segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Dança



As janelas estão fechadas, protegendo meu quarto da noite. Meus olhos se fecham, sonhos vêm e vão. Acordo. Exponho o ambiente aos raios solares, que invadem tomando conta de cada canto do aposento. Espreguiço-me. Levanto-me e ligo o som.
Aos poucos, as notas das músicas tomam forma em minha mente. Meu coração pulsa em harmonia com o ritmo da melodia, minha respiração fica ofegante, meus ossos se tornam leves, meus músculos relaxam.
Minhas mãos fazem movimentos leves. Meus pés começam a bater no chão. Minha cabeça inquieta-se. Meus ombros sobem e descem e dão voltas. Meus joelhos flexionam, e retornam, e flexionam. Meus cotovelos circunflexionam, e vêm e vão, e retornam.
O som da música vem como uma onda que entra em ressonância em meu corpo, levando-o à sintonia e trazendo movimentos harmônicos em seus membros. Vermelho, me recolho. Azul, me estendo. E de uma sucessão de cores, ordena-se a dança, natural.
Na lentidão da melodia, deito-me em um lençol macio, suspendo-me pelos ares, deixando-me levar pela brisa, que acaricia meu corpo. No agito, estou nas ondas do mar, ora batendo com força nos rochedos, ora erguendo-se e erguendo-se pelas alturas, mostrando sua força interior.
Sou um feixe de água, iluminado por prismas que emitem faixas de todas as cores, as quais projetam-se em mim. Certas horas, ganho forças, subindo, subindo e subindo. Estouro. Explodo tridimensionalmente para todos os lados. E caio, como em um chicote, no chão. E me reúno, gota por gota, formando uma espiral ainda mais forte, que, cadenciada, vai subindo como uma serpente, direita, esquerda, direita, esquerda, em um movimento ondulatório e, na verdade, helicoidal. Lá no alto, irradio-me em inúmeros feixes, que rapidamente trocam de cores. E tomo forma. Flor. Pedra. Árvore. Sol. Lua.
E a música acaba. Abro meus olhos, meus músculos enrijecem, minha cabeça aquieta-se tanto quando meus pés, agora parados, e minhas mãos se unem, como em prece. Meu dia começou.