segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Fenixiniando-me termino esta história.
No livro da vida, as histórias não têm fim. Mas o narrador, em completa sensação de poder sobre aquilo que escreve ou fala, por vezes dita o encerramento. Muitas vezes o fim é acompanhado de dor. Noutras, profundo prazer. O que se sente é baseado sobretudo na capacidade de como lida em seu interior com aquilo que narra.
Nesta história a qual narro agora o fim misturam-se ondas de prazer e dor, sem uma definição completa de ser um ou outro. Percebo que, quanto menos determinados e quadrados são os sentimentos relatados e sentidos ao narrar, mais próximos ficam das linhas da vida, que são, na verdade, anti-lineares, obtusas, circunflexas.
Escreveu Norman Cousins que a tragédia da vida não é a morte, mas aquilo que morre dentro de nós enquanto vivemos. De fato, o que menos é importante nesta história é a morte de Pedro devido ao veneno do fruto sedutor. Tampouco a tragédia de como morreu aos poucos, célula a célula. Creio que o marcante nesta história seja a transformação de Pedro em René, e as sucessivas transformações que originaram Pedro, René e todos os outros que virão a ser escritos no livro da vida dessa existência.
A vida exige a todo momento a força da Trimurti, sob Shiva e a destruição; Brahma e a criação; e Vishnu e a manutenção. E a reencarnação da alma sucessivamente é marcada pela destruição, criação e manutenção de sentimentos, crenças, ações pelo indivíduo - mesmo sem alcançar, de fato, a morte do corpo. Ainda em vida, há muito que nasce, mantém-se ou morre. E é aí que se define a não-linearidade da vida, que segue a inconstância desse dinâmico ciclo fenixiniano.
"Sei que mal cheguei e já digo adeus. Há frutos que provamos os quais inevitavelmente têm estampados em sua casca a certeza da morte. Muitas vezes, provamos deles mesmo sob o risco, pois sua sedução supera o prenúncio. Esse veneno é insuportável. Aperta o peito, faz arder mãos e pés, tonteia o corpo e espreme a cabeça. Acompanha por vezes euforia quando o vejo novamente e sinto o perfume, a beleza da cor, a perfeita textura. Mas a dor daquilo que morre por dentro ao prová-lo é maior e certamente insuportável a qualquer vivente. E aceito aqui o que há para essa história: seu fim. Meu fim. O fim deste fruto que eu não devia ter provado."
Essa dança da vida, cíclica, define o que disse Rosa Luxemburgo: "Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem." As flores, frutos, sentimentos e vivências podem nos afugentar em gaiolas ou fazer-nos alcançar voo, mesmo que sofrido pelas perdas que sentimos quando abandonamos o ninho. E assim, sentindo as correntes que nos prendem, no movimento da vida sente-se o que deve se superar para alcançar o voo desejado. É a força de Brahma criando um novo ser, transformando Pedro em René e permitindo a continuidade desse ciclo.
De fato, o juiz tinha a razão. Do alto, com sua toga, face robusta e rude, com ar de sabedoria e ao mesmo tempo repressão e poder, ele deu a sentença: "Esta história está acabada." E eu, vivente e narrador, tentei contorná-la, naturalmente seguindo os movimentos da vida. Anti-linearmente, não terminei naquele momento a história, mesmo com o decreto judicial. Feito um tolo, com pouca maturidade perante as peripécias que a vida nos submete, arrisquei dando voltas e cheguei ao mesmo lugar, onde o fim é inevitável. Que me resta se não me resignar?
Não, resignar, jamais. O juiz tinha razão, não haveria outros capítulos nessa história. No entanto, a mudança é essencial para fazer perene o ciclo da vida. As próximas histórias deverão trazer outras tramas. Que graça há no escritor que sempre narra o mesmo, ainda que com personagens diferentes, lugares diversos ou linguagem variável? A transformação é inevitável ao escritor, assim como é para aquele que vive.
Fenixiniando-me termino essa história. Sinto dor, porque a fagulha de uma paixão sempre traz a esperança de um grande amor. Mas sinto prazer, pois a brasa que toca a pele uma hora machuca tanto que devemos definitivamente nos afastar. Não digo que seja um fim eterno. Sabe-se lá o que fica ou o que vai na eternidade da vida. Mas é um fim ao menos momentâneo, para gerar novos começos, novas esperanças, novos sentimentos, vivências. Mesmo que as flores e frutos ainda estejam aqui no peito, finalizar essa história traz a este narrador um vigor poderoso em sua decisão. Qual desenrolar terá ela fora das letras, já no âmbito da vida, pouco pode saber, mas aqui e agora parece sublimado o que ocorreu. E do passado restam as memórias, do futuro alimentam-se as esperanças, no agora o que importa é a sublimação.
Este texto faz parte de uma série. Para conferir os demais, acesse:
As flores que cativamos. - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/as-flores-que-cativamos.html
A Sentença - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/a-sentenca.html
O Fruto - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/o-fruto.html
Fenixiniando-me termino esta história. - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/fenixiniando-me-termino-esta-historia.html
sábado, 25 de janeiro de 2014
O Fruto
Tolo o juiz que julgou como terminada esta história. Nas páginas da vida, a narração não tem um fim, até mesmo com a morte de seus personagens principais. Jung citou que tudo depende de como vemos as coisas, e não de como elas são. De fato, pouco sei o que foi ou o que deixou de ser nesta história - tampouco o que será! Os sentimentos agem ora como forças propulsoras, ora como barreiras - inclusive de visão. Mas relato aqui o que vi acontecer.
Pedro é uma daquelas pessoas que, como disse Freud, são feitas de carne, mas têm de viver como se fosse de ferro e que poderia ser muito melhor, se não quisesse ser tão bom. Sustenta em seus braços o peso do mundo e abraça todas as causas e ideias que prometem resolver os males da humanidade. Acredita em uma mudança efetiva na sociedade, a qual resultaria em felicidade e crescimento interior para os seres humanos.
Caminhava com um amigo por um campo mórbido, onde pelo chão estavam almas sedentas e famintas - de sonhos, esperanças, amor, liberdade - e pelo alto mal se via o que lá havia. Não havia felicidade nesse caminho, tudo era escuro e cinzento, ofuscava-se o amarelo, verde, azul e qualquer outra cor que se conheça longe das tonalidades neutras. Solicitou ao amigo passos rápidos, pois depois dessas campinas alcançariam bosques vivos e frutíferos. No entanto, nessa caminhada apressada, algo caiu na cabeça do amigo. Pedro riu da situação junto ao parceiro. Iam seguir a viagem, mas olhou melhor para o que havia caído.
Era um fruto. Sua casca era rubra, brilhosa, dava para sentir pelos olhos seu sabor adocicado e isso fez Pedro salivar. Mesmo vivendo como se fosse de ferro, feito de carne precisa de alimento para sobreviver, sobretudo desse tipo tão atraente. Seu amigo fez pouco caso para essa admiração e falou para parar de bobeira e seguirem adiante pelo caminho - mesmo que preferisse ficar dando voltas e voltas nesse ambiente mórbido, que o agradava. Não, havia uma vida saborosa para provar em meio a tanta tristeza, desolação e morte. Pedro não conseguiria seguir adiante sem provar o fruto. Pegou-o em suas mãos. Sua textura o fez salivar novamente. Sentiu seu sabor adocicado pelo toque, liso e sedutor.
Por algum motivo, daqueles que costumamos chamar regidos pelo destino ou pela sorte, Pedro não provou do fruto naquela noite. Acampou com o amigo no local e esperaria pela noite seguinte para seguir adiante. Durante o dia, acordou com o Sol forte, que iluminava a ausência de cor do ambiente. Não se controlou. Tinha de provar o fruto. Com a convicção do sabor adocicado, deu uma grande mordida. E sentiu de uma só vez a amargura da desilusão e da decepção. De fato, era amargo. Pior: mórbido. Fétido. Apodrecido. Cuspiu no chão o que havia mordido e logo as almas cercaram os pedaços cuspidos e atraiam-se por eles.
Pedro passou alguns dias doente. Não respirava direito, seu coração batia acelerado, suava, sentia frios na barriga, estava estressado, perdeu as esperanças de ver algum lugar mais vivo do que aquele em que estavam. Estava envenenado pelo fruto. Seu amigo colocou seu braço por sobre seus ombros e foram juntos, caminhando devagar rumo aos bosques vivos e frutíferos. Após algum tempo - o que pareceu muito, para alguém que estava doente -, chegaram ao local desejado.
La estavam seus melhores amigos. Um trouxe água para matar-lhe a sede. Outro trouxe palavras de conforto, explicando que a doença também faz parte do ciclo da vida. O curandeiro trouxe o remédio. Tomou ligeiro aquele líquido que parecia um purgante e logo respirou a vida novamente.
Não houve mais uma noite com o fruto, como esperava, mas alcançou a vida. E nela a história se perpetua, sem um fim por conta de uma experiência frustrante e mal sucedida. Ela continua... enquanto a vida continuar a ser eterna.
Este texto faz parte de uma série. Para conferir os demais, acesse:
As flores que cativamos. - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/as-flores-que-cativamos.html
A Sentença - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/a-sentenca.html
O Fruto - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/o-fruto.html
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domingo, 19 de janeiro de 2014
A Sentença
Eu suava frio. Não tirava o olhar daquele homem forte, com um olhar duro, mas sorriso encantador. Todos cochichavam, e mesmo assim a aura do recinto não me distraia, eu o encarava, enviava mensagens pelo celular, ele me respondia, mas nunca era um sim ou um não, eram sempre reticências. O juiz pediu para que eu me levantasse e falasse minha versão da história. Engoli seco. Fiz pressão sobre minhas pernas, me levantei e gaguejei na primeira sílaba. Entretanto extrai do fundo da minha alma força para falar.
- Há, na minha frente, um homem que me encantou. Sua simplicidade, sua cultura, sua inteligência, sua maturidade e sua forma de se relacionar fizeram meus olhos brilhar. Meu coração bateu tão forte, meio que arrítmico, envenenado pelo espinho dessa flor, meu sentimento. Tão forte que minha vontade era de pegar um bisturi, dissecar meus tecidos e retirar este coração, para fazer pará-lo, de tão incômodo. Eu fiquei trêmulo, andava me esbarrando pelas paredes, pois não sabia o que fazer, desorientado, sentia-me em um labirinto e todos os caminhos me levavam a ele, mas todos pareciam ter obstáculos intransponíveis. O que peço é mais uma noite. Dizem que uma dose ínfima do veneno pode ser a cura. Mesmo que doses homeopáticas possam apenas prolongar a dor e a dependência, até a elas estou disposto com a amizade, pois sob elas não alcanço a boca ou o corpo, onde o veneno está em abundância. É a dependência em apenas olhar, sem poder tomar para si. Por isso, a única coisa que peço é mais uma noite. - e então desabei na cadeira, e olhei para o homem a minha frente, desejando seu corpo encostado no meu.
- E o senhor, o que tem a dizer? - perguntou o juiz ao homem por quem me encantei.
- Senhor Meritíssimo, gosto muito do rapaz que está a minha frente, mas eu queria apenas sua amizade. Não queria que tudo isso se confundisse e precisaria de uma garrafa de vodka inteira para ter mais uma noite sequer com este rapaz. Dou-lhe minha amizade fiel, sincera e verdadeira e é a isso que me disponho.
O juiz, imponente e voraz, deu a sentença: Esta história está acabada. E bateu o martelo com tanta força que seu barulho e intensidade me fizeram perder a consciência por um segundo. Quando retornei a mim, já não sendo eu mesmo, gritei: Não! Não! Essa história não pode acabar assim. Há um rastro desse perfume no labirinto e eu vou segui-lo. Eu vou conquistar essa noite, não conseguirei seguir sem isso.
Este texto faz parte de uma série. Para conferir os demais, acesse:
As flores que cativamos. - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/as-flores-que-cativamos.html
A Sentença - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/a-sentenca.html
O Fruto - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/o-fruto.html
Fenixiniando-me termino esta história. - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/fenixiniando-me-termino-esta-historia.html
As flores que cativamos.
Estou deitado e sinto um cheiro que me lembra alguém. Lembra-me uma noite. Uma história que não teve fim. Ou um fim demasiado próximo do começo. Como um simples odor, perfume que impregnou de sua pele no tecido, pode trazer sentimentos de algo tão breve e - parece ditar o destino - passageiro.
Sentimentos são como flores em um jardim: você aprecia a beleza das pétalas, vê o leve tom azulado e fica atraído para sentir seu odor. Aproxima a cabeça e o corpo, toca com a alma. Inspira fundo e alcança a plenitude, com mãos e pés levemente adormecidos, encanta-se. Cativa. Estende a mão e toma-a para si. Descobre no tocar um espinho, fazendo sangrar uma gota singela e passageira. Há espinhos dolorosos, há espinhos venenosos. Algumas são viciantes, não sei se por sua beleza e encanto, ou se por seu veneno que corrompe todo o organismo, mas ainda assim faz desejá-la para si. E as flores que cativamos por muito - ou pelo sempre - as carregamos conosco. Mesmo que as flores não sejam eternas, por vezes pegamos suas pétalas e as colocamos em livros, algumas no livro da vida, em que se tornam pó junto à efemeridade da existência.
Escrever sobre as flores não é como catalogá-las feito um biólogo. Escrever sobre as flores é escrever a crônica da vida, em linhas tornas, em frases que se conectam, mas vêm-e-vão e muitas vezes não tem um sentido - ou apenas não aparentam ter. Escrever sobre as flores é olhar-se para dentro e descrever em que órgãos, tecidos e células atingiu o veneno. É descrever o pulsar elétrico que a dor e o prazer fazem reverberar por entre as sinapses. As flores, sozinhas, são apenas flores. Mas é o olhar do admirador (ou sofredor), sempre acompanhado de desejo ou repulsa, satisfação ou sofrimento, é esse olhar que descreve o que são as flores que são recolhidas e cativadas ao longo da vida.
E falar de flores não é, por fim, apenas descrevê-las, ou sobre como foi o olhar, ou sobre quem é o admirador, ou sobre as células, sinapses. Escrever sobre as flores é, sobretudo, repensar e assimilar o que as fizeram existir. Este odor que me lembra alguém, me lembra também de uma noite - motivo de que fará com que esta flor um dia estará dentro de meu livro para pulverizar junto à minha existência.
Este texto faz parte de uma série. Para conferir os demais, acesse:
As flores que cativamos. - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/as-flores-que-cativamos.html
A Sentença - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/a-sentenca.html
O Fruto - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/o-fruto.html
Fenixiniando-me termino esta história. - http://acnaila-ad-acra-a.blogspot.com.br/2014/01/fenixiniando-me-termino-esta-historia.html
domingo, 5 de janeiro de 2014
Epifania
Não vou mentir: muito escrevi nesses últimos meses sem publicação no blog (mesmo que em grande descompasso com os antecessores). Tem textos que eu publico aqui os quais realmente não faz sentido torná-los públicos, mas ainda assim há outros que eu prefiro manter apenas comigo. Seja porque ficaram inacabados, seja porque não ficaram bons o suficiente para que eu os publicassem.
E, por algum motivo, escrevo este com a intenção de publicá-lo, mesmo envergonhando-me do que nele posso falar. A começar que tento fingir a qualquer custo que este blog não é um diário. E realmente não é. Criação não se trata simplesmente de expressão, mas de reinventar o que se viveu, viu ou ouviu falar e dar outras formas e sensações ao texto escrito. Mas este post, que vem em forma de diário, vamos chamá-lo de crônica, para não perder o ar da graça das coisas que aqui publico. Ok?
Eu havia escrito sobre como os últimos anos foram ruins para mim, no sentido de dar um caminho próspero à minha vida. No entanto, apaguei e reescrevi porque me dei conta de que não é verdade. Sinto-me vazio, uma terra infértil e quando me dou conta que minha essência era essa, e não que passei por um esvaziamento repentino, me bate justamente essa frustração: em ser um errante, uma terra onde jamais nascerá nada de bom.
Acredito plenamente na psicanálise e nos efeitos da infância na psiqué humana. E sei que os vazios que se estabeleceram em mim foram vazios que se criaram lá quando eu era apenas um esboço de Lucas, quiçá mesmo antes de nascer. Mas prefiro não acreditar que são vazios eternos.
Desde que minha vida sexual se aflorou pela segunda vez, quando eu já tinha um pouco de mim e não era apenas um reflexo do que me cercava, de uma forma assustadora eu passei a perder o valor de coisas importantes e que nesse exato momento me dou conta da falta que me faz. Me refiro aos amigos, à família e ao meu sentido de existir. Quando passei a estudar Medicina, minha vida girou em torno disso e as saídas com os amigos, geralmente em baladas embebidas de álcool e pegação, eram meu "fôlego" para continuar adiante. E isso tudo se tornou tão mecânico, tão maquinário e rigorosamente rotineiro, que, admito, eu perdi o valor da vida. Ainda sei o que me levou a escolher Medicina, mas confesso que esse sentimento não me preenche em todos os momentos - me refiro aqui a, resumidamente, querer ajudar as pessoas, pela transformação pessoal e social. Acredito certamente que tudo isso foi um processo. Uma queda vertiginosa que me faz hoje escrever essa crônica.
Antes de apagar o que eu havia escrito, conforme relatei acima, havia abordado sobre 2014 e como esse ano - assim como todos os anteriores - me trazia um "ar" de esperança, de mudança, de transformação. Mas nada se inicia no amanhã. Se algo deve começar, ele inicia já, mesmo que apenas em sonhos e planejamento. Não há como ter um 2014 diferente sem eu saber o que eu quero manter nesse ano novo, ou o que eu quero mudar em mim e em minha vida nessa nova esperança. Viver é uma ótima forma de perceber isso. Mas não uma vida qualquer, feito a que tive nos últimos dias. Viver como fiz hoje abriu meus olhos para isso.
Disse tudo isso porque hoje, resultado dos últimos dias, percebi como eu vivia, em horas vagas da Medicina, em função de minha vida sexual, ignorando coisas importantes, conforme já falei, como a família, os amigos e eu mesmo, com meus gostos peculiares, porém não brutos. Vou contar minha experiência - por cima, mas contarei. Esse texto está ficando longo e sei que quem o ler realmente será alguém que merece saber de minhas intimidades. Então, desfrute, porque são poucos os momentos em que eu não as escondo em metáforas ou silêncio.
Tudo começou em 2013, exatamente há uma semana. Era domingo e eu sai com um amigo em uma festa para terminar o ano aproveitando um pouco do que me privei durante ele, já que 2013 era um ano em que eu focaria nos estudos, na vida profissional. A balada foi legal, não interessam agora os pormenores, mas um fato engraçado ocorreu pouco antes de irmos embora: um rapaz veio ao encontro de meu amigo e puxou assunto de uma forma muito engraçada. Rimos disso e logo fugimos da situação, porque ele não era interesse nosso naquele momento - dele, porque namora, e meu porque naquele momento não me pareceu ser alguém interessante.
No dia seguinte, na onda de final de ano que citei anteriormente, resolvi sair novamente com esse meu amigo e justo no mesmo local encontramos o rapaz do dia anterior. Dessa vez, meu amigo foi mais rápido e eu acabei ficando ali sozinho, quase que por caridade falando com aquele moço engraçado. Mal sabia eu que era ele quem estava me fazendo um bem enorme. Por algum motivo que só D-us deve saber, eu me atrai pelo rapaz naquela noite, mas não deu nem muito tempo e meus amigos me chamaram, pensando que eu estava me incomodando com a conversa quando, na verdade, eu estava começando a gostar dela. Nada mais foi interessante nessa noite.
Depois disso, entrei em contato com o rapaz por um aplicativo de comunicação e pedi desculpas pelo que fiz e busquei manifestar interesse em conhecê-lo. Passou a virada do ano, fiz o de sempre: bebi, me diverti com os amigos, fazendo palhaçadas e sendo um "eu mesmo" caricato, como costumo fazer. Cada dia que passava me deixava mais curioso para conhecer melhor o rapaz. Quinta-feira chegou esse dia, quando nos encontramos em uma balada. Depois de muita conversa, "o convenci" a ficar comigo. Não sei se era por carência, ou sei lá pelo que, mas foi uma experiência tal qual relatei em duas crônicas - O Encontro e A Energia -, algo que eu não vivenciava há muito tempo já. Trata-se de uma energia quase-que-divina a qual entra por meu estômago e me traz plenitude na garganta, com um leve sorriso e brilho no olhar. Tal qual o sedento quando encontra uma fonte de água, gritei "é minha" e já queria secá-la toda bebendo-a. Falando assim até me senti um vampiro. Enfim, fato é que eu queria mais e mais e mais. Mas, resumindo a história, tudo que era para acontecer, sexualmente falando, ocorreu naquela noite. Explico.
Tendo percebido que o rapaz não estava à vontade com esse envolvimento além de uma amizade, mas ainda assim sem ter certeza sobre qual era mesmo a dele, eu resolvi investir novamente e o convidei para fazer algo dois dias seguintes. Almoçamos juntos, fomos a um bar, tomamos cerveja, conversamos MUITO. E eu tenho que admitir: que rapaz mais admirável. Essa fonte de água cada vez se torna mais cristalina e saborosa para um sedento como eu. Para quem vinha tomando volta e meia só uma agua podrinha, se deparar com uma dessas foi realmente um choque de atração e necessidade. Mas, entre uma e outra conversa, extrai a dúvida que me assolava: ele não tinha interesse em mim - e mesmo em meu amigo - além de uma amizade. E hoje vivi. Vivi como nunca. A epifania por que passo agora é motivada nisso. Novamente, explico.
Aquele moço, tão pura e simplesmente, veio até mim oferecendo sua amizade sincera e, achando graça, virei às costas. Quando, por algum motivo que desconheço, sexualmente me atrai por ele, tudo se inverteu e mesmo continuando a rejeitar a amizade, quis dele sua energia sexual. E aí, agora vendo que eu estava sendo na verdade um completo asno, percebi como eu estava deixando de viver, por um bom tempo de minha vida, dias de completo prazer com alguém, que não fosse motivado simplesmente para obter dele sua energia sexual. Percebi o porquê de ser quase sempre obrigação ter que atender aos chamados de amigos, familiares, quem quer que fosse. Eu estava cego. Cego pelos meus instintos. Inverti os valores e estava me guiando pelo paladar, o olfato, o tato, sem sentir efetivamente o que de melhor eu podia ter das pessoas e de mim mesmo.
Não quero dizer que deixei de estar atraído pelo rapaz. Mas a paixão logo passa. Espero realmente que o mesmo D-us que colocou esse anjo no meu caminho o faça permanecer nele para que continue a me iluminar. Desejo que ele seja um bom e querido amigo, como foi hoje para mim.
Mas 2014 inicia hoje, para mim, após um longo período de sono. Esse anjo que do nada me permeou com sentimentos tão extremos e intensos abriu meus olhos para o que realmente é importante em minha vida. A meta do meu ano será reaprender a viver as coisas importantes e as vivências importantes. Conforme já falei, toda mudança se inicia no agora, e agora inicio com o sonho. Amanhã, continuarei com o planejamento e assim eu acredito que 2014 será uma esperança em minha vida, que trará a solução aos vazios de minha existência. Não acredito em milagres, mas vou me dedicar para transformar água em vinho, ou vamos facilitar acreditando que eu sou uma boa uva a maturar - que não vire vinagre!
Comédia a parte, hoje entrou em gestação um novo Lucas, quem eu esperava por muito tempo. Acho que finalmente começo uma descoberta profunda sobre quem sou, quem fui e quem desejarei ser.
Adianto: vesti rosa e branco no reveillon, mais por preguiça do que por acreditar em alguma coisa. Mas, de fato, quero encontrar paz no amor em 2014, mas não mais o amor que eu desejava, em um príncipe encantado ou princesa, ou algo, ou o que seja. O amor por mim mesmo, que se solidifica no amor por: minha família, meus amigos, minha comunidade e minha profissão. E isso que eu ainda não havia percebido. Pensei tanto em amor próprio que confundi com egoísmo. Mas amar-me significa amar as pessoas e as coisas que são de fato importantes em minha vida.
A respeito de minha profissão, sigo na dúvida. Fiz a promessa de que, se o intercâmbio der certo, darei-me chance de continuar até lá na Medicina e ver se "algo" ocorre que me faça reencontrar nesse sentido. Se isso não ocorrer, farei a vontade que tenho agora: de dar voz à minha felicidade e mesmo com vida humilde e talvez não tão útil aos meus ideais, fazer aquilo que gosto. Uma vez ouvi de alguém sábio que a sorte (destino) é a manifestação de D-us. Por isso, certas vezes, deixo a Ele que me dite o caminho. Assim foi no vestibular e assim continuará sendo agora. Quando chegar a minha hora, eu tomarei a escolha certa, tenho certeza. Mas saber a "hora certa" é, também, uma arte e um aprendizado. Sigo tentando.
Essa epifania só serve a mim, por isso a escrevi. Publiquei-a no blog porque um dia vou querer ler e saber onde achá-la, e sei que como pessoas não leem textos longos - ainda mais aqueles que só servem a quem os escreveu -, também poderei reservar esses sentimentos a mim - ou, no máximo, a quem realmente merecer ter acesso a eles. Mas eu tenho certeza que hoje está sendo um marco em minha vida e que esse texto é o prelúdio de um novo momento de minha existência, caminho de prosperidade e realizações.
Seja bem-vindo, 2014! Obrigado D-us pela luz que trouxe ao meu caminho.
E, por algum motivo, escrevo este com a intenção de publicá-lo, mesmo envergonhando-me do que nele posso falar. A começar que tento fingir a qualquer custo que este blog não é um diário. E realmente não é. Criação não se trata simplesmente de expressão, mas de reinventar o que se viveu, viu ou ouviu falar e dar outras formas e sensações ao texto escrito. Mas este post, que vem em forma de diário, vamos chamá-lo de crônica, para não perder o ar da graça das coisas que aqui publico. Ok?
Eu havia escrito sobre como os últimos anos foram ruins para mim, no sentido de dar um caminho próspero à minha vida. No entanto, apaguei e reescrevi porque me dei conta de que não é verdade. Sinto-me vazio, uma terra infértil e quando me dou conta que minha essência era essa, e não que passei por um esvaziamento repentino, me bate justamente essa frustração: em ser um errante, uma terra onde jamais nascerá nada de bom.
Acredito plenamente na psicanálise e nos efeitos da infância na psiqué humana. E sei que os vazios que se estabeleceram em mim foram vazios que se criaram lá quando eu era apenas um esboço de Lucas, quiçá mesmo antes de nascer. Mas prefiro não acreditar que são vazios eternos.
Desde que minha vida sexual se aflorou pela segunda vez, quando eu já tinha um pouco de mim e não era apenas um reflexo do que me cercava, de uma forma assustadora eu passei a perder o valor de coisas importantes e que nesse exato momento me dou conta da falta que me faz. Me refiro aos amigos, à família e ao meu sentido de existir. Quando passei a estudar Medicina, minha vida girou em torno disso e as saídas com os amigos, geralmente em baladas embebidas de álcool e pegação, eram meu "fôlego" para continuar adiante. E isso tudo se tornou tão mecânico, tão maquinário e rigorosamente rotineiro, que, admito, eu perdi o valor da vida. Ainda sei o que me levou a escolher Medicina, mas confesso que esse sentimento não me preenche em todos os momentos - me refiro aqui a, resumidamente, querer ajudar as pessoas, pela transformação pessoal e social. Acredito certamente que tudo isso foi um processo. Uma queda vertiginosa que me faz hoje escrever essa crônica.
Antes de apagar o que eu havia escrito, conforme relatei acima, havia abordado sobre 2014 e como esse ano - assim como todos os anteriores - me trazia um "ar" de esperança, de mudança, de transformação. Mas nada se inicia no amanhã. Se algo deve começar, ele inicia já, mesmo que apenas em sonhos e planejamento. Não há como ter um 2014 diferente sem eu saber o que eu quero manter nesse ano novo, ou o que eu quero mudar em mim e em minha vida nessa nova esperança. Viver é uma ótima forma de perceber isso. Mas não uma vida qualquer, feito a que tive nos últimos dias. Viver como fiz hoje abriu meus olhos para isso.
Disse tudo isso porque hoje, resultado dos últimos dias, percebi como eu vivia, em horas vagas da Medicina, em função de minha vida sexual, ignorando coisas importantes, conforme já falei, como a família, os amigos e eu mesmo, com meus gostos peculiares, porém não brutos. Vou contar minha experiência - por cima, mas contarei. Esse texto está ficando longo e sei que quem o ler realmente será alguém que merece saber de minhas intimidades. Então, desfrute, porque são poucos os momentos em que eu não as escondo em metáforas ou silêncio.
Tudo começou em 2013, exatamente há uma semana. Era domingo e eu sai com um amigo em uma festa para terminar o ano aproveitando um pouco do que me privei durante ele, já que 2013 era um ano em que eu focaria nos estudos, na vida profissional. A balada foi legal, não interessam agora os pormenores, mas um fato engraçado ocorreu pouco antes de irmos embora: um rapaz veio ao encontro de meu amigo e puxou assunto de uma forma muito engraçada. Rimos disso e logo fugimos da situação, porque ele não era interesse nosso naquele momento - dele, porque namora, e meu porque naquele momento não me pareceu ser alguém interessante.
No dia seguinte, na onda de final de ano que citei anteriormente, resolvi sair novamente com esse meu amigo e justo no mesmo local encontramos o rapaz do dia anterior. Dessa vez, meu amigo foi mais rápido e eu acabei ficando ali sozinho, quase que por caridade falando com aquele moço engraçado. Mal sabia eu que era ele quem estava me fazendo um bem enorme. Por algum motivo que só D-us deve saber, eu me atrai pelo rapaz naquela noite, mas não deu nem muito tempo e meus amigos me chamaram, pensando que eu estava me incomodando com a conversa quando, na verdade, eu estava começando a gostar dela. Nada mais foi interessante nessa noite.
Depois disso, entrei em contato com o rapaz por um aplicativo de comunicação e pedi desculpas pelo que fiz e busquei manifestar interesse em conhecê-lo. Passou a virada do ano, fiz o de sempre: bebi, me diverti com os amigos, fazendo palhaçadas e sendo um "eu mesmo" caricato, como costumo fazer. Cada dia que passava me deixava mais curioso para conhecer melhor o rapaz. Quinta-feira chegou esse dia, quando nos encontramos em uma balada. Depois de muita conversa, "o convenci" a ficar comigo. Não sei se era por carência, ou sei lá pelo que, mas foi uma experiência tal qual relatei em duas crônicas - O Encontro e A Energia -, algo que eu não vivenciava há muito tempo já. Trata-se de uma energia quase-que-divina a qual entra por meu estômago e me traz plenitude na garganta, com um leve sorriso e brilho no olhar. Tal qual o sedento quando encontra uma fonte de água, gritei "é minha" e já queria secá-la toda bebendo-a. Falando assim até me senti um vampiro. Enfim, fato é que eu queria mais e mais e mais. Mas, resumindo a história, tudo que era para acontecer, sexualmente falando, ocorreu naquela noite. Explico.
Tendo percebido que o rapaz não estava à vontade com esse envolvimento além de uma amizade, mas ainda assim sem ter certeza sobre qual era mesmo a dele, eu resolvi investir novamente e o convidei para fazer algo dois dias seguintes. Almoçamos juntos, fomos a um bar, tomamos cerveja, conversamos MUITO. E eu tenho que admitir: que rapaz mais admirável. Essa fonte de água cada vez se torna mais cristalina e saborosa para um sedento como eu. Para quem vinha tomando volta e meia só uma agua podrinha, se deparar com uma dessas foi realmente um choque de atração e necessidade. Mas, entre uma e outra conversa, extrai a dúvida que me assolava: ele não tinha interesse em mim - e mesmo em meu amigo - além de uma amizade. E hoje vivi. Vivi como nunca. A epifania por que passo agora é motivada nisso. Novamente, explico.
Aquele moço, tão pura e simplesmente, veio até mim oferecendo sua amizade sincera e, achando graça, virei às costas. Quando, por algum motivo que desconheço, sexualmente me atrai por ele, tudo se inverteu e mesmo continuando a rejeitar a amizade, quis dele sua energia sexual. E aí, agora vendo que eu estava sendo na verdade um completo asno, percebi como eu estava deixando de viver, por um bom tempo de minha vida, dias de completo prazer com alguém, que não fosse motivado simplesmente para obter dele sua energia sexual. Percebi o porquê de ser quase sempre obrigação ter que atender aos chamados de amigos, familiares, quem quer que fosse. Eu estava cego. Cego pelos meus instintos. Inverti os valores e estava me guiando pelo paladar, o olfato, o tato, sem sentir efetivamente o que de melhor eu podia ter das pessoas e de mim mesmo.
Não quero dizer que deixei de estar atraído pelo rapaz. Mas a paixão logo passa. Espero realmente que o mesmo D-us que colocou esse anjo no meu caminho o faça permanecer nele para que continue a me iluminar. Desejo que ele seja um bom e querido amigo, como foi hoje para mim.
Mas 2014 inicia hoje, para mim, após um longo período de sono. Esse anjo que do nada me permeou com sentimentos tão extremos e intensos abriu meus olhos para o que realmente é importante em minha vida. A meta do meu ano será reaprender a viver as coisas importantes e as vivências importantes. Conforme já falei, toda mudança se inicia no agora, e agora inicio com o sonho. Amanhã, continuarei com o planejamento e assim eu acredito que 2014 será uma esperança em minha vida, que trará a solução aos vazios de minha existência. Não acredito em milagres, mas vou me dedicar para transformar água em vinho, ou vamos facilitar acreditando que eu sou uma boa uva a maturar - que não vire vinagre!
Comédia a parte, hoje entrou em gestação um novo Lucas, quem eu esperava por muito tempo. Acho que finalmente começo uma descoberta profunda sobre quem sou, quem fui e quem desejarei ser.
Adianto: vesti rosa e branco no reveillon, mais por preguiça do que por acreditar em alguma coisa. Mas, de fato, quero encontrar paz no amor em 2014, mas não mais o amor que eu desejava, em um príncipe encantado ou princesa, ou algo, ou o que seja. O amor por mim mesmo, que se solidifica no amor por: minha família, meus amigos, minha comunidade e minha profissão. E isso que eu ainda não havia percebido. Pensei tanto em amor próprio que confundi com egoísmo. Mas amar-me significa amar as pessoas e as coisas que são de fato importantes em minha vida.
A respeito de minha profissão, sigo na dúvida. Fiz a promessa de que, se o intercâmbio der certo, darei-me chance de continuar até lá na Medicina e ver se "algo" ocorre que me faça reencontrar nesse sentido. Se isso não ocorrer, farei a vontade que tenho agora: de dar voz à minha felicidade e mesmo com vida humilde e talvez não tão útil aos meus ideais, fazer aquilo que gosto. Uma vez ouvi de alguém sábio que a sorte (destino) é a manifestação de D-us. Por isso, certas vezes, deixo a Ele que me dite o caminho. Assim foi no vestibular e assim continuará sendo agora. Quando chegar a minha hora, eu tomarei a escolha certa, tenho certeza. Mas saber a "hora certa" é, também, uma arte e um aprendizado. Sigo tentando.
Essa epifania só serve a mim, por isso a escrevi. Publiquei-a no blog porque um dia vou querer ler e saber onde achá-la, e sei que como pessoas não leem textos longos - ainda mais aqueles que só servem a quem os escreveu -, também poderei reservar esses sentimentos a mim - ou, no máximo, a quem realmente merecer ter acesso a eles. Mas eu tenho certeza que hoje está sendo um marco em minha vida e que esse texto é o prelúdio de um novo momento de minha existência, caminho de prosperidade e realizações.
Seja bem-vindo, 2014! Obrigado D-us pela luz que trouxe ao meu caminho.
sábado, 4 de janeiro de 2014
Vivo a vida.
Eu não sei o sentido da vida.
Eu não sei o que eu sinto.
Eu não sei o que deveria sentir.
Eu não sei o que sentes.
Sei o que eu desejava que sentisses.
Sei que desejava que me quisesse.
Mas sei que não sou o bastante.
Perco-me em um oceano de vivências e sensações
E não sei sequer o que é meu e o que adquiri pelos outros
A vida é duvidosa. Não parece ter sentido.
Mas como errante sinto que deve haver algo.
Não é possível: tem de haver uma sina. Tem de haver uma condução.
Pareço perdido e de fato devo estar. Mas não na vida. E sim no compreendo dela.
Tudo duvidoso. Pareço-me perdido. Sinto-me só. Estou no caminho.
Eis a vida: vivendo-a.
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