sábado, 1 de setembro de 2012
O Início
Davi, apenas um jovem de 21 anos, ainda finalizava a transição entre a adolescência e a vida adulta. Seu corpo era moreno claro, facilmente escurecido com o apoio do Sol, tinha cabelos negros como o carvão e olhos cor-de-jabuticaba. Em seu semblante, sempre um sorriso. Facilmente soltava um riso, porque para esse jovem a vida tinha de ser motivo de felicidade, embora ele compreendesse o quão complexa era - e isso o trazia muita tristeza -, pois além de muito inteligente, tinha sabedoria. Não havia no mundo, ao alcance do meu conhecimento, pessoa com um objetivo de vida tão claro e definido quanto esse rapaz: transformar a vida daqueles que passassem por seu caminho, acrescentando algo positivo e duradouro nela.
Eu o acompanhei durante todos esses 21 anos. Vi o rapaz dando seu primeiro berro, a primeira sucção no peito de sua mãe, vi ele crescer, aprender a caminhar, a falar, a ler, a escrever, a viver. Vi o primeiro namoro, dando o primeiro beijo amoroso, perdendo a virgindade e se envolvendo nesse relacionamento como se jamais ele tivesse fim. Nunca me esqueço como foi difícil para o Davi terminá-lo. Chorava todos os dias, controlava-se para não pegar o telefone e falar "volta, por favor". Uns três meses assim... E ficou ainda mais uns nove aprendendo a esquecer a pessoa amada. Passaram-se cinco anos e ele teve de reaprender isso, depois de outro namoro, com Pedro.
Em janeiro daquele ano, Davi foi a outra cidade com uma amiga conhecer uma festa diferente. Bebeu, dançou, divertiu-se, a festa estava ótima. Havia vários meninos e meninas encarando-o, pedindo pelo seu olhar. Ele apenas dançava, até que, em um momento especial, ele fitou um menino que o encarava. Seus olhares se encontraram, e Davi olhou a alma daquele rapaz nesse momento. Era ele. Era ele por quem esperava. Não quis tomar a iniciativa, ficou ali, dançando, olhando para o rapaz e sorrindo. E o rapaz retribuía. Até que o menino começou a caminhar, dando uma volta pelo Davi, como se fosse um planeta orbitando em seu Sol. E os olhares fixos entre si. E um sorriso em cada boca. E o meu protegido - Davi - resolveu dar alguns passos para ir próximo ao rapaz. Você demorou, disse. E conversaram mais algo, até que selaram seu envolvimento em um beijo sincero e profundo. O rapaz, dos olhos como janela da alma, era Pedro, o ruivo. Passaram o resto da festa juntos e eu no fundo sabia que aquela não seria a única noite entre os dois.
Pedro morava naquela cidade, onde a festa ocorreu. Era uma hora de distância de onde morava Davi. O tempo passou, eles se encontravam com certa frequência, em geral aos finais de semana, e começaram a namorar. Havia um amor sincero entre eles. E foi esse amor que fez o meu protegido desaprender sobre como esquecer uma pessoa. Somente em três meses de contato, o namoro teve de ser terminado. Pedro queria festa, diversão e descomprometimento, enquanto Davi, como sempre foi, desejava amor, dedicação e comprometimento. Davi ficou sozinho, já Pedro com várias companhias.
Eu chorei junto ao meu menino, que vi nascer e, como de um dia para o outro, de criança tornar-se quase um homem adulto. Chorei junto todos os dias em que ele lembrava de Pedro e dizia para si "Eu preciso esquecer". E fiquei tão frustrado quanto ele, quando pessoas especiais - algumas bem mais que o ruivo - apareciam no caminho dele e ele simplesmente não conseguia retribuir o interesse que elas demonstravam. Davi realmente tinha desaprendido a esquecer um sentimento desses.
Este é o terceiro conto de uma série que está sendo publicada no blog. Em breve, os próximos serão lançados, dando continuidade à história.
São estes os contos anteriores:
2º) A Noite - http://cslucass.blogspot.com.br/2012/08/durma-meu-irmao.html
1º) A Coincidência. Coincidência? - http://cslucass.blogspot.com.br/2012/08/a-coincidencia-coincidencia.html
