segunda-feira, 30 de abril de 2012
A natureza reprimida
Ontem repousei meu olhar no céu estrelado e admirei o lindo tear de luzes na escuridão do além.
Quantas vezes fiz isso ano passado? Uma? Duas?
Maldita rotina, maldito sistema, maldita sociedade que me afastam da minha natureza humana, animal.
Enquanto procuro em coisas terrenas a beleza, é no inalcançável que ela se encontra e, embora inatingível, está ele tão perto... tão perto de se ver, maravilhar-se.
E por que estou aqui a escrever nesse computador - para quem eu não sei - esse desabafo? Por que não me dispo e nu como o homem ancestral me deito na relva e fico a maravilhar-me com a criação do meu Pai?
Há algo que se fundou em mim, que foge do meu controle e me faz dependente dessa sociedade falida, que - como já disseram os sábios - é ocupada em "nascer e morrer".
E agora me pergunto se intercedo a Shiva pela destruição desse velho ser ou a Ganesha pela sabedoria para aceitar minha condição.
Como cheguei aqui e para onde ir?
Sim, eu quero saber.
