segunda-feira, 10 de março de 2014

O Engasgo



Algo inquieta-me, tento falar;
Estou engasgado, não sei mais quanto irei aguentar.

Serão os sentimentos?
Será a dor?
Explodem sensações;
Que dirão as emoções...
Explodem. Implodem-me.

Reconstruir um coração não é feito fácil.
Um ego ferido para se recompor tem de ser hábil!

A dor e o gozo andam lado a lado
O Id alcança o prazer da conquista
O superego amarga a derrota da segurança
O ego está embriagado
E eu, aqui, relegado.

É claro que desejo aventuras
Deixar-me levar pelos acontecimentos
Ignorar os efeitos, sem pensar sequer nas causas
Viver, sem raciocinar a todo instante
Mas isso é tão difícil: para mim, sobre humano.
Talvez porque eu seja sub humano...

Abaixo ou acima, mereço ser feliz!
Mas como alcançar tal feito
Se a todo instante me perco;
Desejo, desdesejo
Ignoro, enalteço
Amo, odeio
Eu, ainda eu mesmo.

Não me parece ser normal
Mas dizem que isso de normal ou comum inexiste,
Ou talvez apenas seja melhor não tratar mesmo assim...
De fato, é doloroso estar consigo mesmo sempre em riste.
É mais confortante aceitar-se e tentar viver como dá.

Mas como é difícil estar fora do controle...
Como se tudo na vida estivesse à nossa frente:
Como em um videogame,
Eu com o controle, a vida na tela.
Antes fosse...

E o pior: já estou tão acostumado com esses questionamentos!
Percebo-me como um CD arranhado, voltando sempre ao começo.
Isso é desmotivador. Enlouquecedor.
No tempo do movimento, estar parado é vivenciar a dor.

Engasgo-me com a dor.
Não sei quanto mais é possível aguentar.
Mas a vida é superação, tenho que controlar toda emoção.
É muito controle para um poema só.

Cuspo esse autocontrole engasgado
E engulo o prazer dos momentos que vivi
Quando estava sem medo de ser feliz
Ainda que insatisfeito com o que depois senti.