sábado, 30 de março de 2013

O Desabafo do Apaixonado



Noites e noites sonhei contigo. Com tua pele clara, macia, tocando na minha. Sonhei com tua presença discreta, doce, sincera. Sonhei com tua relativa ingenuidade, com a possibilidade de nos descobrirmos humanos juntos. Sonhei que tua pureza a mim seria ofertada e que assim eu pudesse compartilhar contigo também a minha.
Triste é quando se percebe que o que parece pesadelo é, na verdade, pura realidade, na qual o que se sonhou em nada aconteceu.
Idealizei tanto a ti que agora me sinto um completo idiota. Idiota, como todo apaixonado. Sozinho. Apaixonado. Eu, no limiar entre o prazer e minhas inseguranças mentais.
Eu, confuso e sem saber o que é pesadelo, o que é sonho e o que é realidade. Dentre os três, no entanto, real ou não, fico com meu sonho. É o que me inspira sentimentos bons.

sábado, 23 de março de 2013

Incontrolável dentro de Si



Não ser capaz de controlar algo incomoda. Não ser capaz de controlar algo que nasce e reside dentro de si, no entanto, irrita, agonia, corroi, lacera internamente.
A paixão e os sentimentos os quais junto dela surgem muito embora possam ser agradáveis, quando são correspondidos, quando desenvolve um relacionamento legal, podem ser, todavia, motivo de dor, sofrimento e frustrações quando isso não ocorre.
E não há sentido para explicar por que se apaixonou. Não basta o cabelo louro, os olhos claros transparentes, pelos quais - junto do sincero sorriso - vê-se a espontaneidade despreocupada da alma, que emana felicidade, fortifica-se na alegria. Não basta o corpo de curvas deliciosamente perfeitas, cujo tato imagino ser delicado, suave, macio. Não basta a boca úmida, de cujos lábios imagino tomar um beijo, inundando-me desses fluidos alheios e inundando-o. Não basta.
Sua ausência irrita-me, seu culto a si próprio me enoja, sua falta de compromisso me entristece, sua vida desregrada me desinteressa, seu medo de ser você mesmo me indigna, sua falta de vontade em ser comigo me devora.
Mesmo assim, não bastassem suas falhas qualidades e seus tão fortes defeitos, por que por você me apaixonei?
Por que continua em meus pensamentos, é motivo de minha melancolia, me faz sentir incompleto?
Por que meu coração não permite que eu mesmo escolha por quem me apaixonar, por quem eu deseje compartilhar meu viver, por quem eu possa construir uma história de amor?
E por que eu lhe desejo tanto comigo, ao passo que desejo tanto lhe esquecer e não lhe ter por perto?
E por que eu imagino ter todas essas respostas somente com você se relacionando comigo, e não de uma forma diferente?
Meus sentimentos incontroláveis me incomodam, corroem-me, entristecem-me, e aqui estou eu a sofrer por ter me apaixonado por você. E se ao menos fosse um amor correspondido... tudo seria tão diferente!
Por que não me corresponde, para juntos encontrarmos a felicidade?

terça-feira, 12 de março de 2013

De Monge à Vida Comum



No fundo, eu queria ter sido mais corajoso quando jovem e ter desistido de tudo para me tornar um monge isolado do mundo.

Na profundidade de meus pensamentos, no entanto, fiz a escolha certa, mesmo sendo covarde: escolhi sofrer, crescer pouco sozinho, mas ter a oportunidade única e valiosa de crescer coletivamente. Para mim, que acredito na vida eterna, isso é fundamental.

Por isso, sou chato com algumas pessoas. Desejo a todo custo estimular a "produtividade" dessas amizades. Creio que conhecemos determinadas pessoas não por mero acaso, mas por premeditada e harmônica ação do destino, o qual permite, a cada relacionamento, um rol de aprendizados e construções coletivas, que visam ao aperfeiçoamento espiritual, moral e para além disso dos indivíduos que se relacionam.

Cada relação é uma troca de energia, envolve troca de saberes e experiências e tudo isso é muito construtivo no sentido supracitado. E, tendo em vista que foi isso que escolhi para minha vida, e não o crescimento alienado e solitário, eu, com certas pessoas, tento ao máximo explorar esse potencial criador com quem me relaciono.

Os Desejos do Coração



O que é belo pode cativar minha atenção e admiração.
Todavia, somente o que é sincero, desapegado, espontâneo é capaz de conquistar meu coração.

Não me apaixono por beleza,
Não me comovo por feiura.

Sinto por sentir do outro:
Há o belo que não provoca sentimento
E há o feio que conquista até a razão - além da emoção.

Posso inclusive desejar o que é desejado,
Mas é por meio de meus próprios desejos que fico apaixonado.

Sei que o coração sincero é difícil de conquistar:
É tanto desapego e espontaneidade que ele parece ser feliz sozinho.
Meu desafio é ensinar a ele a importância de a outrem amar.

E, quando há sentimento com esse tipo de pessoa,
Aí se tem a certeza de um amor verdadeiro e real
- Não mais algo ilusório ou banal.

Seja belo ou feio,
Desejado ou abominado:
É, pois, o sincero e desapegado,
Espontâneo em seu modo de ser
Com quem eu desejo compartilhar o meu viver.

domingo, 10 de março de 2013

Alma Doente



Quero escrever dessa ânsia que invade minha garganta, desses calafrios pelo corpo, desse embrulho no estômago, dessa confusão mental. E, se aqui falo de doença, trato daquela da alma, pois lágrimas escorrem eu meu rosto ao ouvir essa música triste, lembrando do passado e novamente percebendo que ele, de certa forma, vem se repetindo novamente. Quero vomitar esses sentimentos pelos quais me alimentei, expulsar de mim esse frio da negatividade e reintegrar a posse de mim, de minha vida, do que sinto e do que faço.

A Mente Artesã



O pensamento é energia e o desejo molda-a. Ao longo dos anos, fui construindo em minha mente a pessoa que seria ideal para mim. Como um artesão, minha mente esculpiu em pensamentos cada detalhe desse ser desejado. Um molde pré-fabricado estava praticamente pronto e, a cada momento em que uma pessoa aparecia em minha vida, minha mente colocava o molde sobre o indivíduo. Cada característica diferente, presente na pessoa real, do molde fazia com que aos poucos ele se quebrasse, revelando quem realmente era a pessoa com a qual eu estava me relacionando. E, ao passo em que as ilusões se desfaziam, aumentava a frustração por eu desejar algo e a vida me colocar defronte a algo diferente.
Engraçado: minha mente também aplicou um molde sobre mim, do qual surgem fortes frustrações a cada vez que conheço em mim algo que eu não desejo ser.
Tantos moldes, tantas ilusões, tantas frustrações: por que simplesmente não aceitar a realidade como ela é? Por que há de complicar tanto, criando complexas situações e envolvendo os relacionamentos em dor e desilusão?
É óbvio que há uma forma mais saudável de viver a relação interpessoal. Todavia, como convencer minha mente a seguir esse caminho?
Perguntas as quais exigem respostas fundamentais para a minha felicidade. Logo, empenhar-me-ei em decifrá-las.