sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Apenas vá



Meus olhos querem fechar, mas eu não permito. Desde que aquela lágrima, única, solitária, cortante desceu por minha face, não os permito fecharem-se sem antes expor o que sinto.
Em meio a toda minha loucura de ser, viver, relacionar-me, jamais seria capaz de te dizer isso, então escrevo e desejo que nunca leias isto mesmo. Esta poesia é minha, para ti, mas só para mim. Aqui, minha. Para mim. Para ti?

Há aqui um coração machucado
Há um ser por si e entre si desprezado
Há amor ignorado

E não há
Não há verdadeiro amor, ardor, calor,
Onde foi parar o interesse?
Quando mais o mundo ultrapassará o umbigo daqueles que me olham e me desejam?
Pois não me deseje!
Deixe-me, deixe-me em paz com minha loucura, com meu jeito insano e até deprimente - deprimente, mesmo - de ser!

Prefiro a solidão à mentira
Prefiro o vazio à vaga plenitude

Há mais lágrimas caindo...
Cortam ainda mais meu coração que já cansou de sofrer
E que sabe só D-us como ainda pulsa, haja vistas às suas cicatrizes.

Se a vida ainda não te ensinou, aqui passo tua lição:
Não magoes jamais quem não merece ser magoado.
Este coração aqui não merecia de novo ser maltratado...

Mas não há volta.
O que foi, foi. E tu nunca voltarás.
E pois não volte mesmo!
Há coisas na vida as quais a chance é única.
E lá se foi a tua.

Vou aprender a viver sozinho, comigo mesmo.
Ser feliz e gozar da vida...
Quem sabe um dia apareça alguém para compartilhar realmente essa alegria de viver.
Mas já percebi que não serás tu.
 Então vá, vá. Não me incomode, não nos incomode, apenas: VÁ.