quinta-feira, 26 de julho de 2012
O Dia Mais Feliz
Como a lembrança do dia mais feliz da minha vida pode hoje me trazer tanta tristeza?
Quero-o novamente.
sábado, 14 de julho de 2012
A Bênção da Morte Trágica
Eu vou contar a história de um indivíduo bem particular: moreninho, não muito alto, nem muito baixo, magriiinho, olhos negros como seus cabelos, sorriso feliz e contagiante, gesticulador, entusiasmado, parece sempre animado. Mas como ele é, fisicamente, na verdade não importa. Vou contar sua história:
Antes de nascer, antes mesmo de o espermatozoide fecundar o ovócito, sua alma estava sendo moldada pelo Arquiteto dos Espíritos. D-us faz cada um de sua forma, com sua peculiaridade, e a desse rapaz foi nascer com a habilidade de fazer as pessoas admirarem ele, seja por sua benevolência, seja por sua inteligência, por seu altruísmo, por suas habilidades. Mas toda boa particularidade tem um preço, e o desse menino era se desintegrar, implodir cada vez mais, a cada admiração.
"Você escreve muito bem, adoro ler tudo!"
Bum!
"Você é lindo!"
Bum!
"Nossa, você realmente é inteligente!"
Bum...
"Eu casaria contigo!"
Bum? Bum.
...
O preço da vida é a morte, mas essa morte, que corroi aos poucos a alma do rapaz e cria um vazio no meio de tantas implosões, faz jus literalmente ao que disse um célebre escritor "O que aprendi é que a tragédia da vida não é a morte, mas o que vai morrendo dentro de nós, enquanto vivemos". E que morte trágica a do magrinho.
A cada admiração, surgia um questionamento:
Escrevo bem? Adora ler o que escrevo? Então por que não me abraça e vem ler o que estou escrevendo?
Sou lindo? Então por que me privas do teu beijo, do teu corpo?
Sou inteligente? Conversa comigo! Por que não conversa comigo e prova da minha inteligência, enquanto eu conheço a tua?
CASARIA COMIGO? Então por que estou sozinho?
E um grande questionamento surge, a partir do que disse Roald Dahl: "Não tem a menor importância quem a pessoa é ou qual é a sua aparência, contanto que alguém a ame."
E quando todos dizem te amar, mas só o que você precisa é de amor, e não de palavras?
Esse é o vazio do menino. Esse é o meu vazio. Eu me dedico a cada alma que passa por meu caminho. Ouço, aconselho, escrevo, sorrio, abraço, beijo, simplesmente olho, falo falo falo, tudo. Eu amo cada pessoa que cruza meu caminho. Mas grande parte da vida pareço incapaz de sentir que me amam também. Me sinto sozinho, acuado, sentado chorando no canto do quarto escuro, onde todos dormem e a criança chora pelo medo de estar sozinha.
Eu sei que não importa quem sou, ou minha aparência. Um dia deixarei de ser e aparentarei pó tal qual acontece com todos. Mas quem me ama? Isso é importante. Isso traz solidão. Isso me deixa vazio.
E por isso as palavras me corroem: cada uma delas grita dentro de mim com eco, daquele que ecoa em caverna da era retrasada. Lindo! Lindo, lindo, lindo, do, do, do, do.... Sei, admiração. Sim, meu vazio.
Mas quando, por bondade divina, sinto o amor retribuido, não em palavras, mas no fundo do espírito, então eu me apaixono. E simplesmente tenho medo de perder aquilo que tão dificilmente aparece em minha vida. E eu me cobro, para que cada um dos elogios que recebi em minha vida sejam realmente verdade, concretos. Tenho que ser perfeito, não posso perder esse amor. E me preocupo tanto, me exijo tanto, exijo tanto de quem me ama, grito, esperneio, sufoco - sufoco-o e sufoco-me. E eu perco o amor. E eu encaro a triste solidão vazia, amargurada, transparente e ao mesmo tempo opaca por minha alma que deveria ser multicolor. E eu não aceito! Eu fujo de mim, fujo para ti, faço besteiras, perco a noção de mim, pois O QUE RESTA DE MIM?
Ninguém merece viver eternamente solitário, essa grande tragédia de alguém que quase nunca se sentiu amado, mas que ama cada criatura que passa por seu caminho.
E essa é a história do menino bem particular, abençoado pelo Arquiteto dos Espíritos com a admiração alheia, e amaldiçoado pela solidão quase que incessante.
Um ego incessante. Solitário e incessante.
Vazio.
Como viverá tantos anos mais, tão morto assim logo jovem?
Merece vida. Ganhará vida, nem que ganhe somente mesmo após a morte.
Que morte trágica a desse magrinho!
terça-feira, 10 de julho de 2012
Amor e Ódio
Tenho uma relação de amor e ódio com o ser humano.
Sua mente me fascina, nosso convívio me destroi.
Sou o único?
domingo, 8 de julho de 2012
O Suicida
Disseram que eu era um jovem apaixonado, um adolescente qualquer que, ao ouvir um "não" definitivo de quem amava resolveu ele próprio dizer não a sua vida. Eu quero corrigir essa história e contar a minha versão.
Eu nunca tive muitas oportunidades na vida no sentido de me tornar alguém bem sucedido. Não tive acesso a uma boa escola, não consegui entrar na faculdade que eu desejava, tendo que fazer um curso pago que nada tinha a ver comigo e com meus desejos. Nunca tive muitos amigos e foram poucas as pessoas por quem me apaixonei.
Mas há tantas pessoas em iguais condições à minha que continuam vivendo, levando a vida, embora haja aqueles que morrem de miséria, fome, doenças físicas, acidentes, violência. E inclusive tantas pessoas que amavam e não foram correspondidas que também continuaram vivendo.
Não, não é correto dizer que eu tomei essa decisão por não ter oportunidades sociais (escola, emprego, moradia de qualidade, etc). E não é justo dizer que fiz isso por uma desilusão amorosa.
Menosprezam minha existência! Minha capacidade de pensar, sentir, viver.
Eu morri de desgosto.
Joguei-me do ático do prédio onde eu morava, se te interessa saber. Tive alguns minutos sentindo a dor por todo meu corpo, que já se liquefazia em sangue, perdendo seu vigor.
Meu corpo ficou completamente desfigurado e meus pais se recusaram a deixar o caixão aberto na hora do velório, pois não era esse o filho que conheciam e amavam e cuidavam e que hoje faz tanta falta. Sinto muito por ter feito isso com eles, e com meus amigos também.
Na verdade, eu vivia uma mentira. Tive que fingir por todos meus dezoito anos de vida que eu era igual aos outros, feliz, normal. Eu era, em alma, aquele corpo desfigurado que meus pais recusaram aceitar como seu filho, e meus amigos como seu amigo, e minha amada como seu ex-amor.
(A crônica foi abandonada antes de ser finalizada.)
O Abandono dos Reis
As risadas, altas, pontiagudas e estridentes, ecoavam pelo salão do castelo. Eram em número de sete as mulheres vestidas com longos vestidos esfiapados e velhos, todavia tão pretos como se imaginaria que só assim fossem sem nenhuma dessa sujeira, pó, barro e sangue os quais banhavam suas vestes. As bruxas gritavam Ele morreu, Ele morreu! Quem agora desafiará os verdadeiros Reis?
Logo atrás das feiticeiras, seguia um grupo de cinco homens encapuzados. Vestidos com uma capa roxa e roupa preta, tinham em seu peito o grande medalhão em ferro enegrecido do pentagrama invertido e carregava cada um seu cajado. Era um pedaço de pau, mas que do tom cinzento e aparente resistência mais parecia um verdadeiro metal. Entraram quietos pelos portões do salão, mas tão cedo chegaram perto do altar, pararam. Viva o Reinado! E bateram com seus cajados no solo, cujo som seco, mas intenso envolveu todo o recinto. Logo os levantaram e ao reluzir no sol, tudo se enegreceu e um grito ensurdecedor, agudo surgiu. Via-se no salão somente a luz apagada das velas e os vultos das bruxas e dos magos começavam a se postar perante suas poltronas.
Uma onda de corvos, que só se sabia sua presença devido ao barulho que emanavam e pelo deslocamento de ar o qual causavam, adentrou no salão pelas grandes janelas - vãos, na verdade, pois não existia nenhuma proteção entre a estrutura de pedra - e acomodou-se. Atenção! Atenção! Dará entrada ao Salão da Promessa os Reis Mateus, Marcos e João, falaram os gigantes, com sua voz pesada e estremecedora, guardiões do portão de entrada.
Aos poucos, a harmonia doce de flauta ia ganhando o ambiente, e uma luz radiante surgiu na escuridão, adentrando no Salão. Eram os Reis, altos, magros e de tez clara. O cabelo de João, o mais alto de todos, era loiro e comprido, alcançava sua cintura, enquanto que Mateus o tinha bem curto e enegrecido, tão escuro quanto o do rei Marcos, cujo cabelo alcançava seu ombro. Caminhavam por sobre o tapete vermelho sangue, agora bem visível pela luz irradiada pelos próprios Reis, com lentidão característica, típico do que se espera de grandes Reis, nem tão afobados, como uma criança plebeia, tampouco lerdos tal qual um velho moribundo - eram Reis.
Atrás deles acompanhava um macaco magro, carregando um rolo de papel. Enquanto andavam rumo a seus tronos, o bicho olhava a cara dos discípulos, que lotavam o Salão. Eram sujos, pobres, sedentos, percebia-se a miséria e pobreza por suas vestes e sua tristeza era notável, pela face abatida e olheiras fortes e escurecidas por sobre os olhos.
(O conto foi abandonado antes de ser finalizado.)
O Peregrino
O barulho das ondas do mar preenchia o ar por sua brisa suave, enquanto o Sol que surgia avermelhava o horizonte, dando ao mar um brilho diferente de sua cor outrora azulada, e depositava na areia, fina, branca e limpa, uma parte do calor que emanava naquela praia. E eu, debruçado por entre essas finas partículas, que juntas formam um manto macio e confortável sobre o qual meu corpo deitava-se e por onde se moldava, pensava no olhar que na noite passada havia descoberto, numa pequena fresta resultante da madeira envelhecida da cabana.
Sou um jovem peregrino sem nome, daqueles que ao passar pelas vilas só é bem acolhido pelas bênçãos que profere - sem importar o rosto, a voz, o nome, quem é. Minha fé é seguir o caminho do vento, ouvindo o que meu D'us fala por meio de meu coração e olhando pelo horizonte, destino onde um dia chegarei. Não temo a lança afiada que encara meu pescoço, ou o fogo que busca fragilizar minha alma. Sigo sempre adiante, pois peregrino que sou, fiel servo do meu Senhor, doando minha vida para seguir seu caminho, por Ele sou protegido e Sua vontade é realizada. Acredito, portanto, que nunca estou perdido - há sobre mim a força e o desejo do Mestre que me guia. Sou humano, todavia, e como tal tenho meus medos, inseguranças, tristezas, ilusões.
(O conto foi abandonado antes de ser finalizado.)
Lágrimas Solitárias
Sentei-me, cruzei minhas pernas e repousei minhas mãos em meu colo. Fechei meus olhos, respirei fundo e uma voz me disse: "Cada lágrima de tristeza que perfura a alma para sair em teu corpo é dolorosa, mas as lágrimas sinceras são cura para o espírito. Cure-se, deixe tuas lágrimas caírem e livre-se daquilo que te perturba."
Instantaneamente, chorei. Em silêncio, cada pedaço de minha alma sangrava e transparente o sangue saia por meus olhos em forma as lágrimas. E era tão reparador, tão purificante, tão curativo. Meu espírito antes enegrecido por minhas desilusões, arrependimentos, angústias, sofrimento, enfim resplandeceu.
E a voz retornou, dizendo-me: "Vou te mostrar algo, venha comigo."
E fui.
Estranhamente deixei meu corpo e segui aquele desconhecido por dimensões da vida antes ignoradas. Tu mereces saber algo sobre teu passado, disse-me. E ao passado retornei. Em flashes ele me apareceu.
Era Rainha. Meu amado um punhal em meu coração atirou, e sangrando vi a vida perder a razão, e a morte que batia à minha porta tornou a ser cada vez mais cômoda e aceitável. Alguém que por mim o amor era ignorado então apareceu e fez sangrar a garganta de meu amado assassino. Depois de tê-lo matado sem medo da crueldade, ajoelhou-se perante mim e novamente declarou seu amor, pedindo a D-us vida em meu corpo já todo ensanguentado. E eu, envergonhada pela minha ilusão, por ser refém da paixão, só pude dizer "Desculpe-me. Chegou minha hora de partir. Queria ter feito diferente, ter retribuído seu amor com um de igual tamanho, e eu prometo que, se houver vida depois dessa, ei de pagar cada parte desse sentimento que a mim você dedicou. D-us há de ser o juiz e me cobrar essa sentença: te amarei e provarei minha gratidão pelo que fizesses por mim." E eu fechei meus olhos. E meu ignorado deixou caírem algumas lágrimas. E logo também seus olhos fechou, com o punhal que me ferira agora em seu peito, e não mais no meu.
E hoje, na vida que realmente há depois daquela, amei novamente o antigo amado, embora não tenha sido morto, meu coração novamente fora ferido, e quando conheci o ignorado, cumpri minha promessa. Mas talvez já fosse tarde para termos uma história bonita para contar. Ele traiu o amor que estava lhe devolvendo. E D-us me livrou de minha sina.
E, agora, aqui sozinho estou, com lágrimas caindo de meu rosto, curando a minha alma de todas as feridas pelo amor desiludido já causadas. Sozinho aqui estou. Sozinho, com meu solitário e traído amor.
Se é por falta de adeus...
Olhou para mim, sorriu, estendeu a mão, abraçou, beijou, olhou para o lado e me abandonou.
Foi embora e não precisa mais voltar.
Se é por falta de adeus, o "à D-us" aqui está!
Olha, Se há algum amor realmente importante, esse é o amor-próprio. Então o pelos outros é facilmente dissolvido por situações irremediáveis.
Não há perdão para amor ignorado, coração perfurado.
Se queria outro, devia ao menos ter falado. Por amizade era o mínimo esperado.
Se queria a mim, deveria ter me valorizado. Por amor - mesmo que ainda nascente, porém necessariamente pulsante - era o mínimo por mim desejado.
Não houve amizade, não houve amor.
Mas também não terei rancor.
Há pessoas, há fatos que simplesmente merecem ser esquecidos.
Pois não merecem nada mais que isso: o esquecimento.
Vou seguir meu rumo.
Não devo temer a solidão, pois sozinho de fato nunca estou.
E há tantas pessoas especiais as quais surgem na vida, dia após dia, que provam haver novo melhor que o velho...
Posso, enfim, dar meu coração com grande facilidade. Mas com essa mesma falta de dificuldade o tomo de volta.
Porque sou de quem faz por merecer.
E como em uma noite você mostrou desejar meu esquecimento, vá embora mesmo e não voltes mais. Vou te esquecer.
À D-us.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Meus Cristais
Antes de eu nascer, D-us colocou um pequeno cristal dentro do meu coração e outro de mesmo tamanho em minha mente. Enquanto esse último crescia quando eu experimentava sentimentos novos ou intensos, aqueloutro repousava pequeno, até que eu mentisse sobre esses meus sentimentos, quando ele crescia potencialmente.
Estar contigo, ter-te em minha vida em alguns momentos, tudo o que fazemos juntos me faz viver coisas diferentes, sentir algo novo, e cada vez mais intenso. E quanto mais momentos, quanto mais tempo convivo contigo, mais cresce esse cristal em minha mente, pressionando-a e comprimindo-a. Dói na alma, infiltra-se nas dimensões mais profundas do meu ser e, no final, faz-me sofrer. E eu quero te falar sobre o quanto eu estou amando conhecer-te, sobre meu vício em descobrir cada parte nova de ti, meu vício em desejar te amar, em me doar, meu vício por ti. Mas, embora deseje dizer a verdade, quando vou te falar sobre o que sinto e buscar a verdade sobre o que tu pensas, eu minto, pois minha mente dói e algo dentro de mim busca incessantemente pela sobrevivência - sem dor, sem sofrimento. E, nesse momento, meu cristal mental para de crescer, e eu te digo que tu és dispensável, que não faço questão de te ter em minha vida, que os momentos que passo contigo são iguais aos que passo com outrem, eu minto, e passo a sofrer pela implosão em meu coração, com o cristal dos sentimentos se expandindo potencialmente. Então volto a ti, e te trato como deves ser tratado, indispensável e amado. E minha mente sufoca. E eu me afasto. E meu coração isquemia. E eu volto. E eu vou embora. Mas eu quero ficar. E ter te conhecido, estar me apaixonando por ti é ao mesmo tempo a coisa mais maravilhosa que me aconteceu, a coisa mais gostosa de se vivenciar - e a mais dolorosa e sofrida.
Rezei a D-us, pedindo que eu pudesse ser feliz, amar-te sem ter culpa, sem sofrer, sem doer. E Ele me enviou um anjo. E o anjo falou-me sobre só teu amor ser capaz de tirar os cristais do meu corpo e alma, e só com teu amor eu poder ser feliz, por ti me apaixonando. Será que eu algum dia conquistarei teu amor?
Ou devo me abster desses nossos momentos e viver para sempre sozinho, num mundo escuro e sem graça, num eu sem fim? Devo ter de me contentar com um amor-próprio que real e dificilmente um dia hei de ter?
Tira de mim esses cristais da mente e do coração, e vamos juntos ser felizes! É esse meu desejo.
Mas como conquistarei teu amor? Espero descobrir. Ou destruir-me descobrindo. Pois aqui, sozinho, é que eu não vou ficar!
Frio na Minha Cama
Lá fora, o Sol já nasceu, o calor invadiu minha janela, mas ainda sim faz frio na minha cama. Há um espaço vazio nessa pequena cama de solteiro - mas que não gosta de ser chamada assim -, há esse espaço vazio no meu coração. E o frio só não toma conta do meu corpo porque eu me cubro com a coberta - querendo me cobrir com a pele do teu corpo, pois essa realmente esquenta, e não só retem o calor como aquela. Como é bom poder suar em noites frias, manhãs nubladas... Ser realmente quente, na soma da minha energia com a tua. E como é triste acordar passando frio em minha cama, com um dia quente lá fora. Duplamente frio. Duplamente vazio. Duplamente sozinho. Duplamente te querendo.
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