domingo, 8 de julho de 2012

Lágrimas Solitárias



Sentei-me, cruzei minhas pernas e repousei minhas mãos em meu colo. Fechei meus olhos, respirei fundo e uma voz me disse: "Cada lágrima de tristeza que perfura a alma para sair em teu corpo é dolorosa, mas as lágrimas sinceras são cura para o espírito. Cure-se, deixe tuas lágrimas caírem e livre-se daquilo que te perturba."
Instantaneamente, chorei. Em silêncio, cada pedaço de minha alma sangrava e transparente o sangue saia por meus olhos em forma as lágrimas. E era tão reparador, tão purificante, tão curativo. Meu espírito antes enegrecido por minhas desilusões, arrependimentos, angústias, sofrimento, enfim resplandeceu.
E a voz retornou, dizendo-me: "Vou te mostrar algo, venha comigo."
E fui.
Estranhamente deixei meu corpo e segui aquele desconhecido por dimensões da vida antes ignoradas. Tu mereces saber algo sobre teu passado, disse-me. E ao passado retornei. Em flashes ele me apareceu.
Era Rainha. Meu amado um punhal em meu coração atirou, e sangrando vi a vida perder a razão, e a morte que batia à minha porta tornou a ser cada vez mais cômoda e aceitável. Alguém que por mim o amor era ignorado então apareceu e fez sangrar a garganta de meu amado assassino. Depois de tê-lo matado sem medo da crueldade, ajoelhou-se perante mim e novamente declarou seu amor, pedindo a D-us vida em meu corpo já todo ensanguentado. E eu, envergonhada pela minha ilusão, por ser refém da paixão, só pude dizer "Desculpe-me. Chegou minha hora de partir. Queria ter feito diferente, ter retribuído seu amor com um de igual tamanho, e eu prometo que, se houver vida depois dessa, ei de pagar cada parte desse sentimento que a mim você dedicou. D-us há de ser o juiz e me cobrar essa sentença: te amarei e provarei minha gratidão pelo que fizesses por mim." E eu fechei meus olhos. E meu ignorado deixou caírem algumas lágrimas. E logo também seus olhos fechou, com o punhal que me ferira agora em seu peito, e não mais no meu.
E hoje, na vida que realmente há depois daquela, amei novamente o antigo amado, embora não tenha sido morto, meu coração novamente fora ferido, e quando conheci o ignorado, cumpri minha promessa. Mas talvez já fosse tarde para termos uma história bonita para contar. Ele traiu o amor que estava lhe devolvendo. E D-us me livrou de minha sina.
E, agora, aqui sozinho estou, com lágrimas caindo de meu rosto, curando a minha alma de todas as feridas pelo amor desiludido já causadas. Sozinho aqui estou. Sozinho, com meu solitário e traído amor.