com um pingente de cristal que ele e Jorge haviam dado à Gabi no dia em que sua avó morrera, ele pegou o colar e continuou seu pequeno trajeto. Chegando na casa de Jorge, tocou a campainha e ninguém respondia, então tomou a liberdade de entrar. Encontrou o café da manhã preparado e servido em cima da mesa, gritou pelo nome de Jorge e ninguém respondeu, então resolveu subir as escadas e ir ao quarto do amigo. Quando abriu a porta viu o amigo se derramando em lágrimas olhando para uma foto, que olhando mais de perto João percebeu que era de sua mãe.
- Jorge, sinto muito... – disse João.
 - João, ela me mostrou uma coisa no meu sonho! –disse Jorge.
 - O que exatamente?
 - Ela estava me guiando pelo cemitério da cidade, puxava minha mão como fazia quando estava viva, até que parou numa lápide, a de Auríder Lamparin. Ela me falou alguma coisa que não me lembro e me mostrou o colar com o pingente de cristal que a gente havia dado a Gabi quando sua avó morrera, e jogou este para longe, muito longe. Será que o fantasma existe mesmo?
 - Isso eu não sei, mas aqui está o pingente. – mostrou João.
 - Onde estava?
 - No caminho da minha casa para a sua!
 - João, o que será que isso significa? – perguntou assustado Jorge.
 - Só saberemos a resposta da sua pergunta continuando com as investigações. – disse João.
 - Aonde vamos agora?
 - Deixe-me pensar...começou na fazenda abandonada, depois... Samantha desapareceu no banheiro das meninas no colégio!
 - Então vamos até o colégio, João!
E os garotos foram até o colégio Minerva para tentar encontrar mais alguma pista do fantasma. Ao chegar no colégio, toparam com o professor de química, Saulo.
 - Ah! Olá meninos. – falou Saulo – Andei dando uma olhada no frasco que vocês me entregaram, e o pó branco contido dentro tem substâncias que indicam transformação na cor, mais alguns dias e irei identificar o que realmente é isso.
 - Obrigado professor! Aliás, será que você sabe por onde anda a diretora Evans? – perguntou João.
 - Ela está na sala dos professores, meninos, houve outro aparecimento do fantasma, quem sumiu foi Haira Maggins, a loira da sétima B. – disse o professor.
 - João, acho que antes mesmo de nós irmos falar com a diretora, temos que ir à biblioteca, fazer uma relação das pessoas desaparecidas. – disse Jorge.
 - Isso mesmo! Tchau professor. – disse João.
 - Tchau meninos!
E os dois foram para a biblioteca do colégio que estava vazia, só estava a bibliotecária “Sra. Rabugenta”, a professora Isabel.
 - O que os dois fazem aqui? – perguntou sarcasticamente a professora.
 - Viemos ler livros de literatura inglesa, Rabu. – mentiu Jorge.
 - Eu já disse para pararem de me chamar de Rabu, o que é isso? Seus pestes... o que vocês estão tramando? Ah, eu vou descobrir... – disse Isabel nervosa.
 - Com a sua licença Isabel, gostaríamos de nos dirigir até a mesa do canto da biblioteca e ler livros de literatura inglesa. – falou educadamente, mas sarcasticamente João e os dois foram se sentar.
 Já na mesa de canto, eles pegaram um papel com pauta e começaram a pensar nos fatos importantes dessa aventura.
 - Bem, a primeira aparição do fantasma ocorreu na fazenda abandonada, mas quem desapareceu primeiro foi Bandit, seguido da Gabi, depois Samantha desapareceu no banheiro do colégio e por último, Haira Maggins, mas onde ela sumiu? – disse Jorge.
- Ouvi o Max comentando que ela havia desaparecido depois do treino de vôlei, no vestiário do colégio.
- Jorge, você percebeu que, com exceção de Bandit, todos os desaparecidos são meninas de 14 anos?
- Mas deve ter algo escondido... algo me diz que devemos falar com a diretora agora mesmo!
E os dois correram para a sala dos professores, e encontraram a diretora Evans com seus olhos azuis de gata siamesa, capaz de conquistar o olhar de qualquer um, diferente de outras diretoras, era loira, jovem e ágil, em seus trinta anos de idade já se formou em química, trabalhou na escola de professora e conseguiu virar diretora do colégio mais importante da cidade.
 - Olá Jorge e João, tudo bom? – disse a diretora.
 - Oi diretora Evans, eu e o Jorge viemos falar com você sobre o desaparecimento de nossas amigas de classe Samantha e Gabi, além da menina da sétima B, Haira Maggins. – disse João.
A diretora ficou meio trêmula aos meninos tocarem no assunto, mas não abriu mão de contar-lhes o que sabia.
 - Meus queridos alunos... É uma série de desaparecimentos, não se sabe ao certo o que está ocasionando isso, mas boatos dizem que é um fantasma.
 - Sabemos disso diretora, mas o que estamos querendo descobrir é onde Haira Maggins sumiu, e qual a relação com os outros desaparecimentos! – disse João.
 - Haira sumiu no laboratório de química, após a aula do professor Saulo

(O romance foi abandonado antes de ser finalizado.)

Vidas Opostas



Olho nos teus olhos
Consigo ver o que quero
Amor, sentimento
Algo que não me transmitia como queria
Como seres que mostram nos olhares
Tanto amor, tanto sentimento
Podem ter vidas tão opostas?
Dói muito quando preciso de você
E você não pode estar comigo
Dói demais quando preciso ouvir te amo
E você parece estar mudo
Preciso ver, ouvir e sentir o que sentes por mim
Estou inseguro, mas assim que é amar,
Sou amado?
Quero que me digas e prove isto da melhor forma
Com seu carinho, atenção, amor
Preciso que você me diga que sou seu
E que és meu
Ou fico inseguro no que fazer,
No que falar, no que ouvir
Preciso que demonstre seu amor da melhor forma
Mas...vidas opostas
Tanto amor e tanta dor
Falta tempo, atenção e dedicação
Sei que não é escolha, mas obrigação
Sabes que me incomoda
Também sei que não podes fazer nada
Por isso digo...vidas opostas!
O que fazer?
Apenas faça aquilo que pensas
E não te esqueças...
Eu te amo!

A Espera do Sol



Perdido no escuro do mundo
Perdido num caminho difícil
Eu tento andar
Mas pareco estar no mesmo lugar
Eu tento mudar
Mas sou sempre o mesmo
Nesse trajeto,
Caminhar, caminhar, caminhar.
Sei que não sou o único
Mas eu sofro, e como!
Aquele ponto em que
Não se consegue realizar nenhum sonho...
É o preço que se tem
Por atrasar um aprendizado
Fugir, se esconder
Estar sempre do outro lado.
É tão ruim sofrer
Aceitar, sem conseguir viver
Voce tenta mudar
E disso tudo um aprendizado tirar
Perdido no escuro do mundo
Sem conseguir sair
Sofrer, chorar
Entender, aceitar
Por mais que leia
Mude, compreenda
Aquilo te persegue
Até mesmo na sua tenda
Sei que um dia
Voltará o amanhecer
O Sol novamente irá brilhar
Para os meus olhos encantar
A luz, o calor
O Sol com sua suavidade e amor
Despertando novamente
O sentimento de mudança
Alimentando a esperança
Um dia melhor está por vir
É só acreditar e servir
O momento certo esperar
Pois esse dia irá chegar
Dia renovado
Onde o Sol irá brilhar
Energizar, ensinar
E, no escuro, não irei mais estar.

Um Sonho de Amor



Andando pelas ruas,
Beleza imensurável apareceu
Atraiu minha atenção
E conquistou meu coração.

És tu, minha princesa.
Conquistou meu reino
Só com o brilho do teu olhar
E a ti agora, resta-me amar.

És a mais bela,
És a mais doce.
Superas as famosas,
As ricas, as rainhas.

Quando citou meu nome
Meu coração explodiu
Quando escondido beijou,
O pulsar, mil vezes aumentou.

Gesto simples e rápido
Mas que ao meu coração
Fortemente tocou
E logo exalou muita emoção

Sozinho sem nada falar
Ria, cantava e... sonhava.

Todo esse paraíso
Então real não era.
E você, minha bela
Viu seu príncipe,
que voltou a ser fera.

Experimente fazer
Como a historia diz
Beije o sapo,
Príncipe virará
e te tornara feliz.

Levarei-te às nuvens,
A planetas distantes
Galáxias, dimensões paralelas
Aonde queiras ir
Para pelo menos
Somente para mim, sorrir.

A luz do meu amor
facilmente não se apagará
Pois espero que
Nada nos separe!

Unidos pelo fio invisível
Que eu teci com o amor
É isso que sinto
Agora só falta você
Ofertar sua flor

E assim dançarmos,
Usufruir deste momento
Como se fosse eterno
Um beijo, só um, bem lento.

Sei que não queres,
Sei que não me amas.
Mas estou aqui a te olhar,
A sempre te admirar.

E você sem nem saber
Imaginar mil coisas
Todas tolas,
Pois a única verdade é o amor

O amor é a ligação,
O sentimento que levará à união.

Um dia acredito,
Você vai saber
E, a mim,
Vai escolher.

Te amo, doce mulher
Dança comigo essa noite
E aproveita a lua cheia
Pois tudo é possível, creia.

O Amanhecer de um Novo Dia



Noite de lua nova passou
Onde a escuridão predominava
E a chuva caia
Amanhece um novo dia
Vejo o Sol alegre, radiante.
E vejo pouco a pouco os vestígios da noite irem passando
As gotas da chuva evaporam,
Os raios da esperança aparecem novamente
E iluminam o caminho que devo seguir,
O caminho para a felicidade
Onde o amor é a minha água
Que cura minha sede neste longo trajeto
E meu alimento é você
Que agora ao meu lado,
Me faz prosseguir
E ver que depois da noite de lua nova,
Sempre há um amanhecer, junto de você.

A rosa não tem face.



O amor às vezes nos confunde
Várias faces, vários olhos
Incerteza na mente
Mas que a gente sente

Sorrir, cantar
Para assim poder,
O nosso amor exalar

Suave perfume
Que sinto na brisa
Lindo rosto
Que agora brilha.

Tudo é bonito,
Tudo encanta.
Vem aqui agora
E me convida para essa dança.

E assim dancemos juntos
Essa música perfeita
Que soa em meus ouvidos
Toda vez que te vejo
E me dá uma vontade de roubar-te um beijo.

O amor muda,
A gente sente.
Tudo sempre fica diferente
Para confundir nossa mente.

Para Sempre



Contigo sempre vou estar
Porque a ti eternamente vou amar
Sua mão, seu carinho
Sua boca, seu beijo
Nunca irei esquecer
O toque, o gosto
O calor que vem a mim
Me faz sempre pensar que não tem fim
Algo tão belo e feliz
Jamais morrerá
E cada dia que passar
Mais forte estará
Para eu sempre desfrutar
Da felicidade
De ao seu lado estar.

Amor Platônico




Quando te conheci
Vi como e quem você é
Não imaginava que seria quem eu quero
Mas a força do momento falou mais alto
Me vi obrigado a gostar, a amar você
Como eu te quero!
Como você me quer?
Me queira ao seu lado,
Eu preciso de você
Você me confunde
Mas você me completa
Um amor tão impossível
Mas tão querido!
Quero beijar você
Quero amar você
Você é o que eu quero
Você é quem eu preciso
Me queira ao seu lado,
Eu preciso de você
Preciso de você para conversar
Preciso de você para brigar
Você agora é meu Sol,
Quando tempos atrás
Pensei que era apenas uma simples estrela.
Desculpe-me, conheça-me
Venha para os meus braços:
Quero viver uma aventura...
Quero viver contigo
Um amor platônico.

Alienação



Mundo burro, pobre
Não olha, ou não quer ver
A pessoa pensa saber
Mas só sabe o que não existe
Olha-se pela camada,
Mas não pelo núcleo
Acoberta o culpado
E o inocente é preso
Mundo burro, pobre
Pobre de consciência
Pobre de vida
Pensa que se tem
Uma roupa bonita já é popular
Mas na realidade,
Cria uma consciência de superior
Que o deixa cada vez mais isolado
Alienado
Vê por fora,
Ao invés de ver por dentro
Fecha seus olhos ao que está à sua volta
E só vê o que dizem
Burro,
Ignorante,
Alienado!

domingo, 26 de agosto de 2012

O Valor das Pessoas



Algumas pessoas simplesmente não compreendem por que eu dou valor a toda criatura que passa pelo meu caminho, mesmo sabendo que algumas aparentemente não valem nada.
Em primeiro lugar, acredito que todos têm seu valor, por menor que seja.
Em segundo, sou assim por autopreservação. Se não há alguém com valor nesse mundo, se todos não prestam nem um pouco, se a superficialidade move as pessoas, bom... eu não deveria dar valor a ninguém. E agindo dessa forma, eu também passaria - uma hora ou outra - a não ter valor nenhum. E eu me recuso a ter uma vida fútil e superficial, me recuso a ser um qualquer zé ninguém, sem valor, sem amor, sem sinceridade com a vida e com os sentimentos próprios e alheios.
Compreendem, agora? Se eu passar a não dar valor, assim, eu vou me destruir.
Fora que eu acredito, sim, que haja pessoas de valor - algumas com muito!! - por aqui... Como seria se eu me enganasse e a uma pessoa dessas eu não desse valor nenhum?
Eu jamais me perdoaria por dar a alguém menos valor do que essa pessoa mereça.
Logo, prefiro me decepcionar, e diminuir aos poucos o valor que dou a certas pessoas, do que simplesmente não esperar nada de ninguém.
E, por fim, acredito na força do valor que depositamos nas pessoas. O amor, o carinho, a dedicação, tudo isso é capaz de transformar. Algumas pessoas simplesmente são o que são porque nunca realmente foram amadas ou compreendidas. Quero dar a chance de isso acontecer a (ao menos, algumas d') elas.
Por isso, então, eu dou valor a toda criatura que passo pelo meu caminho: por amor a mim, e por amor a ela.

Medo



Texto muito bom, escrito por um amigo. Fiz questão de postar no meu blog.

"Por várias vezes, neste mesmo blog, eu falei sobre morte, sobre desafios, escolhas e eventos de minha vida. Mas nunca eu tirei um tempo para falar de algo um pouco mais íntimo e que desvenda um pouco mais sobre minha própria personalidade.
Seres humanos sentem medo, é natural, é o instinto falando. Sem o medo, seríamos inconsequentes. Alguns temem o escuro, outros temem os mortos, pessoas temem pessoas... São características que nos definem, que moldam nosso jeito de ser e como reagimos a certas circunstâncias.
Vocês bem sabem que da morte eu não tenho medo. Chegará minha hora e devo aceitar, apesar de que ficarei muito triste pelos que possam sofrer minha perda. Realmente isso me deixa nervoso, mas não com medo.
Mas então, serei eu um destemido corajoso que não teme nada? Não. Aliás, acredito ser impossível uma pessoa não sentir medo de pelo menos alguma coisa, por mais que negue sempre temos nossos monstros vivendo dentro de nós mesmos.
Pensando profundamente, cheguei a conclusão de que somente duas coisas podem me deixar com muito medo. A primeira delas... bem, não vem ao caso agora. A segunda, que é o motivo de estar escrevendo este texto, essa sim tem o poder de me deixar noites sem dormir, de despertar dores profundas em meu estômago e implantar a pior dor de cabeço do mundo em questão de segundos.
O que seria esse medo?
Eu vos digo: eu tenho medo de ficar sem dinheiro.
Calma, não me julguem por fútil ou algo parecido. Sei que a felicidade existe mesmo para aqueles que vivem à mercê da sociedade. Mas vivo em uma situação hoje que muito me preocupa acordar certo dia e descobrir que não tenho nada.
É triste a realidade em que vivemos, onde tudo depende de um pedaço de papel com um valor escrito. Ou pior, onde um número em uma tela eletrônica indica o que você pode fazer e até quando sua liberdade pode continuar.
Já imaginou acordar certo dia e dar-se conta de que você não tem dinheiro para pagar o seu aluguel? Onde você irá morar? E que não tem dinheiro para pagar suas contas? A luz, o gás, a internet... Pior ainda, que não há dinheiro suficiente para um almoço. Quantos dias você aguentaria sem poder comer? E se não tivesse dinheiro para pegar um ônibus? Se suas roupas estivessem velhas e gastas e não pudesse comprar mais?
Tudo bem, coisas materiais. Mas você já reparou que hoje não se tem amigos sem dinheiro? Ou quando você combina de sair com seus amigos, para comer, ver um filme, jogar algum jogo, ou mesmo dar uma volta, nada é gasto? Se você não tem dinheiro, você não pode acompanhar seus amigos nas atividades que mantem suas amizades.
Acredito em amizades verdadeiras, que duram além disso. Amigos que pagam coisas uns para os outros, também. Mas sempre tem que haver a recíproca, não é?
O pior fato de todos: já pensou, além de não ter dinheiro, você morar longe de sua família? Do seu suporte de todas as horas? É. Você não teria como ir até eles, entrar em contato com eles, pedir ajuda.
Julgamentos a parte, este é meu segundo maior medo. Profundo, intenso, de me tirar o sono, fazer meus cabelos caírem e minha idade avançar mais rápido. Talvez seja por isso que muito me perco em filmes como Into the wild, livros do Amyr Klink, histórias de pessoas que vivem um passo a frente da construção de nossa socieda. Mas ao mesmo tempo, acho impossível eu ter uma vida fora do sistema...
Não sei, medos costumam ser confusos e o meu não é diferente.
Uma dica, se quiseres entender melhor o que estou falando, é o filme "O Preço do Amanhã (In time)". Quando o vi, senti meu medo construído na tela de minha televisão.
Sabe como deve se sentir alguém preso a uma jaula, com pouca luz e sem ter o que fazer? É exatamente assim que eu me sentiria se um dia não tivesse dinheiro. Sonhos são lindos, planos podem facilmente ser desenhados. O fato é que a vida de adulto nos traz um desprazer muito grande, e esse desprazer é saber que para realizá-los é sempre preciso alguém para custeá-los..."


Desse trecho "Mas ao mesmo tempo, acho impossível eu ter uma vida fora do sistema..." eu penso que esse é o meu pior medo, acredito que seja o medo que me separa da felicidade real.
E me questiono: o medo move ou imobiliza nossas vidas?
Para refletir...
Excelente crônica!!


Luiz Fernando Zago, blog Também não queria ter um desses. (http://tbnaoqueriaumdesses.blogspot.com.br/)

sábado, 25 de agosto de 2012

Mundo de Idiotas



Sabe quando algum babaca qualquer vem e joga na sua cara que vc não vale nada, mas fica se fazendo de bonzinho?
Sabe quando, depois disso, vc fica se questionando se realmente faz sentido o que a pessoa falou e fica pensando sobre os motivos que a levaram a falar isso?
E sabe quando, após tudo isso, você sente um grande alívio por chegar à conclusão de que realmente é uma pessoa maravilhosa, com qualidades raras - e também seus defeitos comuns e incomuns, como qualquer outro homem -, e fica com raiva de si e da outra pessoa por ter ficado uma semana se corroendo por dentro por cogitar a possibilidade de ser apenas mais um idiota nesse mundo de idiotas, feito esse babaca ali?
Pois é... às vezes acontece. Mas me consola saber que esse tipo de babaca tem mesmo uma grande vida de bosta, enquanto eu tenho uma vida de agradecer a cada dia a D-us por tê-la, por ser tão abençoada.
Obrigado, D-us, por viver e poder ter a convicção de que eu sou uma boa pessoa nesse mundo. Espero que algum dia esse bando de babacas possa ter um gostinho de como é ser assim, pois meu desejo mesmo é que todo ser humano cativasse de uma vida dessa forma.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Noite



Naquela noite escura, de tão bem acompanhado - com quem realmente queria - tão sozinho estava, as lágrimas corriam pelo rosto. Ele havia me abandonado.
O velocímetro alertava: eu estava rápido demais. Meu coração alertava: eu estava rápido demais. Meu peito, agora ofegante, alertava: eu estava rápido demais.
Mas, ora, como não desejaria eu sair dessa situação? Pois queria correr mesmo!
O carro seguia rasgando o vento pela estrada, iluminando a noite que agora era tão sombria.
Dormi.
Acordei.
Por que tanta luz?

- Davi... Eu já esperava por você.
E ele chorou.
 - Durma, meu irmão. Nós vamos te ajudar. - falou aquele ser reluzente.
E dormiu, profundamente, depositando sua fé nessa ajuda.

(Este é o segundo conto de uma série que está sendo publicada no blog. Em breve, os próximos serão lançados, dando continuidade à história. O primeiro você encontra aqui: http://cslucass.blogspot.com.br/2012/08/a-coincidencia-coincidencia.html)

O Odor da Morte

Sou a lama escorrendo sobre seu rosto, manchando-o com o pútrefo odor da morte.
Caio do nada, onde nada há de ser e nada há de viver.
Para que viver?
Hei de sobreviver.
Você vai morrer.
Para que viver?
Você também vai sobreviver.
Vamos morrer.
Estou morto por dentro.
Doença. Raiva. Dificuldades. Sobrevida. Morte. PARA QUE VIDA?
Não há.
Você morrerá.
Não tenho nada, e nada terás.
Sim, eu vou te carregar. Ao nada comigo irás.
Sou a lama sobre seu rosto
O pútrefo odor da morte
Do nada vim e de nada hei realmente de ser, nada viverei
E para isso te levarei: para o nada.
Tens tudo
Eu nada
És tudo
Eu nada
Queres tudo
Eu nada
Podes tudo
Eu nada
Eu, nada.
Tu, tudo
Eu nada.
Tu nada.
Nademos, nessa lama.
E morreremos, juntos nessa ilusão de que só há sobrevida.
Te banho de lama
Morramos.
Estou morto.
Morra também!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Coincidência. Coincidência?



Pedro já estava em seus trinta anos, quando os poucos fios brancos dos vinte já se haviam multiplicado, formando quase mechas brancas em seu cabelo cor de fogo. A pele alva, manchada com as sardas no rosto, já denotava sinais de seu envelhecimento, com algumas rugas - embora as espinhas, as quais sempre o incomodavam, ainda persistissem e podiam dar um ar de jovialidade àquele homem que se aproximava cada vez mais da meia idade. Sua expressão, no entanto, continuava a mesma: inerte, talvez por uns considerada não muito amigável. Era o que seus amigos avaliavam, até conhecer realmente a inércia do rapaz ao vê-lo desmaiar em pleno refeitório da universidade, onde estudava para seu doutorado.
Pê, pê, pê! Pêêê, por favor, Pedro! Acorda!, falava uma amiga em seu ouvido. E, pálida e lentamente, Pedro acordou de sua transitória inércia absoluta. Era a quinta vez que isso acontecia naquele ano.
 - Pedro, tá tudo bem contigo? Como estás se sentindo?
 - Estou bem, Fabi... É como sempre, só estou um pouco sem forças... Não sei mais o que eu faço!
 - Pê, não é possível que os médicos não tenham descoberto ainda o que aconteceu, querido. Tenta ir atrás de algum especialista, não sei... Está cada vez mais frequente esses teus desmaios! Estou preocupada!
Nisso, um amigo do Pedro resolveu intervir:
 - Pedro, eu já comentei contigo que eu sou espírita, não é? Sabe, em muitos casos os quais a ciência não consegue explicações, o espiritismo consegue encontrar uma resposta. Estou preocupado contigo, meu amigo. Como a Fabi falou, é cada vez mais recorrente esse teu desmaio e eu venho percebendo que tens estado estranho ultimamente... Eu compreendo que se não compartilhasse conosco o que está acontecendo direito contigo é porque no momento não te sentes à vontade. Quero dizer que estou aqui para o que precisares e te sugiro que vá a uma casa espírita conhecer o trabalho que lá é realizado e ver se de alguma forma podem te ajudar com isso.
 - Biel, deixa o Pedro, sério... ele precisa é de um especialista! Tem que encontrar a causa desse problema... Não dá para continuar assim.
 - Não, Fabi, realmente eu estou me sentindo diferente... Também não sei o que está acontecendo. Agradeço tuas palavras, biel, mas também não vejo por que visitar o centro espírita... Tu sabes que minha família é católica e, embora eu não seja nenhum praticante, busco viver minha vida respeitando isso. Mas agradeço mesmo tua preocupação e tudo o mais.
 - Tudo bem, Pedro, mas saiba: eu estou sempre aqui, para sempre que for preciso, meu amigo.
 - Eu também, Pê.
 - Obrigado, Biel e Fabi. Obrigado mesmo! Vou ficar um pouco aqui sentado, tomar uma água... Até logo!
E o dia passou tão rápido para o Pedro, foi tudo tão automático, que logo chegou a noite. Ele, em sua cama, pensava sobre o que estava acontecendo. Por que ele andava tão apático - mais que de costume -, a vida parecia não dar prazer, ele não conseguia se concentrar direito em seus estudos, e ainda tinham esses desmaios! O que estava acontecendo? Sempre fora tão saudável, tão de bem com a vida, cheio de amigos... E dormiu, com essa preocupação.
Pedro... Pedro... Pedro! Levanta teus olhos, olha para mim. Quem é você? Nossa, não consigo nem abrir meus olhos direito... de onde vem toda essa luz? Abriu os olhos. Era um moço loiro alto. Asas? Que enormes asas são essas, ele deixou escapar seu pensamento pela boca. Você é um anjo ou algo do tipo? O que quer comigo, questionou preocupado. Meu irmão querido, você está passando por um momento delicado de sua vida, e isso se manifesta com todos esses problemas que vens enfrentando, como os desmaios. Você precisa buscar ajuda. Olhe onde estamos agora: é aqui que deverás vir, onde há quem possa te ajudar. Pedro olhou para cima e viu escrito "C.E. Paz e Luz". Acordou.
Que sonho estranho foi esse? Nossa, como estou molhado... o que foi isso, pensou consigo em voz alta. Levantou-se e foi pegar um copo d'água. Ficou intrigado, mas o sono logo retornou e a ele se rendeu.
Era sábado já, o dia nasceu e o ruivo acordou bem disposto. Tomou seu café-da-manhã e foi logo ao mercado fazer as compras da semana.
 - Ei, Pedro! Pedro!
Era Gabriel (Biel).
 - Oi, meu querido! Tudo certo contigo?
 - Tudo bem, sim. Ei, tenho algo para te dar! - e entregou um folheto.
 - Deixe-me ver... - Pedro ia batendo com os olhos quase sem atenção, quando assustou-se. Ao lado de uma imagem de um anjo com luzes saindo de si, escrito estava "Centro Espírita Paz e Luz".
 - É o centro espírita que minha família frequenta. Pensei em te dar, caso algum dia precises ir lá e eu não esteja por perto para te levar.
 - Obrigado. - falou, sem raciocinar direito, Pedro. Ainda estava assustado com o ocorrido, pois lembrava-se perfeitamente daquelas letras em tom azul escuro escritas na parede branca do templo no qual o anjo apareceu em seu sonho.
 - Viu, já vou lá pagar as compras. Minha filha está em casa com a babá, e não gosto de deixá-la muito tempo sozinha. Fique bem, Pedro!
 - Igualmente, Biel! Até segunda!
E não foi só naquele sábado monótono que o ocorrido ficou em sua cabeça. Durante todo o final de semana, Pedro ficou em sua casa, sentado em seu sofá lendo o livro novo que comprara, tendo agora como marca-páginas o pequeno informativo da casa espírita. Não leu nem dez páginas em dois dias quase inteiros.  Mais olhava para aquele informativo, para a imagem do anjo, para as letras, esse folheto lhe era mais interessante que o próprio livro novo. Não, não pode ser verdade. Estou ficando maluco. É muita coincidência!
Embora a monotonia do final de semana em casa, aliada à intriga dos ocorridos nos últimos dias, não fosse suficiente para tornar pior aquela segunda-feira, ainda assim era uma segunda-feira como todas: desgostosa, que anseia fortemente por preguiça ao acordar. Vontade de continuar sempre na cama, dormindo, lendo, refletindo. Longe de tudo e de todos. Apenas consigo.
Pedro arrumou sua pasta, e colocou entre os livros da universidade o seu novo livro, com o marca-páginas intrigante. Resolveu ir caminhando para o local de estudo, coisa que nunca fazia sem ser de carro - embora entre sua residência e a universidade o trajeto não exigisse mais que quinze minutos de caminhada. Pensativo, caminhava lentamente, olhando para baixo. Ainda o intrigava o que aconteceu. De repente, distraído, confrontou-se com um poste e caiu no chão sem reagir. Nem direito a susto o pobre rapaz teve. Mais um desmaio.
Acordou em uma maca, ao lado de uma mulher desconhecida. Não enxergava ainda muito bem, mas podia ver bem seus seios avantajados e cabelos longos e dourados. Concentrou-se, abriu e fechou os olhos. Uma linda mulher!
 - Pedro, não é? Eu já esperava por você.
Sequer pensou na estranheza do que a mulher havia falado. Distraiu-se por um instante e olhou para o teto: em sua frente estava uma parede branca, com o escrito "C.E. Paz e Luz" em letras azuis escuras. Chorou.
 - Durma, meu irmão. Nós vamos te ajudar. - falou a linda mulher.
E dormiu.

(Este é o primeiro conto de uma série que será publicada no blog. Em breve, os próximos serão lançados, dando continuidade à história.)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O viciado quer a cura.



Queria falar do ódio que sinto por ti. Da única chance que te dei, feito como faço aos demais. Mas tu bate, corta, aperta, sufoca, contorce, estica meu coração. E passa uma, passa duas, passa a terceira vez e não há mais volta: sou viciado em ti. Dá-me a cura. Devolve-me teu amor e permite-me voltar a ser feliz, contigo ou sem ti. Mas ajuda-me... Teu silêncio condena tua alma ao maior pecado - dos quais poucos sábios profetas falaram -,

(A crônica foi abandonada antes de ser finalizada.)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Viver amando.


É triste dedicar muito amor a uma pessoa e ser tão facilmente esquecido e ignorado por ela em um momento breve. Muito triste...
E mais triste ainda é ter a certeza de que pessoas assim serão amadas cada vez menos, e amarão cada vez menos. Um ciclo sem fim de desamor.
E arrisco dizer: sem amor, não há vida - somente sobrevida. 
Eu desejo que quem eu amo viva, e viva feliz, muito!

Jamais rejeite o amor de uma pessoa. Se não é do jeito que desejas, transforme-o - não o perca.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Apenas vá



Meus olhos querem fechar, mas eu não permito. Desde que aquela lágrima, única, solitária, cortante desceu por minha face, não os permito fecharem-se sem antes expor o que sinto.
Em meio a toda minha loucura de ser, viver, relacionar-me, jamais seria capaz de te dizer isso, então escrevo e desejo que nunca leias isto mesmo. Esta poesia é minha, para ti, mas só para mim. Aqui, minha. Para mim. Para ti?

Há aqui um coração machucado
Há um ser por si e entre si desprezado
Há amor ignorado

E não há
Não há verdadeiro amor, ardor, calor,
Onde foi parar o interesse?
Quando mais o mundo ultrapassará o umbigo daqueles que me olham e me desejam?
Pois não me deseje!
Deixe-me, deixe-me em paz com minha loucura, com meu jeito insano e até deprimente - deprimente, mesmo - de ser!

Prefiro a solidão à mentira
Prefiro o vazio à vaga plenitude

Há mais lágrimas caindo...
Cortam ainda mais meu coração que já cansou de sofrer
E que sabe só D-us como ainda pulsa, haja vistas às suas cicatrizes.

Se a vida ainda não te ensinou, aqui passo tua lição:
Não magoes jamais quem não merece ser magoado.
Este coração aqui não merecia de novo ser maltratado...

Mas não há volta.
O que foi, foi. E tu nunca voltarás.
E pois não volte mesmo!
Há coisas na vida as quais a chance é única.
E lá se foi a tua.

Vou aprender a viver sozinho, comigo mesmo.
Ser feliz e gozar da vida...
Quem sabe um dia apareça alguém para compartilhar realmente essa alegria de viver.
Mas já percebi que não serás tu.
 Então vá, vá. Não me incomode, não nos incomode, apenas: VÁ.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O Dia Mais Feliz



Como a lembrança do dia mais feliz da minha vida pode hoje me trazer tanta tristeza?
Quero-o novamente.

sábado, 14 de julho de 2012

A Bênção da Morte Trágica



Eu vou contar a história de um indivíduo bem particular: moreninho, não muito alto, nem muito baixo, magriiinho, olhos negros como seus cabelos, sorriso feliz e contagiante, gesticulador, entusiasmado, parece sempre animado. Mas como ele é, fisicamente, na verdade não importa. Vou contar sua história:
Antes de nascer, antes mesmo de o espermatozoide fecundar o ovócito, sua alma estava sendo moldada pelo Arquiteto dos Espíritos. D-us faz cada um de sua forma, com sua peculiaridade, e a desse rapaz foi nascer com a habilidade de fazer as pessoas admirarem ele, seja por sua benevolência, seja por sua inteligência, por seu altruísmo, por suas habilidades. Mas toda boa particularidade tem um preço, e o desse menino era se desintegrar, implodir cada vez mais, a cada admiração.
"Você escreve muito bem, adoro ler tudo!"
Bum!
"Você é lindo!"
Bum!
"Nossa, você realmente é inteligente!"
Bum...
"Eu casaria contigo!"
Bum? Bum.
...
O preço da vida é a morte, mas essa morte, que corroi aos poucos a alma do rapaz e cria um vazio no meio de tantas implosões, faz jus literalmente ao que disse um célebre escritor "O que aprendi é que a tragédia da vida não é a morte, mas o que vai morrendo dentro de nós, enquanto vivemos". E que morte trágica a do magrinho.
A cada admiração, surgia um questionamento:
Escrevo bem? Adora ler o que escrevo? Então por que não me abraça e vem ler o que estou escrevendo?
Sou lindo? Então por que me privas do teu beijo, do teu corpo?
Sou inteligente? Conversa comigo! Por que não conversa comigo e prova da minha inteligência, enquanto eu conheço a tua?
CASARIA COMIGO? Então por que estou sozinho?
E um grande questionamento surge, a partir do que disse Roald Dahl: "Não tem a menor importância quem a pessoa é ou qual é a sua aparência, contanto que alguém a ame."
E quando todos dizem te amar, mas só o que você precisa é de amor, e não de palavras?
Esse é o vazio do menino. Esse é o meu vazio. Eu me dedico a cada alma que passa por meu caminho. Ouço, aconselho, escrevo, sorrio, abraço, beijo, simplesmente olho, falo falo falo, tudo. Eu amo cada pessoa que cruza meu caminho. Mas grande parte da vida pareço incapaz de sentir que me amam também. Me sinto sozinho, acuado, sentado chorando no canto do quarto escuro, onde todos dormem e a criança chora pelo medo de estar sozinha.
Eu sei que não importa quem sou, ou minha aparência. Um dia deixarei de ser e aparentarei pó tal qual acontece com todos. Mas quem me ama? Isso é importante. Isso traz solidão. Isso me deixa vazio.
E por isso as palavras me corroem: cada uma delas grita dentro de mim com eco, daquele que ecoa em caverna da era retrasada. Lindo! Lindo, lindo, lindo, do, do, do, do.... Sei, admiração. Sim, meu vazio.
Mas quando, por bondade divina, sinto o amor retribuido, não em palavras, mas no fundo do espírito, então eu me apaixono. E simplesmente tenho medo de perder aquilo que tão dificilmente aparece em minha vida. E eu me cobro, para que cada um dos elogios que recebi em minha vida sejam realmente verdade, concretos. Tenho que ser perfeito, não posso perder esse amor. E me preocupo tanto, me exijo tanto, exijo tanto de quem me ama, grito, esperneio, sufoco - sufoco-o e sufoco-me. E eu perco o amor. E eu encaro a triste solidão vazia, amargurada, transparente e ao mesmo tempo opaca por minha alma que deveria ser multicolor. E eu não aceito! Eu fujo de mim, fujo para ti, faço besteiras, perco a noção de mim, pois O QUE RESTA DE MIM?
Ninguém merece viver eternamente solitário, essa grande tragédia de alguém que quase nunca se sentiu amado, mas que ama cada criatura que passa por seu caminho.
E essa é a história do menino bem particular, abençoado pelo Arquiteto dos Espíritos com a admiração alheia, e amaldiçoado pela solidão quase que incessante.
Um ego incessante. Solitário e incessante.
Vazio.
Como viverá tantos anos mais, tão morto assim logo jovem?
Merece vida. Ganhará vida, nem que ganhe somente mesmo após a morte.
Que morte trágica a desse magrinho!