domingo, 4 de novembro de 2012

Tudo será luz.



Já faz tantos meses, tanto tempo se passou desde que tudo ocorreu. Não foi minha primeira paixão, tampouco será a última. Mas foi intensa e nunca repercutiu tanto quanto as anteriores. Mal nos conhecemos e eu já senti que era aquilo que queria, o tanto que procurava. Logo começamos a namorar, a nos divertir, a brigar, a chorar, a voltar a curtir, a sofrer novamente, e a terminar tudo que mal havia começado. Uma mistura desleal de prazer e dor, amor e ódio.
E, com o fim, naturalmente espera-se a finitude. No entanto, como nada nesse universo se perde, essa relação se transformou. Mal nos falamos, quando nos vemos trocamos poucas palavras. Até aí, tolerável... Todavia, quando na vida as coisas simplesmente param no "até aí"? Jamais. Parece rotina: a cada uma ou duas semanas, sei de alguém que se envolveu com essa paixão já superada. Até aí, tolerável... Todavia, jamais para em "até aí": a cada uma ou duas semanas, alguém me conta algo ruim e deprimente dessa minha paixão já superada. E meu sentimento é sempre semelhante: primeiro, o desprezo; segundo, a compaixão; terceiro, o arrependimento; quarto, a indiferença; quinto, o esquecimento. Entretanto, depois de já terem se passado mais de vinte semanas, o desprezo aumenta, a compaixão é suprimida, o arrependimento assustadoramente provocado, a indiferença desejada e o esquecimento cada vez mais implorado, como se fosse necessário fazer uma lobotomia para apagar a memória, visto que a cada uma ou duas semanas jorrava combustível na fogueira, inutilizando minhas tentativas de apagá-la eternamente.
Depois de tanta reflexão - não por vontade, mas por simplesmente fugir do meu desejo - sobre isso, fico feliz em saber que eu realmente amei. Se não tivesse amado, eu não teria compaixão, não me preocuparia, não buscaria conversar, alertar sobre o que está acontecendo. E é bom saber que se é capaz de amar, em um mundo em que o desamor e o desafeto é tão hipocritamente e silenciosamente cultivado.
Triste e decepcionante é sentir dor e caírem algumas lágrimas por esse desamor. Quero um amor que eu possa ofertar e receber mais em troca, para que eu possa amar ainda mais. Quero um ciclo vicioso de amor, e não de ódio e desprezo. Quero felicidade, e não falso sorriso, falsa diversão, falsos amigos, falso eu. Quero poder ser eu. E ser feliz sendo simplesmente quem sou: quem ama e deseja ser amado.
Hoje já não tenho mais paixão e acho que nem amor, possivelmente só um pouco de compaixão. Mas o que me entristece é novamente um sonho ter sido uma mera ilusão. Podia amar a vida inteira, cultivar a felicidade, a cumplicidade, casarmos, termos filhos, conhecer o mundo, conhecermos a nós mesmos. E não me interessa quão clichê, idiota, recalque possa parecer: sobre meus sentimentos e desejos não aceito uma crítica sequer. "I'm titanium".
O que me preocupa, contudo, é o tempo que já passou e como não consegui chegar nem perto de um relacionamento feito esse com a ex-paixão - que dirá de ter um como acabei de descrever, aquele que sonho. Me apavora cogitar que nunca concretizarei esse meu sonho. Me destroi não poder ser 100% eu mesmo.
Todavia, continuarei a sonhar. Quando for para desistir dos meus sonhos, desistirei da vida. Acredito, portanto, sim, na vida, nos sonhos, acredito em mim. Então, embora triste, confuso, preocupado, apavorado, perdido na escuridão, dentro de mim eu sinto uma luz poderosa pulsar, e que ainda a plenitude alcançará. E tudo será luz: comigo, com quem amo - só luz.