domingo, 8 de julho de 2012
O Peregrino
O barulho das ondas do mar preenchia o ar por sua brisa suave, enquanto o Sol que surgia avermelhava o horizonte, dando ao mar um brilho diferente de sua cor outrora azulada, e depositava na areia, fina, branca e limpa, uma parte do calor que emanava naquela praia. E eu, debruçado por entre essas finas partículas, que juntas formam um manto macio e confortável sobre o qual meu corpo deitava-se e por onde se moldava, pensava no olhar que na noite passada havia descoberto, numa pequena fresta resultante da madeira envelhecida da cabana.
Sou um jovem peregrino sem nome, daqueles que ao passar pelas vilas só é bem acolhido pelas bênçãos que profere - sem importar o rosto, a voz, o nome, quem é. Minha fé é seguir o caminho do vento, ouvindo o que meu D'us fala por meio de meu coração e olhando pelo horizonte, destino onde um dia chegarei. Não temo a lança afiada que encara meu pescoço, ou o fogo que busca fragilizar minha alma. Sigo sempre adiante, pois peregrino que sou, fiel servo do meu Senhor, doando minha vida para seguir seu caminho, por Ele sou protegido e Sua vontade é realizada. Acredito, portanto, que nunca estou perdido - há sobre mim a força e o desejo do Mestre que me guia. Sou humano, todavia, e como tal tenho meus medos, inseguranças, tristezas, ilusões.
(O conto foi abandonado antes de ser finalizado.)