Era dezembro de 1991, os moradores de Brightville, cidadezinha no interior de Nevada(EUA) com descendência brasileira estavam fugindo para longe de sua cidade pela ameaça de um fantasma.
Mas os “centrais”, João, Jorge, Gabi e seu cachorrinho, Bandit, que tinham esse apelido por morarem no bairro Central da cidade, não acreditavam em fantasmas, e estavam decididos a investigar por conta própria esse mistério para provar que fantasmas não existem.
Estavam reunidos na casa de Gabi, saboreando a bolachinha deliciosa que só sua mãe, dona Marta fazia, quando decidiram conversar sobre esse mistério do fantasma.
- Gente, é ridículo esse papo de fantasma! – disse João – Deve ser alguém querendo brincar com o pessoal da cidade, não é possível!
- Tudo bem, mas como vamos provar isso, galera? – perguntou Jorge aos outros centrais à espera de uma resposta.
- Ai, é fácil gente! É só a gente começar a investigar esse mistério! – falou Gabi demonstrando facilidade para responder à pergunta de Jorge.
- Então, vamos ter que pensar, onde podemos começar a investigar? – perguntou Jorge.
- Temos que iniciar nossas investigações onde tudo começou...! – disse João.
- Isso mesmo João, mas onde? – perguntou Gabi.
- É claro! A fazenda abandonada de dona Maria! – respondeu João após alguns minutos de pensamento.
- Quando começamos? – perguntou Jorge entusiasmado.
- Por mim, agora mesmo! Tudo bem para vocês? – respondeu João.
- Tudo! – responderam animados Gabi e Jorge ao mesmo tempo.
Então foram correndo para a fazenda abandonada da dona Maria, passaram pela praça do centro do bairro, passaram pelo cinema da cidade, pela sorveteria DiBoa, e entraram no bairro Velho, após 15min de caminhada, finalmente conseguiram chegar.
- Ufa! Nunca pensei que uma cidadezinha como BrightVille poderia ser tão grande... – brincou Jorge.
- Então... Homens primeiro! – falou Gabi apontando para a fazenda.
- Vamos gente, não podemos perder tempo! – disse João, que correu para a fazenda abandonada, logo seus amigos atrás seguindo ele.
Quando chegaram à fazenda, já cansados, sentaram numa pedra que estava ali, onde cabiam todos. Após descansar um pouco em silêncio, haviam percebido que estava faltando alguém.
- Gente, alguém viu o Bandit? – perguntou preocupada Gabi.
- Meu deus, cadê o Bandit! – exaltou-se Jorge.
- Ai, ele deve ter ficado no caminho! – disse Gabi tentando achar uma explicação para o ocorrido.
- Fazemos assim, vamos investigar o local e depois, vamos atrás do Bandit, não devemos demorar muito tempo aqui. – disse João.
- Ai não! Coitadinho do Bandit está perdido por essa cidade, com o perigo de ter um fantasma! – disse Gabi, preocupada com Bandit, e já perdendo a razão.
- Gabi, vai ver não tem nada de mal acontecendo, só ele se perdeu no caminho, e ele é esperto o bastante para nos achar! – tranqüilizou Jorge.
- Vamos investigar a fazenda gente, não podemos perder tempo! – disse João.
E eles vasculharam toda fazenda à procura de alguma pista para o mistério. Olharam primeiro nas margens do rio que ficava do lado da fazenda, não tinha nada, olharam o casebre, e só acharam aranhas e lagartixas que fizeram os cabelos de Gabi arrepiarem, que logo se recuperou dos sustos. Agora só restava para investigar é o estábulo.
- Ai gente, vamos embora! Não tem nada aqui... – desabafou Gabi apavorada com os insetos e constrangida por não terem encontrado nada.
- Ei gente, ainda falta o estábulo! – disse João apontando para aquela estrutura abandonada e com telhas caídas.
Logo correram para lá, e entraram naquele estábulo, que por dentro, estava escuro, mas muito mais preservado que o casebre, não encontraram nenhuma teia de aranha sequer.
- Ai que beleza, nenhum inseto nojento! – disse feliz Gabi.
- Olha, é uma pista, enquanto o casebre estava infestado de insetos e totalmente abandonado, o estábulo está intacto por dentro, sem nenhum bicho sequer. – analisou João.
Logo após a última letra dita por João, a porta do estábulo fechou, deixando os centrais na penumbra.
- Gente, não enxergo nada! – disse Jorge.
- Quem fechou a porta? – perguntou Gabi.
- Calma, vou pegar minha lanterna na mochila. – disse João, sempre com sua mochila cheia de artefatos de detetive.
Quando João acendeu a luz da lanterna, achou Jorge e ouviu um grito de Gabi.
- Gabi, você está bem? – gritou Jorge preocupado.
- Sim, cai aqui no chão, podem me ajudar? – respondeu Gabi, que tinha tropeçado numa caixa.
João posicionou a lanterna de forma que Jorge pudesse enxergar Gabi e ajudá-la, e aí reparou naquela caixa onde Gabi havia tropeçado. Era uma caixa preta com um desenho de uma barra de ouro estampado em um dos lados do objeto, e abaixo da figura, uma sigla: G.O.L.D. Após Gabi se levantar e se recuperar do tombo, João correu para a porta, onde ele a abriu e o estábulo se encheu de luz, não precisando mais da lanterna.
- Gente, olhem para essa caixa! – disse João apontando para o objeto.
- Que estranho, ela parece ser novinha, vamos abri-la? – disse Jorge.
Quando abriram a caixa, acharam vários frascos cheios de pó branco, João pegou um deles e logo os centrais foram para fora do estábulo.
- Já temos uma pista, mas o que será que é esse pó branco... – disse Jorge.
- Acho que já está na hora de irmos para casa, já é meio-dia! – lembrou Gabi.
Então eles foram para o bairro Central, onde se dirigiram até a casa de Jorge.
- Gente, almocem todos aqui, minha mãe já deve ter preparado o almoço! – convidou Jorge – E depois vamos procurar Bandit, concordam?
Gabi e João aceitaram e logo foram almoçar o feijão com arroz e o bife que normalmente era o prato principal naquela cidadezinha estadunidense com descendência brasileira. Após almoçarem, os centrais foram para frente da casa de Jorge, ficar na varanda e discutir sobre o mistério.
- Pessoal, hoje ainda temos tempo para duas coisas: falar com o nosso professor de química para ver se ele consegue descobrir o que é esse pó, e depois disso, ir atrás do Bandit. – disse João.
- Então vamos logo! - disse Jorge entusiasmado.
- Ai gente, eu vou dar uma volta, não estou me sentindo muito bem... – falou Gabi ainda muito triste com o desaparecimento de Bandit.
- Ei Gabi, não se preocupe com o Bandit, logo ele aparece por aí... E é só a gente entregar este frasco para o professor de química que já vamos procurar ele. – disse Jorge entendendo a situação.
- Vocês podem ir, eu só queria ficar um pouco sozinha, estou muito abalada...
- Gabi, a gente vai indo, qualquer coisa, sabes que estaremos no laboratório de química com o professor Saulo, melhoras! – disse João.
- Até mais! – se despediu Gabi.
E os dois foram para o laboratório, enquanto gabi ficou ali para pensar um pouco em tudo que esta acontecendo. Já no laboratório de química da escola, os garotos foram até o professor de química, Saulo, para perguntar sobre o frasco.
- Olá professor! – disse João e Jorge ao mesmo tempo.
- Ah! Olá meninos... Como andam as férias? – saudou o professor.
- Bem... – responderam todos receosos. – Na realidade professor, a gente veio aqui para ver se o senhor pode nos dizer o que é esse pó. – mostrou João.
- Claro que posso analisar ele para vocês, mas vai demorar uma semana. – falou o professor Saulo.
- Você não pode fazer isso mais rápido? – perguntou Jorge.
- Posso tentar Jorge, mas só posso dar a garantia de que irei fazer o possível, tudo bem? – disse o professor.
- Tudo bem então, aguardamos o resultado! – respondeu Jorge.
- Tchau, obrigado! – se despediu Jorge e João.
Logo saíram do laboratório e foram para a sorveteria DiBoa chupar o picolé mais famoso da cidade, o de morango com pedacinhos da fruta. Já na sorveteria eles conversavam enquanto chupavam o picolé.
- Tomara que os resultados sobre o pó branco saia logo para a gente descobrir se tem alguma relação com o fantasma! – disse ansioso Jorge.
- Depois daqui acho que poderíamos ir tentar achar a Gabi, ela deve estar por aí tentando achar Bandit... – refletiu João.
- Vamos indo agora, já estou quase terminando! – disse Jorge.
- Então vamos!
Foram caminhando devagar pelo centro da cidade em busca de Gabi, o picolé acabou, o sol estava se escondendo, os passarinhos começavam a cantar quando eles vão descansar na varanda da casa da amiga e encontram um papel:
“ Um entre outros, um na multidão, como um qualquer, sozinho no escuro, escondido de dia, quem sou eu? “ Fantasma de Ouro.
- Jorge, o que será que ele quis dizer? Por que ele deixou esse papel aqui na varanda da casa da Gabi? O que será que ele quer?
- Olha João, preciso descansar um pouco, dar uma refletida, é muita coisa em pouco tempo, sugiro a gente ir dormir e amanhã cedo, ir em busca desse fantasma que amedronta a tantos, e se mostra a poucos.
- Tá bom então Jorge, boa noite! – se despediu João.
- Tchau!
E os dois vão para suas casas, dormir na noite de lua cheia, com os grilos quietos, escondidos do perigo e os cães uivando. Ao amanhecer do dia, Jorge acorda após um pesadelo e liga para João para contar o fato.
- João, você não vai acreditar no que eu sonhei! – disse ao telefone Jorge.
- Jorge, são oito da manhã, não queres esperar dar dez horas? Estou morrendo de sono! – apelou João.
- É importante! Aliás, estou te esperando aqui em casa para tomar café da manhã e eu te contar como foi meu sonho e o que isso representa para nossa aventura!
João acordou, tomou banho, se ajeitou e quando estava indo para a casa de Jorge, três casas distante na mesma rua, achou o colar com um pingente de cristal que ele e Jorge haviam dado à Gabi no dia em que sua avó morrera, ele pegou o colar e continuou seu pequeno trajeto. Chegando na casa de Jorge, tocou a campainha e ninguém respondia, então tomou a liberdade de entrar. Encontrou o café da manhã preparado e servido em cima da mesa, gritou pelo nome de Jorge e ninguém respondeu, então resolveu subir as escadas e ir ao quarto do amigo. Quando abriu a porta viu o amigo se derramando em lágrimas olhando para uma foto, que olhando mais de perto João percebeu que era de sua mãe.
- Jorge, sinto muito... – disse João.
- João, ela me mostrou uma coisa no meu sonho! –disse Jorge.
- O que exatamente?
- Ela estava me guiando pelo cemitério da cidade, puxava minha mão como fazia quando estava viva, até que parou numa lápide, a de Auríder Lamparin. Ela me falou alguma coisa que não me lembro e me mostrou o colar com o pingente de cristal que a gente havia dado a Gabi quando sua avó morrera, e jogou este para longe, muito longe. Será que o fantasma existe mesmo?
- Isso eu não sei, mas aqui está o pingente. – mostrou João.
- Onde estava?
- No caminho da minha casa para a sua!
- João, o que será que isso significa? – perguntou assustado Jorge.
- Só saberemos a resposta da sua pergunta continuando com as investigações. – disse João.
- Aonde vamos agora?
- Deixe-me pensar...começou na fazenda abandonada, depois... Samantha desapareceu no banheiro das meninas no colégio!
- Então vamos até o colégio, João!
E os garotos foram até o colégio Minerva para tentar encontrar mais alguma pista do fantasma. Ao chegar no colégio, toparam com o professor de química, Saulo.
- Ah! Olá meninos. – falou Saulo – Andei dando uma olhada no frasco que vocês me entregaram, e o pó branco contido dentro tem substâncias que indicam transformação na cor, mais alguns dias e irei identificar o que realmente é isso.
- Obrigado professor! Aliás, será que você sabe por onde anda a diretora Evans? – perguntou João.
- Ela está na sala dos professores, meninos, houve outro aparecimento do fantasma, quem sumiu foi Haira Maggins, a loira da sétima B. – disse o professor.
- João, acho que antes mesmo de nós irmos falar com a diretora, temos que ir à biblioteca, fazer uma relação das pessoas desaparecidas. – disse Jorge.
- Isso mesmo! Tchau professor. – disse João.
- Tchau meninos!
E os dois foram para a biblioteca do colégio que estava vazia, só estava a bibliotecária “Sra. Rabugenta”, a professora Isabel.
- O que os dois fazem aqui? – perguntou sarcasticamente a professora.
- Viemos ler livros de literatura inglesa, Rabu. – mentiu Jorge.
- Eu já disse para pararem de me chamar de Rabu, o que é isso? Seus pestes... o que vocês estão tramando? Ah, eu vou descobrir... – disse Isabel nervosa.
- Com a sua licença Isabel, gostaríamos de nos dirigir até a mesa do canto da biblioteca e ler livros de literatura inglesa. – falou educadamente, mas sarcasticamente João e os dois foram se sentar.
Já na mesa de canto, eles pegaram um papel com pauta e começaram a pensar nos fatos importantes dessa aventura.
- Bem, a primeira aparição do fantasma ocorreu na fazenda abandonada, mas quem desapareceu primeiro foi Bandit, seguido da Gabi, depois Samantha desapareceu no banheiro do colégio e por último, Haira Maggins, mas onde ela sumiu? – disse Jorge.
- Ouvi o Max comentando que ela havia desaparecido depois do treino de vôlei, no vestiário do colégio.
- Jorge, você percebeu que, com exceção de Bandit, todos os desaparecidos são meninas de 14 anos?
- Mas deve ter algo escondido... algo me diz que devemos falar com a diretora agora mesmo!
E os dois correram para a sala dos professores, e encontraram a diretora Evans com seus olhos azuis de gata siamesa, capaz de conquistar o olhar de qualquer um, diferente de outras diretoras, era loira, jovem e ágil, em seus trinta anos de idade já se formou em química, trabalhou na escola de professora e conseguiu virar diretora do colégio mais importante da cidade.
- Olá Jorge e João, tudo bom? – disse a diretora.
- Oi diretora Evans, eu e o Jorge viemos falar com você sobre o desaparecimento de nossas amigas de classe Samantha e Gabi, além da menina da sétima B, Haira Maggins. – disse João.
A diretora ficou meio trêmula aos meninos tocarem no assunto, mas não abriu mão de contar-lhes o que sabia.
- Meus queridos alunos... É uma série de desaparecimentos, não se sabe ao certo o que está ocasionando isso, mas boatos dizem que é um fantasma.
- Sabemos disso diretora, mas o que estamos querendo descobrir é onde Haira Maggins sumiu, e qual a relação com os outros desaparecimentos! – disse João.
- Haira sumiu no laboratório de química, após a aula do professor Saulo
(O romance foi abandonado antes de ser finalizado.)







