sexta-feira, 24 de junho de 2011

Limiar entre o real e o surreal

Filme: Sucker Punch (2011, Ação, Suspense, Fantasia)
Qualidade: Fantástico!




"Quem honra aqueles que amamos pela vida que vivemos?
Quem envia monstros para nos matar?
E, ao mesmo tempo, canções que nunca vão morrer.
Quem nos ensina o que é real e como rir das mentiras?
Quem decide quem vai viver ou morrer defendendo?
Quem nos acorrenta? E quem tem a chave para a nossa liberdade?
Você.
Você tem todas as armas que precisa.
Agora, lute!"

Essa citação final do filme resume toda sua qualidade.
Como dou-me o direito de dizer, um filme que não é para qualquer pessoa.
O interessante dele não é a beleza das atrizes, tampouco as cenas de luta - mas, sim, o surrealismo que se funde com a realidade com tamanha qualidade que eu, toda vez que vejo esse filme, fico sem palavras e com um aperto no coração.
O que faria você, uma mulher jovem, quando logo após a morte de sua mãe seu padrasto tenta molestar sua irmã menor e para defendê-la atira contra ela sem querer - matando-a -, na tentativa de acertar o molestador?
Diante disso, a internação em uma clínica psiquiátrica (ambientada nos anos 50, como então manicômio) - articulada pelo padrasto - exige a percepção de mundos surreais dentro da própria mente para não fugir da própria realidade, mas alcançar um futuro nela própria. De repente, o manicômio sai de foco e passa-se a ver aquela mulher, Baby Doll, em uma espécie de bordel, em que as internas realizam shows de dança para a elite da cidade e Baby consegue conquistar a todos com sua dança. E já não bastasse esse mundo surreal, quando ela dança um novo surge e a cada vez que dança atinge uma experiência surreal diferente.
Surge uma espécie de aventura, surreal - mas, como falei, sempre articulada com a realidade - em que o objetivo é a liberdade e, para isso, ela terá de conquistar alguns objetos e, por fim, um elemento especial, chave no filme e que dá no final toda a sua graça - merecida.
(spoiler, atenção!) Toda essa experiência real em conexão ao surreal permite à Baby Doll aceitar sua condição e dar liberdade não a si, mas a uma colega interna. Isso, pois, na verdade a história não é dela, mas da colega Sweet Pea, que tem uma família, tem uma história a completar, diferente da Baby, órfã e sem perspectiva própria. E, pensando bem, a liberdade de Sweet é sua própria liberdade, com a lobotomia. Como viver depois de tanta desgraça? Fugir? Não. Encontrar uma nova realidade, no surreal.
Maravilhoso, fantástico.
Um dos maiores mistérios e graça da mente humana é o sonho e a breve percepção a qual possuímos das outras dimensões do nosso pensamento e de nossa existência. Muito provavelmente sem essa intenção e conotação, mas com total sucesso esse filme alcança uma compreensão interessante do paralelismo e da interconexão entre essas dimensões e ao menos a mim permitiu uma grande reflexão sobre a existência.
Engraçado, pois não era isso que o filme prometia, ainda mais com esse pôster, de mulheres bonitas e gostosas, e luta, guerra.
Ele é, de fato, muito mais que isso. Faz-me questionar os limites, o limiar entre o real e o surreal.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Eu sou, não finjo ser

Eu queria saber ser como os outros.
Mas não seria quem eu realmente sou.
E talvez assim fosse mais infeliz quanto já tenho sido.
Melhor, portanto, viver como sou a fingir viver como gostaria de ser.

Sorte de viver contigo

Eu gostaria de querer meu coração só para mim.
Mas algo aqui dentro sempre pede, deseja, ordena que eu dê meu coração a outrem.
Antes quisesse meu coração quem eu, com carinho, dou.
Mas parece que minha sina é que isso comigo nunca aconteça.

Como é triste ter algo tão enorme e valioso para dar
- E ninguém querer aceitar com igual afeto.

Como é triste ter coisas outras tão fúteis, para uns atrativas
- E somente por essas meus amores se interessarem.

Quando me olho no espelho não vejo beleza, poder.
Vejo, pois, carinho, amor, afeto, dedicação.

Por que há de os outros se interessarem por algo que não me importa se é agradável ou não; conquanto desejem o que há aqui dentro do meu peito, manifesto em meu carinhoso olhar, satisfeito sorriso, mãos afetuosas, abraço apertado, beijo inesquecível - alguém para amar, por completo?

Por isso digo que não valho por uma noite.
Sou daqueles que só fazem sentido e só se tornam valiosos quando há tempo de relacionamento.
Por que, então, só me querem por uma noite?

Hei de viver sempre nessa sina
- Ou morrer sozinho, sem ninguém, sem emoção - tampouco razão.

Mas viver assim não é viver.
Então prefiro continuar minha busca...
Dar amor a todo aquele que com carinho meu coração sentir desejo.
E se a sorte me for dada a achar alguém que me ame tanto quanto eu o faço
- Que eu viva acompanhado, contigo, com emoção - e razão, e muito, muito amor.