Oi. Tudo bem contigo?
Tenho algo para falar, algo que é importante para mim.
Você sabe quantas pessoas em minha vida já viraram a cara para mim quando eu ia cumprimentá-las? Uma.
Sabe quantas inimizades eu tenho nessa vida? Uma.
E eu sei que tu tens todos os motivos do mundo para isso, ou provavelmente não dê a mínima para isso tudo, só queira evitar confusão à toa, mas faça um favor a mim: leia o que eu tenho a te escrever. Não me importa se tu vais rir disso, ou se simplesmente vais ignorar, lendo ou não e depois jogando na lixeira. Mas eu te escrevi este e-mail porque eu precisava expressar tudo que eu sinto e ter a esperança de que um dia tu resolvas abrir e ler, e refletir, e saber como eu me sinto.
Tu já deves saber que nunca quis teu mal, ou causar a ti algum incômodo. Deves saber disso, com certeza. Já escrevi sobre isso e acredito que tenhas lido.
Mas eu escrevo hoje sobre o quanto você foi importante para mim. O quanto eu gostava de conversar contigo, trocar ideias, abrir a webcam, rir, me divertir. Tu sempre fostes uma boa companhia para mim. E eu nunca vou deixar de me culpar por não ter sido igualmente bom, agradável para ti. Bem ao contrário.
Conheci muitas pessoas novas, igualmente ou superiormente agradáveis como tu eras. Namorei. Voltei a valorizar minhas antigas amizades. Mas, idiota ou não agindo assim, nunca esqueci de ti. Nunca esqueci de ter te conhecido, de toda confusão que aconteceu...
E mesmo assim eu "esqueci", ignorei por todos esses meses o que eu sentia, pois eu queria respeitar tua decisão e respeitar-me também.
E, depois de ti, toda pessoa especial e maravilhosa que aparece em minha vida eu tenho medo de perder. E me preocupo com cada ação que tomo, cada passo que dou, para que nada disso aconteça novamente. Eu não saberia lidar... é tão difícil lidar com uma perda assim!
Eu gostaria que você soubesse o quanto foi especial na minha vida, embora por pouco tempo, embora tão traumatizante para mim. E tenho a noção clara de que eu simplesmente posso ter sido "nada" para ti. Sim, eu sei. Mas não me importa! Tu fostes importante para mim.
E por isso eu escrevo. Porque dói ter teu olhar de recusa, dói alguém que me fez tão bem em um momento difícil para mim agora virar a cara e seguir em frente, sem se importar. Mas não peço que te importes. Não és nenhum monge budista para ficar se importando com os outros sem sentido aparente. Só peço que me olhes... que sorrias... que eu exista para ti. Porque eu existo.
A coisa que eu mais queria naquela confusão do ano passado era poder ter te encontrado, ter dado um abraço e pedido minhas sinceras desculpas. Porque eu sei que eu errei. E eu jamais queria ter perdido nossa amizade, por menor que ela fosse naquele momento.
E a coisa que eu mais queria agora era poder me encontrar contigo, tomar um café, um suco, um chá, o que for, e poder conversar contigo. Odeio desperdiçar uma amizade. Odeio perder quem importa para mim. Fica o convite.
Reitero: mesmo após ter retomado boas e antigas amizades, ter feito novas tão importantes quanto, ter conhecido alguém especial demais ao ponto de eu namorar, e de a cada dia me deparar com uma pessoa especial tanto quanto as demais que eu já conhecia, mesmo após tudo isso eu ainda lembro de você com um aperto no peito.
E não tenho vergonha disso, caso tu queiras rir. Nasci para amar e ser amado, no sentido ingênuo da palavra. No sentido de ser importante, de ser feliz e levar felicidade. E a indiferença, em especial agora, a tua indiferença me despedaça.
Posso viver sem teu perdão. Posso viver sem teu olhar, teu sorriso. Posso viver sem tua amizade. Mas minha vida seria mais agradável tendo resolvido tudo isso. E seria mais agradável ainda se eu tivesse a tua amizade.
Então, se um dia tu quiseres olhar para mim e humildemente resolver tudo isso, aceite meu convite: tomemos um café, conversemos sobre isso, sobre tudo ou sobre nada. E dê a mim, a ti, a chance de não ter de precisar virar a cara quando nos encontrarmos por aí.
Fica o convite.
