Sou a lama escorrendo sobre seu rosto, manchando-o com o pútrefo odor da morte.
Caio do nada, onde nada há de ser e nada há de viver.
Para que viver?
Hei de sobreviver.
Você vai morrer.
Para que viver?
Você também vai sobreviver.
Vamos morrer.
Estou morto por dentro.
Doença. Raiva. Dificuldades. Sobrevida. Morte. PARA QUE VIDA?
Não há.
Você morrerá.
Não tenho nada, e nada terás.
Sim, eu vou te carregar. Ao nada comigo irás.
Sou a lama sobre seu rosto
O pútrefo odor da morte
Do nada vim e de nada hei realmente de ser, nada viverei
E para isso te levarei: para o nada.
Tens tudo
Eu nada
És tudo
Eu nada
Queres tudo
Eu nada
Podes tudo
Eu nada
Eu, nada.
Tu, tudo
Eu nada.
Tu nada.
Nademos, nessa lama.
E morreremos, juntos nessa ilusão de que só há sobrevida.
Te banho de lama
Morramos.
Estou morto.
Morra também!