quarta-feira, 12 de março de 2014
Artista, cirurgião de sua própria alma
Escrever não é só uma arte. É, por muitas vezes, também uma terapia. O lápis na mão cirurgicamente faz sublimar os sentimentos que incomodam o artista. Ele é sobretudo um cirurgião de sua própria alma.
Identifica o sentimento alvo, isola-o, esteriliza seu entorno das ideias conflitantes e, cuidadosamente, com o lápis retira do âmago da alma aquilo que ameaça sua paz, resultando em palavras, frases, parágrafos, textos, ou muitas vezes em apenas uma poesia, ainda que desconexa e surreal.
O ato da cirurgia é realizado sem anestesia. Quase que masoquista, o artista extrai o sentimento de si, sentindo-o ainda mais profundamente e dolorosamente. Faz sangrar palavras, mas sempre cuidando ao ponto de não causar hemorragias perigosas para a alma. Estanca o fluxo, quando necessário. Mas geralmente vai até o fim e então sutura o espírito, quando já tudo foi sublimado.
Dia a dia, a dor diminui e o que antes incomodava, agora torna-se apenas uma cicatriz para levar consigo na alma.