Não vou mentir: muito escrevi nesses últimos meses sem publicação no blog (mesmo que em grande descompasso com os antecessores). Tem textos que eu publico aqui os quais realmente não faz sentido torná-los públicos, mas ainda assim há outros que eu prefiro manter apenas comigo. Seja porque ficaram inacabados, seja porque não ficaram bons o suficiente para que eu os publicassem.
E, por algum motivo, escrevo este com a intenção de publicá-lo, mesmo envergonhando-me do que nele posso falar. A começar que tento fingir a qualquer custo que este blog não é um diário. E realmente não é. Criação não se trata simplesmente de expressão, mas de reinventar o que se viveu, viu ou ouviu falar e dar outras formas e sensações ao texto escrito. Mas este post, que vem em forma de diário, vamos chamá-lo de crônica, para não perder o ar da graça das coisas que aqui publico. Ok?
Eu havia escrito sobre como os últimos anos foram ruins para mim, no sentido de dar um caminho próspero à minha vida. No entanto, apaguei e reescrevi porque me dei conta de que não é verdade. Sinto-me vazio, uma terra infértil e quando me dou conta que minha essência era essa, e não que passei por um esvaziamento repentino, me bate justamente essa frustração: em ser um errante, uma terra onde jamais nascerá nada de bom.
Acredito plenamente na psicanálise e nos efeitos da infância na psiqué humana. E sei que os vazios que se estabeleceram em mim foram vazios que se criaram lá quando eu era apenas um esboço de Lucas, quiçá mesmo antes de nascer. Mas prefiro não acreditar que são vazios eternos.
Desde que minha vida sexual se aflorou pela segunda vez, quando eu já tinha um pouco de mim e não era apenas um reflexo do que me cercava, de uma forma assustadora eu passei a perder o valor de coisas importantes e que nesse exato momento me dou conta da falta que me faz. Me refiro aos amigos, à família e ao meu sentido de existir. Quando passei a estudar Medicina, minha vida girou em torno disso e as saídas com os amigos, geralmente em baladas embebidas de álcool e pegação, eram meu "fôlego" para continuar adiante. E isso tudo se tornou tão mecânico, tão maquinário e rigorosamente rotineiro, que, admito, eu perdi o valor da vida. Ainda sei o que me levou a escolher Medicina, mas confesso que esse sentimento não me preenche em todos os momentos - me refiro aqui a, resumidamente, querer ajudar as pessoas, pela transformação pessoal e social. Acredito certamente que tudo isso foi um processo. Uma queda vertiginosa que me faz hoje escrever essa crônica.
Antes de apagar o que eu havia escrito, conforme relatei acima, havia abordado sobre 2014 e como esse ano - assim como todos os anteriores - me trazia um "ar" de esperança, de mudança, de transformação. Mas nada se inicia no amanhã. Se algo deve começar, ele inicia já, mesmo que apenas em sonhos e planejamento. Não há como ter um 2014 diferente sem eu saber o que eu quero manter nesse ano novo, ou o que eu quero mudar em mim e em minha vida nessa nova esperança. Viver é uma ótima forma de perceber isso. Mas não uma vida qualquer, feito a que tive nos últimos dias. Viver como fiz hoje abriu meus olhos para isso.
Disse tudo isso porque hoje, resultado dos últimos dias, percebi como eu vivia, em horas vagas da Medicina, em função de minha vida sexual, ignorando coisas importantes, conforme já falei, como a família, os amigos e eu mesmo, com meus gostos peculiares, porém não brutos. Vou contar minha experiência - por cima, mas contarei. Esse texto está ficando longo e sei que quem o ler realmente será alguém que merece saber de minhas intimidades. Então, desfrute, porque são poucos os momentos em que eu não as escondo em metáforas ou silêncio.
Tudo começou em 2013, exatamente há uma semana. Era domingo e eu sai com um amigo em uma festa para terminar o ano aproveitando um pouco do que me privei durante ele, já que 2013 era um ano em que eu focaria nos estudos, na vida profissional. A balada foi legal, não interessam agora os pormenores, mas um fato engraçado ocorreu pouco antes de irmos embora: um rapaz veio ao encontro de meu amigo e puxou assunto de uma forma muito engraçada. Rimos disso e logo fugimos da situação, porque ele não era interesse nosso naquele momento - dele, porque namora, e meu porque naquele momento não me pareceu ser alguém interessante.
No dia seguinte, na onda de final de ano que citei anteriormente, resolvi sair novamente com esse meu amigo e justo no mesmo local encontramos o rapaz do dia anterior. Dessa vez, meu amigo foi mais rápido e eu acabei ficando ali sozinho, quase que por caridade falando com aquele moço engraçado. Mal sabia eu que era ele quem estava me fazendo um bem enorme. Por algum motivo que só D-us deve saber, eu me atrai pelo rapaz naquela noite, mas não deu nem muito tempo e meus amigos me chamaram, pensando que eu estava me incomodando com a conversa quando, na verdade, eu estava começando a gostar dela. Nada mais foi interessante nessa noite.
Depois disso, entrei em contato com o rapaz por um aplicativo de comunicação e pedi desculpas pelo que fiz e busquei manifestar interesse em conhecê-lo. Passou a virada do ano, fiz o de sempre: bebi, me diverti com os amigos, fazendo palhaçadas e sendo um "eu mesmo" caricato, como costumo fazer. Cada dia que passava me deixava mais curioso para conhecer melhor o rapaz. Quinta-feira chegou esse dia, quando nos encontramos em uma balada. Depois de muita conversa, "o convenci" a ficar comigo. Não sei se era por carência, ou sei lá pelo que, mas foi uma experiência tal qual relatei em duas crônicas - O Encontro e A Energia -, algo que eu não vivenciava há muito tempo já. Trata-se de uma energia quase-que-divina a qual entra por meu estômago e me traz plenitude na garganta, com um leve sorriso e brilho no olhar. Tal qual o sedento quando encontra uma fonte de água, gritei "é minha" e já queria secá-la toda bebendo-a. Falando assim até me senti um vampiro. Enfim, fato é que eu queria mais e mais e mais. Mas, resumindo a história, tudo que era para acontecer, sexualmente falando, ocorreu naquela noite. Explico.
Tendo percebido que o rapaz não estava à vontade com esse envolvimento além de uma amizade, mas ainda assim sem ter certeza sobre qual era mesmo a dele, eu resolvi investir novamente e o convidei para fazer algo dois dias seguintes. Almoçamos juntos, fomos a um bar, tomamos cerveja, conversamos MUITO. E eu tenho que admitir: que rapaz mais admirável. Essa fonte de água cada vez se torna mais cristalina e saborosa para um sedento como eu. Para quem vinha tomando volta e meia só uma agua podrinha, se deparar com uma dessas foi realmente um choque de atração e necessidade. Mas, entre uma e outra conversa, extrai a dúvida que me assolava: ele não tinha interesse em mim - e mesmo em meu amigo - além de uma amizade. E hoje vivi. Vivi como nunca. A epifania por que passo agora é motivada nisso. Novamente, explico.
Aquele moço, tão pura e simplesmente, veio até mim oferecendo sua amizade sincera e, achando graça, virei às costas. Quando, por algum motivo que desconheço, sexualmente me atrai por ele, tudo se inverteu e mesmo continuando a rejeitar a amizade, quis dele sua energia sexual. E aí, agora vendo que eu estava sendo na verdade um completo asno, percebi como eu estava deixando de viver, por um bom tempo de minha vida, dias de completo prazer com alguém, que não fosse motivado simplesmente para obter dele sua energia sexual. Percebi o porquê de ser quase sempre obrigação ter que atender aos chamados de amigos, familiares, quem quer que fosse. Eu estava cego. Cego pelos meus instintos. Inverti os valores e estava me guiando pelo paladar, o olfato, o tato, sem sentir efetivamente o que de melhor eu podia ter das pessoas e de mim mesmo.
Não quero dizer que deixei de estar atraído pelo rapaz. Mas a paixão logo passa. Espero realmente que o mesmo D-us que colocou esse anjo no meu caminho o faça permanecer nele para que continue a me iluminar. Desejo que ele seja um bom e querido amigo, como foi hoje para mim.
Mas 2014 inicia hoje, para mim, após um longo período de sono. Esse anjo que do nada me permeou com sentimentos tão extremos e intensos abriu meus olhos para o que realmente é importante em minha vida. A meta do meu ano será reaprender a viver as coisas importantes e as vivências importantes. Conforme já falei, toda mudança se inicia no agora, e agora inicio com o sonho. Amanhã, continuarei com o planejamento e assim eu acredito que 2014 será uma esperança em minha vida, que trará a solução aos vazios de minha existência. Não acredito em milagres, mas vou me dedicar para transformar água em vinho, ou vamos facilitar acreditando que eu sou uma boa uva a maturar - que não vire vinagre!
Comédia a parte, hoje entrou em gestação um novo Lucas, quem eu esperava por muito tempo. Acho que finalmente começo uma descoberta profunda sobre quem sou, quem fui e quem desejarei ser.
Adianto: vesti rosa e branco no reveillon, mais por preguiça do que por acreditar em alguma coisa. Mas, de fato, quero encontrar paz no amor em 2014, mas não mais o amor que eu desejava, em um príncipe encantado ou princesa, ou algo, ou o que seja. O amor por mim mesmo, que se solidifica no amor por: minha família, meus amigos, minha comunidade e minha profissão. E isso que eu ainda não havia percebido. Pensei tanto em amor próprio que confundi com egoísmo. Mas amar-me significa amar as pessoas e as coisas que são de fato importantes em minha vida.
A respeito de minha profissão, sigo na dúvida. Fiz a promessa de que, se o intercâmbio der certo, darei-me chance de continuar até lá na Medicina e ver se "algo" ocorre que me faça reencontrar nesse sentido. Se isso não ocorrer, farei a vontade que tenho agora: de dar voz à minha felicidade e mesmo com vida humilde e talvez não tão útil aos meus ideais, fazer aquilo que gosto. Uma vez ouvi de alguém sábio que a sorte (destino) é a manifestação de D-us. Por isso, certas vezes, deixo a Ele que me dite o caminho. Assim foi no vestibular e assim continuará sendo agora. Quando chegar a minha hora, eu tomarei a escolha certa, tenho certeza. Mas saber a "hora certa" é, também, uma arte e um aprendizado. Sigo tentando.
Essa epifania só serve a mim, por isso a escrevi. Publiquei-a no blog porque um dia vou querer ler e saber onde achá-la, e sei que como pessoas não leem textos longos - ainda mais aqueles que só servem a quem os escreveu -, também poderei reservar esses sentimentos a mim - ou, no máximo, a quem realmente merecer ter acesso a eles. Mas eu tenho certeza que hoje está sendo um marco em minha vida e que esse texto é o prelúdio de um novo momento de minha existência, caminho de prosperidade e realizações.
Seja bem-vindo, 2014! Obrigado D-us pela luz que trouxe ao meu caminho.